Para mostrar um pedaço do DNA desse torneio, personagens que participaram de cinco títulos históricos brasileiros recontam suas experiências nas partidas decisivas. Jogadores de Atlético-MG, Corinthians, Flamengo, Palmeiras e São Paulo relatam como viveram suas finais sul-americanas.
A terceira de cinco reportagens dessa série especial tem histórias marcantes do título do São Paulo de 1992, quando o estádio do Morumbi foi "inundado" por torcedores. Quando Zetti defendeu o chute de Gamboa e sacramentou o triunfo nas penalidades, logo após o time de Telê devolver o 1 a 0 no tempo normal, o gramado foi completamente tomado.
Muita festa por parte da torcida, susto por parte dos jogadores e tricolores correndo para todos os lados. A América era do São Paulo.
Milhares em campo
"Não deu tempo de correr quando a torcida invadiu o campo. Pegaram minha chuteira, meia, camisa. E eu não jogava de sunga. Se arrancassem meus shorts, eu ia ficar pelado. Eu falava 'não, não, não!'. Aí tiraram eles de cima de mim e eu fui para o vestiário"
Macedo, que por pouco não ficou totalmente nu
"Não fiquei naquela bagunça, consegui sair rápido. Fugi e perdi só a chuteira, teve gente que ficou pelada. Foi um mar de gente, incrível, mas lógico que assustador. Foi muito louco aquele negócio"
Ivan, que correu, mas perdeu uma chuteira
"A emoção era tão grande que eu queria curtir aquilo o máximo que pudesse. Mas acabei ficando só de cueca e com um pé da chuteira. Pedi pra ficar com ela. Não fiquei assustado quando vi a multidão entrando em campo. Era tudo o que pedi a Deus. Fiquei até a entrega da taça"
Pintado, de cueca, fez questão de curtir na muvuca


Muller mal, bola na trave de Zetti...
"Confesso que fiquei aflito no Morumbi. Estava demorando muito para sair o gol e estávamos perdendo muitas oportunidades. O tempo foi passando e achei que não ia acontecer [o gol]. O Muller era nosso grande nome, eu pedia para tocar nele, mas não estava bem naquele dia. A gente sentia que ele não conseguia fazer as jogadas"
Zetti, lamentando a noite pouco inspirada do atacante referência.
"Na hora que o cara [do Newell's] saiu correndo com a bola dominada [para chutar na trave], era só torcida para que ele errasse. Se não me engano, foi uma bola na esquerda que meteram nas costas do Ivan. O time desconcentrou um pouco com aquele lance, mas aos poucos fomos controlando o jogo"
Antônio Carlos, lembrando o vacilo da defesa que quase custou caro.

A frieza de Raí no meio da multidão
"Sempre digo que, quando o juiz apitou o pênalti, 100 mil pessoas gritaram, meus companheiros comemoraram, só eu que não.
Minha sensação é a de ter me colocado numa bolha naquele momento para tentar manter tudo o que representava aquela jogada e me desligar do entorno. Peguei a bola e tentei abstrair, como se estivéssemos só eu e o goleiro.
Eu geralmente me decidia por um canto e tentava sentir o movimento do goleiro até o último momento. Se ele não se mexesse, batia naquele que já estava definido. Se não, tentava mudar de canto. Foi o que fiz, bati no canto que havia definido antes"
Raí, sobre o gol que fez aos 22min do segundo tempo e levou a definição para as penalidades
Os pênaltis, na visão deles:


São Paulo 1 (3) x (2) 0 Newell's Old Boys


