Um dos grandes destaques do São Paulo neste início de ano é o atacante Luiz Araújo, autor de cinco gols (além de cinco assistências) em nove jogos até agora na temporada. Ele foi promovido das categorias de base já no ano passado e se consolidou como titular e peça-chave da equipe tricolor em 2017, com a chegada do novo técnico Rogério Ceni.
Mas apesar de ser tratado como uma revelação "made in Cotia", o camisa 31 na verdade foi trazido cedo de um clube do interior paulista, após batalha nos bastidores contra o Cruzeiro.
Quem conta é Otaviano Vieira Lima, mais conhecido como Carlão, que foi o primeiro técnico de Luiz Araújo no time sub-20 do Mirassol, equipe em que o atacante deu seus primeiros chutes na bola.
"O Luiz foi apresentado a nós por empresários, entre eles o Edmílson, zagueiro do Penta. De cara vimos que tinha qualidade e começamos a trabalhar, em 2012. Ele se destacava tanto que, mesmo com 17 anos e muito magrinho, já foi colocado para atuar na nossa equipe sub-20", contou o treinador, em entrevista ao ESPN.com.br.

A primeira súmula em que o nome de Luiz Araújo (número 17) aparece pelo Mirassol
Segundo Carlão, que atualmente comanda o sub-17 da equipe verde e amarela, a principal característica de Luiz Araújo foi sempre ser destemido em campo.
"Teve uma partida das quartas do Paulista sub-20 que o Santos estava ganhando de 1 a 0 e eu o chamei para entrar. Ele encarava sempre com naturalidade e não tinha medo de jogar. Falei pra ele: 'Vou te colocar', achando que ele iria morrer de medo, e ele respondeu: 'Pode deixar, professor, vou entrar e fazer um gol'. E ele entrou e fez, acredita? Infelizmente perdemos de 2 a 1, mas foi uma granda atuação do Luiz", recorda.
Os dribles rápidos, cruzamentos precisos e chutes fortes logo chamaram a atenção do São Paulo, que o levou após disputa com o Cruzeiro nos bastidores, em 2013.
"No Paulista sub-20 de 2012 ele começou a se destacar, mas na Copa São Paulo de 2013 ele impressionou a todos, porque fazia coisas que nem os jogadores mais velhos faziam. Chamou a atenção de muitos olheiros, demonstrou muita personalidade e não se intimidou", lembra.
"O Cruzeiro já o olhava com atenção e queria o Luiz de todo jeito, vieram fortes para levar, mas o Mirassol já tinha uma parceria boa com o São Paulo e eles quiseram levar para aprimorá-lo em Cotia. Ele foi, agradou e ficou. É um jogador que desde que eu vi pela primeira vez, só pela qualidade do passe, sabia que ia vencer na carreira", ressaltou.

Luiz Araújo nos tempos de Mirassol
Antes de ir para o Morumbi, o atleta só fez uma partida pelo profissional do Mirassol, e foi justamente contra o São Paulo. Foi em 19 de janeiro de 2013, uma vitória por 2 a 0 da equipe tricolor sobre o clube do interior paulista, pela primeira rodada do Estadual.
"O (técnico) Ivan Baitello o puxou para o profissional após ele destruir na Copinha e nesse jogo ele começou no banco e entrou no segundo tempo", rememora Carlão.

Luiz Araújo hoje é peça-chave no esquema de Rogério Ceni no São Paulo
Araújo foi para a base do São Paulo em 2013 e rapidamente se transformou em um dos grandes destaques de Cotia. Conquistou a Copa do Brasil sub-17 em 2003 e a Copa do Brasil sub-20 e a Copa RS sub-20 em 2015. Seu melhor ano, porém, foi 2016, quando ele faturou a Copa Libertadores sub-20, terminando como artilheiro da competição, com cinco gols.
Depois, foi emprestado ao Novorizontino-SP para ganhar experiência no Estadual. Na volta, foi promovido aos profissionais durante o Brasileirão, fazendo sua estreia justamente contra o Cruzeiro que havia tentado lhe contratar anteriormente. O primeiro gol veio no final de novembro, no atropelo por 4 a 0 sobre o Corinthians, no Morumbi.
Neste ano, sua melhor atuação foi no clássico contra o Santos, quando fez dois gols e comandou a vitória por 3 a 1 dos tricolores em plena Vila Belmiro, pelo Paulistão.
No Mirassol, ele era apenas Luizinho

Luiz dá entrevista durante os tempos de Mirassol
Hoje chamado de Luiz Araújo e dono da camisa 31 do São Paulo, o canhoto era conhecido apenas como Luizinho quando começou no Mirassol, principalmente por ser muito magro.
"A gente o chamava de Luizinho porque ele era muito franzino. Todos achavam que ele era fraco, mas a velocidade dele impressionava no meio dos mais velhos. Esses dribles que ele dá hoje o menino já dava desde aquela época", relata Carlão, orgulhoso do pupilo.
"Todo mundo olhava ele em campo na Copa São Paulo e achava que ele não ia ganhar corpo, que não ia dar certo. Mas quando o menino pegou na bola, todo mundo mudou e passou a olhar de forma diferente (risos)", brinca o técnico.
A relação entre o comandante e o comandado era excelente.
"Eu costumava brincar com ele e falar: 'Como você vai jogar no meio dos grandões, Luizinho (risos)?'. Mas ele não tinha medo, era muito 'liso' e passava fácil por eles", completa o treinador, que enche o antigo pupilo de elogios também pela personalidade fora do campo.
"Ele sempre foi muito sério, se dedicava e treinava muito. Era um menino muito sorridente, que nunca nos deu trabalho. Pelo contrário, trouxe só coisa boa", exalta.
Para ajudar o garoto na adaptação, aliás, o Mirassol inclusive arrumou emprego para os pais de Luiz Araújo, que se mudaram de Taquaritinga, cidade também do interior paulista onde o atacante nasceu, para ficarem perto e apoiarem o filho ainda adolescente.
"A mãe dele trabalhava no mercado do diretor do clube e o pai trabalhava também em Mirassol, depois que o pessoal do clube os ajudou a conseguir emprego. Foi bom, porque veio todo mundo para ficar do lado dele nessa fase importante", comenta Carlão.
"Depois que ele foi para São Paulo, os mais dele se mudaram também e hoje moram junto com ele. Fico feliz em ver o sucesso que ele estava fazendo e torço para que tudo dê sempre certo para ele. Pra gente aqui, ele será para sempre o nosso Luizinho", finaliza.

Luiz Araújo comemora gol pelo São Paulo