Cerezo, sobre pesadelos por perda da Copa de 1982: "Não tenho mais não"

Eterno ídolo do Galo e hoje técnico elege Seleção de Telê como a maior equipe em que atuou e com melhores da época: "O time todo jogava fácil, e todo mundo jogava"

Fonte SporTV
Toninho Cerezo, na final do Mundial de 1992 contra o Barça: bicampeão pelo são Paulo (Foto: Agência Getty Images)
A seleção brasileira sem Copa que encantou o mundo é tema sempre recorrente em mesas-redondas, debates. E com a presença de um representante daquele time, não dava para fugir do assunto, No programa "Bem, Amigos!" desta segunda-feira, estava lá Toninho Cerezo. Ídolo eterno do Atlético-MG, onde conquistou sete Mineiros, campeão da Copa da Itália duas vezes pelo Roma (1984 e 1986), duas pelo Sampdoria (1988 e 1989), além do scudetto de 1990-91. Bicampeão mundial pelo São Paulo (1992-93), da Libertadores (1993). E camisa 5 da Seleção de 1982. Personagem inconfundível, o volante estiloso, sempre de meias arriadas, era uma das principais personagens da equipe de Telê Santana. Até hoje é lembrado pelo choro durante a eliminação para a Itália, na derrota por 3 a 2 no Sarriá, em um dos jogos mais marcantes da Copa da Espanha.

E depois eu chego agora com meus 60 anos, olho pra trás, isso é o futebol, gente. A gente quer se amargurar... Eu não vou me amargurar, ficar sentido. Joguei numa baita Seleção. Os caras eram os melhores jogadores da época."
Toninho Cerezo
Perguntado pelo comentarista Marco Antônio Rodrigues se ainda tinha pesadelos com aquela derrota, Cerezo mostrou a mesma transparência dos tempos de jogador.
- Não, não tenho mais não. Já tive, lógico. Depois que você perde, fica amargurado, sentido. Mas depois a bola rola, você começa a jogar e não dá tempo. Mas era um time que jogava. Se você vir o jogo, não deixou de jogar a equipe... o tempo todo - afirmou Cerezo, que falhou no segundo gol da Itália, ao dar passe errado no meio-campo que Paolo Rossi aproveitou para marcar..
Marco Antônio Rodrigues lembrou que, logo após a derrota do Brasil, a manchete do "El País", principal jornal da Espanha, era: "Jamais vos esqueceremos", celebrando a Seleção considerada dos sonhos com a foto estampada na primeira página. O comentarista ainda citou o técnico Guardiola, hoje comandante do Manchester City, mas com a imagem fortemente ligada ao Barcelona, por ter implantado lá no timaço de Messi & Cia. o futebol mágico cuja inspiração sempre foi a Seleção de 82.
O apresentador Luís Roberto também recordou a forte impressão deixada pela geração de Zico, Sócrates, Falcão, Junior & Cia., mesmo sem o título. E deu a largada sobre o tema perguntando a Cerezo se aquela era a melhor equipe em que havia atuado.
- Sem dúvida. Porque jogava fácil demais. Muito solta, toque de bola. Sócrates jogava de um toque, jogava nem de dois. O time todo jogava fácil e todo mundo jogava. Ali só o Oscar... era muito forte de cabeça, um gigante. Por isso as coisas funcionavam, fluíam. Com bom toque de bola, velocidade, criatividade, jogava e jogava bem - afirmou Cerezo.
Aquela Seleção jogava fácil demais. Muito solta, toque de bola. Sócrates jogava de um toque, jogava nem de dois. O time todo jogava fácil e todo mundo jogava. Com bom toque de bola, velocidade, criatividade."
Toninho Cerezo
É bom lembrar que o Brasil foi desclassificado numa fase em que a Copa, na altura das quartas de final, era dividida por grupos de três seleções. Na chave havia Brasil, Itália e Argentina. O Brasil tinha vencido a Argentina por 3 a 1, e a Itália havia derrotado os hermanos por 2 a 1. Por isso o time de Telê entrou com a vantagem do empate, mas acabou eliminado pela Azzurra por 3 a 2, com três gols de Paolo Rossi. Luis Roberto e Paulo Cesar Vasconcellos lembraram que no lance do segundo gol brasileiro, de empate, marcado por Falcão, Cerezo foi fundamental ao fazer ultrapassagem que parecia "uma prova de 100 metros", confundindo a marcação adversária e deixando o Rei de Roma livre para bater de canhota. Cerezo voltou a falar, com saudosismo.
- E depois eu chego agora com meus 60 anos, olho pra trás, isso é o futebol, gente. A gente quer se amargurar... Eu não vou me amargurar, ficar sentido. Joguei numa baita Seleção. Os caras eram os melhores jogadores da época. A maioria, depois, todos nós viajamos, saímos. Fomos jogar. Jogamos. A gente sabia fazer o quê? Jogar futebol. E jogamos um futebol limpo, de toque de bola, dentro de uma mentalidade com o treinador que tinha que era de jogar. Não ganhou... Porque a gente quer ganhar, todo mundo quer ganhar. Mas isso é o esporte, não tem jeito.
Convidada do programa, a cantora Cláudia Leitte fez sua homenagem a Cerezo.
- Eu perguntei pra Fabinho (componente da sua banda) aqui quantas Copas Toninho ganhou. Aí ele falou pra mim, me perdoe a ignorância. Nenhuma. Mas eu sei quem é ele, que foi um grande jogador, pouco me importa se você levou uma final. Você é Toninho, grande jogador. Você é uma referência do futebol, e quem disser que é mentira o que eu tô falando é muito tapado. Sabe muito menos de futebol do que eu.
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