Por Marcos Teixeira
Com o time todo remendado e escaldado por tomar gol em quase todos os jogos da temporada, Rogério Ceni surpreendeu ao escalar o onze tricolor com três zagueiros. Porém, se por um lado a defesa esteve muito bem protegida, por outro, o ataque praticamente não existiu na primeira etapa, graças ao excesso de erros de passe e à falta de um pé mais qualificado para romper as linhas de marcação. E quando existiu, o árbitro – e só ele – não viu o pênalti claro a favor dos são-paulinos.
O segundo tempo teve ingredientes perfeitos para o São Paulo: o desespero dos donos da casa e a sorte, combinados com a leitura correta do jogo por parte do treinador tricolor. Conforme o tempo passava, Rogério ia desfazendo o sistema de jogo e, quando abriu o placar, já aos 40 minutos da etapa complementar, estava com Gilberto no comando de ataque, Neilton (em jornada razoável) na ponta, no lugar que era de Wesley no início do cotejo, e Cícero armando o time, coisa que não havia no primeiro tempo: um pé que pensasse o jogo.
Dificilmente Rogério irá repetir o 3-4-3 em outros jogos, ao menos não de início, pois o São Paulo perdeu completamente sua força ofensiva. Talvez se o meia que estiver em campo, seja Cueva ou o recém-contratado Thomaz Santos, melhorar a qualidade no passe para explorar a ofensividade dos laterais, sobretudo Junior Tavares, pode ser uma boa opção, mas é difícil que o treinador abandone suas convicções, como a linha de quatro defensores e o meio povoado de volantes.
Denis: trabalhou bem e contou com a trave para terminar o jogo sem tomar gol. Nota 7
Lucão: Exceto pelo fato de por pouco não ter marcado um gol contra, atuou sem maiores sobressaltos. Nota 6 (Cícero: entrou para dar qualidade na transição para o ataque e conseguiu, mas quase fez um gol contra no final. Nota 6,5)
Lugano: comandou a linha de defensores e ainda fez desarmes providenciais. Nota 6,5
Douglas: foi o escolhido para sair no intervalo quando Ceni desfez o trio de zagueiros. Correto. Nota 5,5
Araruna: mais uma vez não comprometeu, embora tenha sido batido em alguns lances. Por ter que marcar jogadores mais velozes quando joga na lateral, requer cobertura constante. Nota 5,5
Wellington: jogou para marcar e marcou. E errou muitos passes. Nota 4,5 (Neilton: finalmente fez uma partida aceitável. Alternou finalizações ridículas e lances perigosos. Nota 6)
João Schmidt: mais uma partida abaixo do que já rendeu, embora tenha melhorado na segunda etapa. Nota 5,5
Junior Tavares: protegido pelo sistema de três zagueiros, teria apoiado melhor se houvesse quem lhe passasse a bola com mais capricho. Nota 5,5
Shaylon: perdido no primeiro tempo, melhorou no segundo como quase todo o time tricolor. Nota 6
Chavez: pegou pouco na bola. Nota 5 (Gilberto: fez o gol da vitória. Nota 7)
Wesley: depois de mais de dois meses fora, jogou fora de posição e ainda permitiu que Rogério acertasse o time movendo-o para o meio quando Neilton entrou. Nota 6
Rogério: surpreendeu escalando três zagueiros, mas enfraqueceu o meio e não largaria nem sob tortura o sistema com três atacantes. Ajeitou a casa no segundo tempo, acertando as três substituições que fez. Nota 6
COMENTE: Bola Cheia e Bola Murcha - São Bernardo 0 x 1 São Paulo
Fonte SPFC.Net
30 de Março de 2017
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