Partimos sempre do ponto de que o trabalho de Diego Aguirre é mais do que satisfatório no São Paulo sem esquecer nossa realidade: de quase rebaixado em 2017 à líderes com potencial de título no campeonato brasileiro. Salvou peças como Diego Souza que seria emprestado ao Vasco (com o SPFC pagado o salário) e o transformou em líder do grupo após "conversa de homem para homem", como o próprio D Souza contou. Transformou o São Paulo em quarteto NERD. E, principalmente, se hoje temos qualquer chance de sonhar com um título é pelo bom desempenho que Aguirre extraiu do elenco tricolor que, em grande parte, é o mesmo que Dorival Jr tinha em mãos.
Agora entendendo isso, vamos à crítica construtiva:
Diego Lugano quando voltou ao São Paulo disse em entrevista a este site uma verdade sobre o futebol "O futebol não é apenas feito de 4-3-3, 3-5-2, táticas ou números. O futebol é mais que isso, é energia, entrosamento, entrega, sangue que pulsa entre jogadores e torcida.", fato. O começo da campanha do São Paulo trouxe a energia quase perfeita: a união da torcida que apoiava incondicionalmente sabendo que qualquer luta acima do Z4 era lucro somada à entrega dos 10 jogadores de linha que queriam presentear essa torcida com vitórias ou, pelo menos, não deixá-los assistir derrotas.
Os únicos que destoavam dessa energia eram: Rodrigo Caio que estava sob pressão mas se machucou e teve de se afastar e Sidão, que sofre pressão por suas falhas desde o ano passado.
No começo, a torcida ignorou Sidão porque a competência da zaga e da volância tricolor em conjunto com o estilo de Aguirre de jogo onde todos os jogadores voltam para marcar faziam com que o São Paulo raramente levasse gols e, quando levava, o quarteto NERD virava ou empatava. Tínhamos a campanha do quase perfeito brasileirão: vitoria em casa, sem derrotas fora.
Foram 13 rodadas de invencibilidade até o 3 x 0 no Allianz Parque contra o Palmeiras, partida que ficou marcada por vacilo do goleiro Sidão. O jogo seguinte foi São Paulo x Internacional no Morumbi, e o camisa 12 foi vaiado - o único jogador vaiado - pelos 40 mil presentes no estádio. A insegurança das vaias pesa na cabeça do jogador todos os dias por obviedade.
Oras, pense você no seu trabalho, dando o seu melhor - sem dúvidas, Sidão entrega o seu melhor em campo - e as pessoas ao redor vaiando sua atuação constantemente. A crise particular de Sidão começava ali, por mais que o grupo de linha estivesse bem, o goleiro que deve nos salvar quando todos falham, já não tinha segurança para nada: nem para repor bola, até os tiros de metas são bizonhos.
O São Paulo foi para a pausa da Copa do Mundo já com a crise Sidão existindo de forma silenciosa, como uma Guerra Fria entre torcida e goleiro. Nada se anunciava, mas o clima hostil existia, ainda mais com a imprensa apertando.
O São Paulo conquistou a liderança pós-copa e nesse período foram raríssimos os jogos em que podemos dizer que Sidão salvou com boas defesas (mas existiram, de fato, alguns). Porém, seus erros são maiores que acertos e entregam em média de 6 a 9 pontos o tricolor. Nos gols contra que fizemos nas partidas São Paulo x Fluminense e SPFC x Atlético-MG, há uma longa discussão que o mau posicionamento do goleiro tenha dado condição para ambos os gols. No do Régis, a bola chega a passar pela mão do goleiro, no de Anderson Martins, ambos admitem falha de comunicação no retorno apressado do goleiro.
Quem assiste o jogo do estádio percebe que o goleiro passa 80% do tempo mau posicionado e adiantado, sem tempo de reposição para contra ataques. Na partida do clássico contra o Palmeiras não enxergou o Deryverson a meio metro de distância e quase deu o gol aos 5 minutos do primeiro tempo. Além de mau posicionado, o goleiro é desastrado - inseguro - e tenta sempre sair com a bola no pé. Qualquer recuo de bola simples vira perigo.
O principal motivo disso, sem dúvidas, é a falta de confiança. Não declaro que o goleiro não jogue bem ou que não haja mais espaço pra ele no São Paulo mas é notório que no momento ele não tem segurança e nem clima para prosseguir como titular.
Aguirre precisava ter coragem de trocar o titular e manter o grupo unido. Reunir os jogadores, ter uma conversa de técnico com elenco, fechar a "família", explicar a situação e definir um novo rumo para o gol.
O futebol é feito de energia, de segurança, de apoio, de torcida e de entrega. Sidão não tem psicológico para acompanhar a energia que precisamos para ser campeões agora. A trajetória do ano passado até aqui não traz bom clima para que permaneça.
Aguirre, nosso mago, nos provou inúmeras vezes que tinha o elenco na mão. Perdeu um pouco disso nas últimas rodadas e o primeiro ponto que mostra que precisa agir está exatamente no gol.
Segue vídeo abaixo com as 10 maiores falhas do goleiro que NOS TIRARAM PONTOS IMPORTANTES nesse campeonato.
Assistam, reflitam, pensem. Mereceria Jean ou Perri uma oportunidade no brasileirão? Sidão poderia sair de cena para recuperar confiança por um tempo?
Responda na enquete abaixo e vamos ecoar um pedido ao Aguirre se todos nos unirmos.
Nós, como torcida, não podemos largar mão do título, não podemos nos desunir e nem instaurar uma crise. Se fizermos isso agora, será adeus até para a vaga de Libertadores. Como verdadeiros torcedores , devemos conduzir este momento como conduzimos ano passado: juntos e firmes.
Layla Reis