O que Aguirre não enxerga? A trajetória que nos levou à 4º colocação, dá pra consertar ? - Layla Reis

Fonte SPFC.NEt
O São Paulo assumiu a liderança do campeonato brasileiro na 17º rodada, após partida contra o Vasco, vencida por 2 x 1 no Morumbi. De lá pra cá passaram-se 11 rodadas e, em pelo menos 5 delas, o tricolor teve totais chances de abrir vantagem para garantir-se na competição mas sofreu com desfalques, lesões, baixas no plantel e, agora, falta de entrosamento. Qual seria o conjunto de fatores que transformou o tricolor de campeão do primeiro turno a 12º colocado do returno?

O São Paulo do primeiro turno tinha uma proposta de jogo clara do conceito Aguirre: trabalhar no contra ataque e na eficiência de uma bola com a casinha fechada. Aguirre é conhecido por este estilo que deu muito certo no início. Todos os jogadores do São Paulo voltavam para marcar e marcavam em cima, beliscando a bola na saída. Por setores, o São Paulo recuava fechado e aproximado, se espaçando apenas no contra-ataque que, geralmente, era puxado por Everton.
Dava certo. O tricolor fechava tudo, era difícil marcar gol no São Paulo, eramos invictos! Mesmo se não marcássemos gol, não sofríamos! Jucilei, Arboleda, Hudson, Militão(na época), Reinaldo e até mesmo Nene eram muito presentes na marcação e a defesa acompanhava para reposição rápida de contra-ataque. A bola vinha pelo chão bem trabalhada, organizada, tabelada e triangular. O tricolor invadia a grande área achando espaços de forma inteligente. Foi ficando difícil nos parar. Everton, Nene, Diego Souza, Reinaldo e Militão pareciam conversar telepaticamente. Quando o sistema travava, Trellez entrava pra receber pelo alto. Tudo dando certo.
O São Paulo assim manteve-se invicto por 13 rodadas, perdeu o clássico mas manteve o bom futebol de invencibilidade.

Na virada do returno o tricolor sofreu um baque: a eliminação da Copa Sul-Americana para o Cólon. Nesse jogo especificamente, o São Paulo não achava espaço pelo chão, o Colón estava retrancado e fechado como era de se esperar e o tricolor tinha de mudar sua estratégia: achar espaço pelo alto, chutar de fora da área, trabalhar no chuveirinho, linha de fundo e cruzamento. Por ser um conceito pouco treinado e, na época, não ter calendário a favor (27 dias de viagens ininterruptos com média de 1 jogo a cada 3 dias), o tricolor foi eliminado por não ter variações táticas e de criatividade bem treinadas.
Daí por diante, o São Paulo começou a enfrentar a si mesmo e mudar o padrão de jogo. Pegamos Chapecoense, Paraná e Ceara, três times tão fechados quanto o Colón e só paramos a maratona de viagens no jogo contra o Ceará. Aguirre ficou manjado nessas rodadas pelo formado de retranca/contra-ataque e sem ofensividade dominante, o tricolor não achava espaço aéreo e todos os jogos foram marcados por não chutar de fora da área.
Do Ceará para o Fluminense, o São Paulo teve descanso pela primeira vez e a má fase de lesões e suspensões entraram em cena: jogo contra o Fluminense sem Diego Souza expulso injustamente e Everton já estava fora lesionado, mesmo assim, só perdemos por gol contra. Enfrentamos o Atlético-MG com três desfalques e perdemos com gol contra nosso novamente: caiu a confiança.
Viemos para o Morumbi contra o Bahia desfalcados novamente tentando recuperar a confiança em nós mesmos de não fazer gols contra, não amarelar o time inteiro ou perder jogadores por erro de arbitragem. Vencemos o Bahia já com dificuldades e Aguirre é obrigado a implementar rodízio: Everton Felipe, Rojas, Bruno Peres, Carneiro, todos tentando se entrosar e recuperar ritmo de jogo.
O tal ritmo de jogo não foi possível de se recuperar com semanas cheias de descanso e treinamento. O São Paulo em vez de adicionar um novo formato de criação de possibilidades de gols e trabalhar as variações táticas ofensivas, fez o contrário: perdeu ritmo de jogo, perdeu preparo físico e começou a se acostumar com os improvisos. Quando os desfalques cessaram, não havia entrosamento.

Os improvisos foram necessários por 7 rodadas consecutivas. Alguns mirabolantes como no clássico contra o Santos em que tivemos Arboleda, um zagueiro alto, na lateral direita enfrentando o veloz e jovem time do Santos. O empate foi vitória naquele jogo.
Aguirre pardalizou e frustrou, não soube controlar a crise de pressão sobre Sidão e perdeu o elenco inabalável que tinha. Acostumado com os improvisos pelos desfalques, quando teve pela primeira vez o elenco todo à disposição no jogo mais importante do ano, resolveu retrancar e improvisar um zagueiro - Rodrgo Caio, por Deus! - na zaga. Não entrou com o trio goleador: Everton, Nene, Diego Souza. Que com o entrosamento de Rojas, Bruno Peres e Reinaldo agora poderia ganhar mais integrantes.
A falta de criatividade em variações táticas, a falta de treinamento do arroz e feijão em cima do que já era bem feito, a falta de percepção de que improvisos são necessários apenas em situações de escassez de reposição, a má fase de lesões, suspensões e desfalques somados à pressão de liderança, erros de arbitragem e excesso de confiança no início trouxe o São Paulo à quarta colocação com medo de perder o G6 nas vésperas do confronto direto contra o Internacional.
O campeão do primeiro turno, é 12º colocado no segundo. Aguirre provou contra o Botafogo em suas substituições e contra o Palmeiras em sua escalação que hoje prefere tentar segurar um ponto de empate mesmo jogando em casa do que arriscar mais dois. Aguirre não sabe ou tem medo de ser ofensivo, é um técnico de contenção e não de investimento. Provou que está tão manjado que Felipão antevia seus passos nas substituições.
Na minha opnião, Aguirre não percebe que perdeu a mão. Poderia trabalhar no sistema de contra-ataque e em variações táticas, treinando MUITO os fundamentos de passe, triangulação e cruzamento. E voltar com sua escalação tradicional que nos tornou líder.
Nos momentos de risco deveria ir para cima. Temos eficiência para disputar esse campeonato, a pressão de toda a trajetória nos fez perder o foco.
Dá pra consertar?
Layla Reis
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