O São Paulo define na noite desta terça-feira, a partir das 19h (de Brasília), no salão nobre do estádio do Morumbi, quem será o presidente até 31 de dezembro de 2020. Os candidatos são o atual mandatário Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, 79, e o ex-presidente José Eduardo Mesquita Pimenta, 78. O vencedor terá de implementar o novo estatuto do clube, cujo mote principal é a profissionalização da gestão.
O novo documento foi aprovado no fim do ano passado e representará mudanças estruturais importantes. A começar pela fixação de mandato único de três anos, a proibição de reeleição e a possibilidade de remuneração para o futuro mandatário.
De acordo com o texto do novo estatuto, o presidente eleito "poderá ser remunerado caso dedique-se exclusivamente ao exercício das suas funções". O valor não pode ser superior a 70% do teto do funcionalismo público federal. Isso significa ganhos de até R$ 27.505,00 mensais - o teto do funcionalismo público federal hoje é R$ 39.293,32.
Além disso, não haverá mais cargos estatutários, exercidos de forma amadora, sem remuneração, por conselheiros escolhidos pelo presidente. O novo presidente terá de compor uma diretoria executiva remunerada para essas funções. Isso inclui o departamento de futebol, jurídico e administrativo.
Também será eleito um conselho fiscal independente da diretoria, com cinco membros, e um conselho de administração, com nove integrantes, sendo que o presidente e o vice do São Paulo farão parte deste último obrigatoriamente.
A ambos os órgãos caberá fiscalizar os rumos tomados pela diretoria, sendo que o segundo participará de decisões tomadas.
Também haverá mudanças no conselho. O órgão aumentará e passará a ter 260 membros, e a eleição passará a ser a cada três anos e não mais a cada seis.
Todas as mudanças adequam o estatuto do São Paulo ao que exige o Profut, o programa de refinanciamento de dívidas fiscais.
Como é a eleição?
O novo mandatário será escolhido pelos conselheiros. Atulamente, são 240 representantes do órgão, mas é comum nem todos comparecerem ao pleito. Embora o voto seja individual, os conselheiros costumam manter-se fiéis aos grupos que pertencem.
No total, são 13 grupos: Clube da Fé, Participação, Legião, Vanguarda, Sempre Tricolor, Nova Força, Pró São Paulo, Força São Paulo, Movimento São Paulo, Tradição, Legenda, São Paulinos e São Paulo Social. Sendo que seis são apontados como os mais fortes e influentes no pleito: Participação, Legião, Vanguarda, Tradição, Legenda e Força São Paulo, justamente os que podem ajudar a definir o pleito.
A eleição também definirá outros três cargos na diretoria tricolor. O novo presidente do conselho deliberativo, numa disputa que envolve o atual dono do cargo, Marcelo Pupo, e José Roberto Opice Blum, presidente da comissão de ética.
Também vão ser escolhidos os membros do conselho de administração e do conselho fiscal, que, como mencionado acima, será um órgão independente.
Quem são os candidatos?
Os candidatos à presidência tricolor são contemporâneos, advogados e têm praticamente o mesmo tempo de vivência política dentro do clube do Morumbi.
Leco assumiu a presidência em outubro de 2015 para um mandato-tampão após Carlos Miguel Aidar renunciar. Mas a história dele começou antes. Sócio desde 1966, virou conselheiro pela primeira vez em 1986. Foi diretor de futebol e diretor jurídico do clube nos anos 1980, quando iniciou sua aliança com Juvenal Juvêncio.
Em 2000, lançou-se candidato à presidência, mas perdeu a eleição para Paulo Amaral. Voltou à diretoria em 2002, quando o presidente Marcelo Portugal Gouveia (aliado de Juvenal) o nomeou diretor futebol. De 2006 a 2014, já na era Juvenal, Leco virou diretor de orçamento e controle. Foi vice de futebol entre 2008 e 2011 e vice-presidente geral de 2011 a 2014. Até outubro de 2015, estava no comando do conselho deliberativo.
Pimenta tornou-se sócio do São Paulo em 1952 e passou a ser conselheiro do clube tricolor 1966. Chegou até a ser vice-presidente do órgão. Também foi secretário geral da diretoria de 1984 a 1988, como aliado de Aidar. Virou oposição e substituiu Juvenal Juvêncio na presidência, sendo o mandatário do período mais vitorioso do clube, entre 1990 e 1994. Foi quando vieram os bicampeonatos do Mundial Interclubes, da Copa Libertadores da Recopa Sul-Americana e do Paulista, além de um Campeonato Brasileiro.
Ao final do mandato, Pimenta enfrentou um processo que culminou em sua expulsão do conselho. O motivo foi uma gravação em fita cassete de um suposto diálogo em que Pimenta combinava o recebimento de comissões com o empresário Francisco Monteiro, o Todé. Em 1996, ele apresentou o laudo técnico de um laboratório da Unicamp que apontava manipulação do conteúdo original e assim foi readmitido no clube. Mas não participou mais da vida política até decidir concorrer na eleição atual.