Tapetão, taça perdida no fim e despedida: a história de Rogério Ceni na Copa do Brasil

Fonte ESPN
FOTO: SERGIO BARZAGHI/GAZETA PRESS
Agora como técnico, Rogério Ceni vai reencontrar nesta quinta-feira justamente o único grande torneio que não conquistou pelo São Paulo e que já escapou de suas mãos de forma dramática. Diante do Moto Club, em São Luís, no Maranhão, às 21h30 (de Brasília), o ex-goleiro comandará o time tricolor na estreia da Copa do Brasil.
E a partida pode dificultar o início de trabalho do treinador no São Paulo. Isso porque nesta fase os jogos são em duelo único. Quem perder está eliminado - embora o empate dê a vaga para o time visitante, uma vantagem importante em um jogo eliminatório.
Em 25 anos de São Paulo, Rogério Ceni disputou 11 edições da Copa do Brasil. E viveu um pouco de tudo. Viu a equipe do Morumbi ser eliminada no tapetão, chegou perto de ser campeão em 2000 (quando perdeu a taça nos minutos finais), sofreu com zebra, falhou e caiu diante de dois grandes rivais na semifinal.
A estreia ocorreu em 1995 e deste ano em diante só não jogou as edições de 1996, quando foi banco, e 2012, quando estava machucado. De 2004 a 2010, o São Paulo não participou, assim como em 2013. Veja abaixo o retrospecto de Ceni:

1995: Estreia com o Expressinho
Ceni debutou na Copa do Brasil em 1995. Na época, com 25 anos, foi o titular do time no confronto com o Sergipe, em Aracaju. Mas ele ainda não era o camisa 1 do São Paulo. Ocorre que nesta partida o técnico Muricy Ramalho decidiu utilizar o Expressinho, termo que acabou batizando a equipe reserva e que tinha muitos pratas da casa.
No ano anterior, o mesmo grupo já havia vencido a Copa Conmebol. Para a estreia na Copa do Brasil ainda foi reforçado com o volante Alemão e o meia Aílton, estes do time principal.
Mas o início de Ceni na Copa do Brasil não terminou com final feliz. Eliminou o Sergipe, o Náutico e o Remo, mas caiu nas quartas de final para o Grêmio. O goleiro participou apenas de quatro jogos. Além da estreia (1 a 1), esteve no jogo de volta contra o Sergipe (3 a 0), na goleada contra o Náutico (4 a 1) e no primeiro jogo diante do Remo (3 a 0).
1996: Tapetão
Em 1996, Ceni ficou no banco de reservas e não participou de nenhum dos jogos do time. E ainda viu a equipe pela primeira vez ser eliminada no tapetão pelo "Caso Lima".
Após eliminar o América-MG na primeira fase, o São Paulo enfrentou o Internacional e empatou o primeiro jogo por 1 a 1, em Porto Alegre. Mas não houve segundo jogo porque o time tricolor escalou o volante Lima, que já havia defendido o Nacional-AM na competição, e foi eliminado pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva).
O São Paulo defendeu-se no tribunal alegando que não tinha conhecimento de que Lima defendera antes o Nacional-AM. Também argumentou que o volante jogou sem ter contrato com a equipe manaura e por fim alegou que a CBF não vetou a inscrição de Lima, apesar de saber que ele já tinha entrado em campo anteriormente.
O Internacional, que fez a denúncia, foi beneficiado e acabou classificado sem ter de disputar a partida de volta das oitavas de final, no Morumbi.
1997: Vítima de Bebeto
Em 1997, ano em que assumiu de vez a meta do São Paulo e que marcou o primeiro gol de falta, Rogério Ceni sofreu por culpa do tetracampeão mundial: o atacante Bebeto.
Nas oitavas de final, o clube do Morumbi levou a pior contra o Vitória. Perdeu a partida de ida por 2 a 1, com dois gols de Chiquinho (o segundo em uma jogada incrível de Bebeto) e empatou o jogo de volta por 2 a 2, com dois de Agnaldo e novamente bela jogada de Bebeto.
Naquele edição, Ceni fez quatro jogos, com duas vitórias (ambas contra o Vila Nova-GO), um empate e uma derrota. Foi eliminado nas oitavas.
1998: Adeus de Denílson
A campanha do São Paulo em 1998 chegou a empolgar os torcedores. O time chegou até as quartas de final eliminando pelo caminho Sampaio Corrêa e Grêmio (atual campeão). E fez dois grandes duelos com Vasco, que tinha quase uma seleção, pela vaga na semifinal.
Os cariocas tinham Carlos Germano, Felipe, Juninho Pernambucano, Luizão, entre outros. Era uma constelação, que acabou ganhando a Libertadores naquele ano.
Do lado do São Paulo, o jogo marcou a despedida de Denílson. O meia-atacante já estava vendido ao Betis, da Espanha, e após ao jogo se apresentou a seleção brasileira para a disputa da Copa do Mundo da França. Em seguida, foi para o futebol espanhol.
1999: Volta de Raí
Raí ficou afastado por praticamente nove meses por causa de uma lesão no joelho esquerdo. Voltou ao time justamente no confronto contra o São Paulo pela decisão da vaga nas quartas e não deu sorte para o time do Morumbi.
Após empate por 1 a 1 em São Paulo, a equipe paulistana foi derrotada por 3 a 1, no Rio de Janeiro, e foi eliminada. Ceni, que esteve presente nos outros jogos da campanha, não jogou neste duelo porque foi poupado por Paulo César Carpegiani.
2000: Taça escapou no fim
Foi o mais próximo que o São Paulo e Rogério Ceni chegaram do título da Copa do Brasil e a taça escapou justamente no último minuto da final contra o Cruzeiro.
Após empate sem gols no Morumbi, os times empatavam por 1 a 1, em Belo Horizonte, resultado que era suficiente para os são-paulinos. Mas tudo mudou aos 45 da etapa final.
Falta na entrada da área, Ceni orientou a barreira. Geovanni preparava-se para a cobrança, quando escutou de Muller um conselho: cobra rasteiro. Ele seguiu e surpreendeu o time tricolor. A barreira pulou, o goleiro não teve tempo de se recuperar e o Cruzeiro virou para 2 a 1, faturando o título daquele ano.
2001: Lei do ex
O torcedor são-paulino chegou a ver goleadas como 10 a 0 sobre o Botafogo-PB e 4 a 2 no Ceará e até um triunfo por 3 a 0 contra o Vitória, chegando a sonhar com a taça. Mas jamais imaginaria que o sonho terminaria nos pés de um ex-atleta.
Marcelinho Paraíba foi o carrasco naquele ano. Ele fez três gols na vitória do Grêmio por 4 a 3, em pleno Morumbi, e eliminou o ex-clube nas quartas de final.
2002: Clássico na semifinal
Talvez aquela edição esteja entre as mais memoráveis para Rogério Ceni. Isso porque no mesmo semestre o time teve duas decisões contra o arquirrival Corinthians e perdeu ambas. Uma foi pelo título do Torneio Rio-São Paulo e a outra pela semifinal da Copa do Brasil.
O São Paulo era treinado por Nelsinho Baptista e tinha Kaká, Julio Baptista e Reinaldo, enquanto o Corinthians, de Carlos Alberto Parreira, tinha Ricardinho, Deivid e Gil.
O primeiro jogo foi 2 a 0 para o Corinthians. O segundo terminou com vitória tricolor por 2 a 1, mas insuficiente para colocar o time na final contra o Brasiliense.
Na campanha, eliminou Treze, Flamengo-PI, Figueirense e Vasco. Alguns dias depois Rogério Ceni viajou para a Coreia do Sul para defender a seleção na Copa do Mundo, que naquele ano foi organizada também pelo Japão (palco da final).
2003: 'Time pequeno'
Após ter aplicado goleadas de 6 a 0 no São Raimundo e 5 a 1 no Gama, além de ter eliminado o Figueirense, o São Paulo enfrentou o Goiás nas quartas de final e não deu ao rival o devido valor. Acabou eliminado por ter menosprezado a partida.
Quem disse isso foi o chileno Roberto Rojas, que era técnico interino do São Paulo (substituindo Oswaldo de Oliveira). A declaração foi dada ao falar do empate sem gols, em Goiânia, e o empate por 1 a 1, no Morumbi, que favoreceu os visitantes.
Ceni, que até então não tinha títulos nacionais pelo São Paulo, concordou. "Quando o São Paulo enfrenta o Goiás, a tendência é que sempre ganhe", disse na época.
2011: 'Enfiava a cabeça em um buraco'
Nas quartas de final, o São Paulo precisava de um empate na Ressacada para chegar à semifinal. Podia até perder por um gol, que se classificaria. Para ajudar abriu o placar com um gol do volante Casemiro, mas sofreu a virada e caiu de forma vexatória.
O Avaí marcou aos 16 e aos 30 do primeiro tempo e depois no início do intervalo. Os são-paulinos deixaram o jogo de cabeça baixa, e Ceni disparou críticas.
"Não jogamos nada. É vergonhoso. Não porque é o Avaí, a gente respeita eles. Mas nós fomos fracos, não fomos merecedores, não mostramos ser um time de decisão, não mostramos a mínima maturidade. O São Paulo não mostrou hoje ser um time que está pronto para decidir grandes competições. Depois de fazer 1 a 0 não me conformo de ser eliminado. É difícil engolir uma derrota como essa. Por mim, enfiava a cabeça em um buraco".
2012: Machucado
Se não jogou em 1996 porque estava no banco, em 2012 estava no departamento médico. Isso porque operou o ombro direito para corrigir uma instabilidade em janeiro e ficou pouco mais de seis meses afastado dos gramados.
Voltou a jogar somente em 29 de julho na vitória contra o Flamengo (4 a 1). Assim, não viu o time chegar até a semifinal da competição e cair para o Coritiba, que perderia a taça para o Palmeiras de Valdivia e Luiz Felipe Scolari.
2014: Falhas e zebra
Zebra é pouco para descrever a eliminação são-paulina para o Bragantino na terceira fase.
Isso porque o time do interior paulista era o lanterna da Série B do Brasileiro, havia sido derrotado no primeiro jogo por 2 a 1 (em Ribeirão Preto) e foi jogar no Morumbi já desacreditado.
Para piorar, o Bragantino sofreu um gol logo aos 6 minutos. Mas contrariando até o mais otimista torcedor do clube alvinegro, o São Paulo foi derrotado de virada por 3 a 1.
Aquela eliminação teve um gosto pior para Ceni. Isso porque o arqueiro falhou nos três gols da equipe rival, saindo errado do gol e perdendo o tempo de bola. Foi duramente criticado e deixou muitos com a sensação de que a aposentadoria estava próxima.
2015: O último jogo da carreira
Ceni iria se aposentar em 2013, resolveu adiar para 2014 e, depois, para 2015. O desejo dele era concluir a carreira com um título e chegou a sonhar com a taça da Copa do Brasil.
A campanha teve altos e baixos. Estreou com derrota para o Ceará (1 a 2), mas se classificou e eliminou na sequência o Vasco nas quartas de final. Na semifinal encontrou o Santos e fez dois confrontos bem marcantes.
O primeiro foi no Morumbi terminou 3 a 1 para os visitantes, em um dia que caiu um verdadeiro temporal e teve apagão na energia (foram 22 minutos sem jogo). O segundo teve o mesmo placar, mas o Santos chegou a fazer 3 a 0 no primeiro tempo.
Aquele foi também o último jogo oficial de Ceni pelo São Paulo. Isso porque ele se machucou ao chutar a bola e atingir o chão em um lance logo no início da partida. Ele foi substituído no intervalo da partida por Denis e depois só voltaria a campo em sua despedida no Morumbi, em evento que contou com jogadores campeões mundiais pelo clube.
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