Marcelo Pupo é auditor fiscal, tem 47 anos e atua como presidente do Conselho Deliberativo desde outubro de 2015, quando Leco deixou o cargo para assumir a presidência do Tricolor.
SPFC.Net: Qual a sua principal missão caso seja eleito presidente do CD?
MARCELO PUPO: Vou buscar a pacificação do São Paulo. Entendo que, passadas as eleições, precisamos unir todos os grupos políticos do clube em torno do objetivo principal, que é o engrandecimento do São Paulo. E isso se inicia com o fim dessa rivalidade que existe nos bastidores. O presidente do conselho é a pessoa adequada para desempenhar esse papel de mediador, tendo certeza, pelo trânsito e relacionamento que possuo dentro dos vários grupos políticos, que desempenharei essa função com sucesso. Já desempenhei esse papel quando conseguimos unir os conselheiros em várias situações, como na aprovação unânime do novo estatuto do São Paulo.
Como avalia seu desempenho à frente do CD nos últimos 18 meses?
Enfrentamos desafios enormes e os superamos com muito trabalho e dedicação. De cara, tivemos que administrar situações disciplinares dificílimas e o fizemos com muita coragem e respeito à imagem do São Paulo. Na sequência, nos propusemos a fazer o projeto do novo Estatuto Social, que hoje é considerado referência dentre os clubes de futebol. Implementamos uma maior transparência no conselho e maior participação dos Conselheiros.
Como pretende atuar em relação ao novo estatuto?
Criaremos uma importante Comissão do Conselho que acompanhará, avaliará e reportará ao Conselho Deliberativo a implementação do novo estatuto pelos vários poderes do São Paulo. Creio que viveremos um momento de transição com esse novo estatuto e esse acompanhamento será de fundamental importância.
O que o senhor pode falar a respeito da transparência cobrada por torcedores do São Paulo na gestão do clube?
Continuaremos fazendo do conselho um órgão transparente e soberano, que apoiará os demais poderes, mas nunca perderá a sua independência e autoridade. Exemplo disso é que a nossa gestão talvez tenha sido a que mais contratos submeteu à apreciação e votação do conselho, que teve toda a liberdade para debater, aprovar e até reprovar, o que demonstra a plena independência do Conselho Deliberativo nessa nossa gestão, que continuará existindo no próximo mandato.
Uma das cobranças dos conselheiros é em relação à participação Uma das cobranças dos conselheiros é em relação à participação nas atividades do clube. Como vê essa questão?
Daremos continuidade e ampliaremos a participação dos conselheiros nas atividades do conselho. Hoje temos mais de 50 conselheiros colaborando com as mais diversas atividades, grupos de trabalho e comissões do conselho. E o mais importante: pessoas que pertencem às mais variadas alas políticas do São Paulo, sem qualquer distinção.
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José Roberto Ópice Blum é advogado, já atuou como desembargador, tem 76 anos e chegou a ser cotado para concorrer à presidência do Tricolor pela oposição
SPFC.Net: Qual a sua principal missão caso seja eleito presidente do CD?
ÓPICE BLUM: Quero modernizar os procedimentos dentro do Conselho Deliberativo. Em plena era da eletrônica, com o direito todo sendo realizado de forma digital, é preciso levar tais ferramentas para dentro do nosso conselho. Tudo tem que funcionar de forma digitalizada. Também tenho várias outras ideias, mas as guardarei para um momento apropriado.
O senhor chegou a ser cotado para concorrer à presidência do clube. Por que isso não ocorreu?
Eu nunca quis me lançar candidato à presidência, embora muitos do meu grupo defendessem essa ideia. Então, disse que aceitaria se existisse uma lista com mais de cem assinaturas de conselheiros. Antes de essa lista ser completada, o (José Eduardo Mesquita) Pimenta lançou sua candidatura e eu a apoiei na mesma hora.
Como enxerga o momento financeiro e político do São Paulo?
O momento financeiro é muito ruim e está retratado no último balanço. O São Paulo deve mais de R$ 200 milhões e só uma administração severa, que corte os gastos na carne, colocará o clube em boa situação. É preciso arrumar dinheiro para pagar os bancos e depois para pagar as dívidas que foram alongadas. Tudo isso sem ferir o futebol, que é o carro-chefe do São Paulo.
O São Paulo soltou nota oficial para dizer que o senhor mentiu e feriu a honra do clube ao afirmar que o clube está em condição pré-falimentar. O que tem a dizer?
Grave é não falar a verdade, mas enganar as pessoas, ou não ser transparente e não dizer exatamente aquilo que deve ser dito. Sem contar que a matemática é uma ciência exata. Por pior que sejam os números sobre a dívida do São Paulo, o que me dói muito, eles precisam ser colocados para que todos nós tenhamos a responsabilidade e o cuidado de resolver essa questão.
Mas o senhor entende que o São Paulo não tem sido transparente com os torcedores?
Nós não podemos ludibriar ou enganar nossos torcedores. Eu como profissional do direito e ex-magistrado aprendi que não se julga nada e ninguém com dúvidas, e sim com fatos. Este fato da dívida é verdadeiro. Temos que pagar essa conta e o torcedor tem o direito de saber como se chegou a essa dívida. O fato é que ela cresceu e ainda foi alongada, o que prejudica ainda mais o futuro do nosso clube.