- Essa kandura acabei usando para fazer uma entrevista com o pessoal árabe e inglês. Tenho em casa e uso às vezes quando tenho que ir na casa de alguém importante. Mas às vezes prefiro um terno, mais básico, né? É bem legal e tranquilo de usar essa roupa. Não tenho problema algum - disse.
Num país em que sobra dinheiro, Caio, que já foi recebido pessoalmente pelo Xeique Mohammed bin Zayed, nada menos que o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, capital do país, disse que não faltam presentes. Muito além dos dirhams, a moeda local, que entram mensalmente na conta bancária, os jogadores estão habituados a receber mimos dos dirigentes.
- Ganhamos prêmios e bichos depois do jogo. Eles dão um pacote de dinheiro ou mandam para a conta bancária. Eles esbanjam porque têm. Para eles, é pouca coisa. Se puderem ajudar as pessoas, vão ajudar.
Foi assim ao longo da campanha até vitoriosa no Mundial. Agora imagina como será o bicho se o Al Ain vencer o Real Madrid na decisão deste sábado.
- Ainda não sei. Já tivemos bicho dos jogos passados, mas do título mundial ainda não sabemos. Na Arábia Saudita já teve isso (jogador ganhando carro).
Muito antes de brilhar nos gramados dos Emirados Árabes, Caio Lucas tentou a sorte no São Paulo aos 11 anos de idade. Aos 16, acabou saindo do clube por ser muito franzino e fez testes no Palmeiras e no Santos. Sem chances nos clubes paulistas, ele estava quase desistindo quando surgiu a oportunidade no Kashima, onde começou a carreira.
"Foi então que tive a oportunidade de ir para o Japão. Aquilo foi a última oportunidade da minha vida, então agarrei com as duas mãos. Já não tinha mais chuteira, já não tinha mais material nenhum e acabei pegando de um amigo. Consegui ir lá e ser feliz".
O Al Ain de Caio Lucas decide o título mundial com o Real Madrid neste sábado às 14h30 (de Brasília), com transmissão ao vivo da TV Globo, do SporTV e do GloboEsporte.com. Confira abaixo outros trechos da entrevista do brasileiro no hotel em que a equipe da casa está hospedada em Abu Dhabi.
Presentes que já ganhou no país
Já ganhei rolex de um jogador, que me prometeu, se eu fizesse dois gols no (time do) Irã, ele iria me dar. Eu fiz a minha parte, e ele cumpriu a promessa.
Do clube, ainda não ganhei. Apenas os bônus dos jogos. Mas já escutei que eles costumam dar presentes. Até hoje ainda não ganhei. Quem sabe... Estou esperando (risos).
Religião no país
Fui na mesquita umas três vezes para levar meus familiares e é bem legal. É bem bonito. Muito legal, muito gostoso... Quem for, vai gostar muito.
Do Kashima para o Al Ain
Foi uma transferência muito conturbada. Foi muito rápida, e o Kashima não queria liberar, sendo que o Al Ain me queria no dia seguinte. Foi uma briga de lá e cá, mas procurei não sair brigado do Kashima. Conversei com a diretoria, conversei com todos.
Cobrança em árabe?
Eles procuram falar inglês. Às vezes falam em árabe, e a gente acaba não entendendo. Mas eles cobram sim. Cobram por gols, que eu sou pago para fazer gols. Se eu ficar um jogo sem fazer gol, eles já cobram. Mas isso é normal. Estou acostumado já.
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