Dívida do São Paulo vai acirrar discussão no Conselho Deliberativo

Situação e oposição divergem de valores, mas diretor financeiro pede um debate técnico e não político na reunião

Fonte Estadão
Os conselheiros do São Paulo vão se reunir na quinta-feira para analisar o balanço financeiro do ano passado. E o encontro já será uma prévia da disputa eleitoral do próximo mês, pois a situação vai sustentar que a dívida do clube diminuiu, enquanto a oposição garante que houve aumento no endividamento são-paulino.
A questão dos números é importante porque o futuro presidente, que pode ser o atual mandatário, Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco, ou José Eduardo Mesquita Pimenta, candidato da oposição, terá de lidar com um quadro de dificuldade, ainda mais porque o clube está sem patrocínio master na camisa.

Adílson Alves Martins, diretor financeiro do São Paulo, explica que nos dois últimos anos houve um prejuízo de R$ 170 milhões e que o clube conseguiu reverter esse quadro, apesar de a dívida total ser de R$ 493,9 milhões. “O balanço contábil mostra a realidade de uma empresa. Existem algumas explicações e elas só poderão acontecer após aprovação do balanço financeiro pelo conselho”, diz.
Ele lembra que, quando se analisa apenas o aspecto da dívida total, não se olha para o que gerou o passivo. Um exemplo seria em venda de jogadores. No ano passado, o São Paulo negociou o meia Ganso e ainda vai receber ¤ 2,5 milhões (R$ 8,5 milhões) em junho e o mesmo valor em janeiro de 2018. Metade do valor é da DIS e já está lançado no passivo. “Só posso pagar o empresário quando receber. Então, não se pode incluir esse valor na dívida”, argumenta.
Isso se aplica também, por exemplo, para antecipação de cotas de televisão. O clube ganhou R$ 60 milhões de luva da Globo para o período de 2019 a 2024. “Ela entra aqui como dívida em adiantamento de contratos. Mas é bônus”, afirma. Quanto ao Profut, o valor saltou de R$ 77 milhões para R$ 89 milhões. “Nós parcelamos em 240 vezes. Então, o valor que pagamos de prestação é menor”, conta.
Para Adilson, o São Paulo conseguiu mudar o perfil da dívida, diminuindo o curto prazo e aumentando o longo, pois assim o risco de não honrar os compromissos fica menor. “Quando assumi a gestão, em novembro de 2015, o clube vinha de dois anos com déficit orçamentário, o que é muito ruim. Conseguimos nesse ano ter um superávit de R$ 900 mil, sendo que antes era R$ 72 milhões negativos.”
O diretor financeiro vai apresentar o documento aos conselheiros do clube na quinta-feira e lembra que não adianta apenas olhar para o passivo sem levar em consideração o que o gerou. “No balanço, são várias contas interligadas. Só espero que a reunião seja técnica e não política”, pediu.
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