Há ressalvas: o início de temporada e o consequente nível físico prejudicam essa intensidade que tanto se espera, e o parâmetro de comparação é alto. Escrevo pensando em Modric, Busquets, Schweinsteiger, e por aí vai. Evidentemente, não espera-se que João Schmidt, Thiago Mendes e Cícero apresentem futebol desse nível, mas quem deseja excelência tem de se espelhar no que há de melhor. E o trio pode mais do que fez no Maranhão.
Eles precisam estar o tempo todo perto da bola, ligar os setores, mas não fizeram isso. Deixaram laterais e atacantes abertos isolados demais, sem possibilidades de triangulações, aqueles movimentos tão bonitos que se vê nos times mais atualizados.
Reparem no vídeo abaixo. Além da falta de uma atitude mais determinada em pedir, receber e fazer a bola girar, aquela postura de quem comanda as ações, também faltou essa consciência a Maicon e Júnior Tavares. Eles forçaram o jogo em Neilton (pela direita) e Cueva (esquerda) quando tinham possibilidade do passe para Schmidt, Mendes ou Cícero.
Em 47 segundos, só Thiago Mendes dá um toque na bola. É pouco, conceitualmente.
Houve, por outro lado, um grande acerto: o posicionamento centralizado de Cueva, atrás de Neilton (direita) e Gilberto (esquerda). O peruano foi, disparado, o melhor do jogo. Com mais liberdade, como um falso 9, saiu do meio para os lados e abriu espaços que, novamente, foram pouquíssimo aproveitados pelos homens de meio-campo, sempre muito longe.

Em arrancada de Júnior Tavares, Cueva está centralizado, com Gilberto e Neilton abertos (Foto: Reprodução)
A exceção foi essa infiltração de Cícero, que recebeu do peruano e quase marcou:
Os conceitos dos quais tanto se falou durante a pré-temporada foram vistos em fragmentos da partida. A marcação no campo de ataque fez o Moto Club, fraco tecnicamente, errar demais na saída. No vídeo abaixo, mais da metade dos jogadores de linha do São Paulo povoam a metade ofensiva do campo. O erro de passe do rival é óbvio, e quase acaba em gol de Gilberto.
Importantíssimo Rogério Ceni ter usado jogadores diferentes da derrota para o Audax, no último domingo. Não pelo resultado, mas porque é fundamental inserir todo o grupo nessa construção de ideia de jogo. O técnico não pode ficar refém de um time, ainda mais num elenco limitado e jovem. Sem falar no fator físico. O "rodízio" eternizado por Osorio será necessário.