A CBF boicotou o árbitro de vídeo e colocou os clubes como vilões

Por Fabio Chiorino

Fonte LANCE!Net
Na reunião técnica com a CBF, clubes vetaram a implementação do VAR na próxima edição do Campeonato Brasileiro (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)
A votação que decidiu pela não utilização do árbitro de vídeo para a próxima edição do Campeonato Brasileiro colocou 12 times como vilões, desviando o foco principal da recusa. Ao dizer que não teria condições de investir na implementação do VAR e jogar a batata para os dirigentes dos clubes da Série A, a CBF mais uma vez boicotou uma medida que poderia aumentar a credibilidade do principal torneio nacional.

Com o custo estimado (mas não esmiuçado) de R$ 20 milhões para todo o campeonato, a balança pendeu para os cofres dos clubes. Se Corinthians, Atlético Mineiro, Cruzeiro e Santos, por exemplo, teriam condições de arcar com isso, certamente o valor pesaria nas finanças de outros, como América-MG, Ceará e Paraná, que tradicionalmente recebem cotas de TV muito menores quando disputam torneios da elite.
O jornalista Mamede Filho, correspondente da BBC Brasil em Portugal, explicou como se deu a implementação do VAR por lá, paga totalmente pela Federação Portuguesa e com um custo de R$ 4 milhões por temporada. Não basta fazer a comparação direta, é preciso compreender particulares deste custo para aplicação no Brasil. Entretanto, é primordial que a milionária CBF detalhe ao máximo este custo e até mesmo assuma este investimento de uma evolução de um campeonato que ela própria organiza.
Na 24ª rodada do Brasileirão 2017, quando Jô marcou um gol de mão pelo Corinthians na vitória contra o Vasco, a CBF, diante de tantas reclamações, anunciou a implementação do árbitro de vídeo na rodada seguinte. Alegando limitações técnicas, a ideia logo naufragou e nunca mais foi retomada. A impressão é que foi apenas um factoide para diminuir a grita coletiva. Jamais daria certo implementar o VAR com o campeonato em andamento, com juízes sem treinamento específico e ignorando o protocolo da International Football Association Board – IFAB.
Na reunião técnica para o Brasileirão 2018, a CBF levou à mesa uma proposta emoldurada perfeitamente para ser rechaçada. Lavou as mãos e agora tem a decisão como trunfo, fruto de uma votação que trouxe mais ameaças do que benefícios aos clubes. Os torcedores já podem se preparar: os erros graves dos árbitros continuarão como protagonistas. E, apesar de louvável a posição dos clubes que votaram a favor, os que se posicionaram contra não são os verdadeiros culpados. Na verdade, os 20 times da Série A caíram na arapuca montada pela CBF. O retrocesso venceu no final.
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