O zagueiro Rodrigo Caio, do São Paulo, se tornou personagem do clássico com o Corinthians por uma atitude honesta, mas bastante incomum no futebol: ele assumiu ter sido o autor de um choque involuntário no goleiro Renan Ribeiro e impediu que Jô, atacante adversário, fosse punido com cartão amarelo. Tema de debate no "Redação SporTV" desta terça-feira, a postura foi elogiada pelo escritor e jornalista Xico Sá, que acredita em uma mudança de comportamento no futebol depois do episódio envolvendo o jogador tricolor na derrota por 2 a 0 no Morumbi, pelo Campeonato Paulista.
- Acho que o Rodrigo Caio mudou o futebol do Brasil com essa atitude, que não foi uma atitude marqueteira, para aparecer. Na hora da mudança é sempre polêmico, problemático, dá uma confusão miserável, mas muda as coisas. Acho que mudou. Agora o "migué" vai ser criminalizado, o "migué" vai ser mais difícil, o teatro vai ser mais difícil - considerou.
Para o jornalista Carlos Cereto, chefe de jornalismo do SporTV em São Paulo, o caso chama atenção por ser incomum em um ambiente de muita "malandragem". Ao analisar o fato, ele também questionou a forma como os próprios companheiros de Rodrigo Caio encararam a atitude, citando a declaração do zagueiro Maicon e também a forma como o técnico Rogério Ceni se manifestou sobre o assunto.
- A entrevista do Maicon é absolutamente lamentável e me faz entender de que não pegou bem a atitude do Rodrigo Caio no vestiário. Quando o Rogério Ceni vai para a coletiva, perguntam sobre a questão e ele responde que o Rodrigo Caio é um gentleman e, em seguida, perguntam se ele faria a mesma coisa e ele não responde, dizendo que não é mais jogador, ele me faz interpretar duas coisas: ou de que ele não faria a mesma coisa ou de que não gostou do que fez o Rodrigo Caio. O Ceni não disse abertamente "olha, o que o que o Rodrigo Caio fez foi bacana, deveria ser feito por outros jogadores, deveria ser exemplo". Então, ao que tudo indica, pegou muito mal no vestiário e entre os jogadores o que fez o Rodrigo Caio. Ao que parece, ser malandro e ser mais malandro que a malandragem é regra no futebol brasileiro, na sociedade brasileira e no país em que vivemos. Quando você faz algo que vai contrário a isso e toma uma atitude verdadeira e honesta, vira exceção - avaliou.
Após também causar polêmica ao comentar o assunto, quando disse preferir ver a mãe do adversário chorando, o zagueiro Maicon voltará a falar com a imprensa sobre o tema nesta terça-feira, quando concederá entrevista coletiva.