Dizer que o goleiro Denis foi mero espectador no primeiro tempo do jogo entre São Paulo e Atlético-PR, na fria noite de sábado, no estádio do Morumbi, não seria exagero. O Tricolor saiu na frente na etapa inicial, fez por merecer uma vantagem maior, mas esbarrou na falta de efetividade no setor ofensivo. Abusou das chances perdidas, principalmente após o intervalo, e foi castigado com a virada por 2 a 1, diante de 12.389 torcedores.
Sem Calleri, que acabou fora da partida por problemas pessoais, o técnico Edgardo Bauza apostou mais uma vez em Alan Kardec. O jejum de 14 jogos sem marcar do atacante voltou a pesar. Ele perdeu chance impressionante, em rebote de um chute de Kelvin, e virou o culpado após o segundo gol atleticano. Foi vaiado e amargou em tempo integral mais uma atuação ruim.
Forte no meio-campo, o São Paulo terminou o primeiro tempo com 72% da posse de bola. As jogadas de Kelvin na ponta direita e a boa movimentação de Ytalo – que se aproximava de Kardec quando o Tricolor tinha a bola – deixaram a equipe à vontade em campo. Compacto, o time de Bauza ocupava espaços e acuava o adversário no campo de defesa.
O gol, que realmente parecia questão de tempo, veio aos 40 minutos. Se Kardec não vê uma luz no fim do túnel, Maicon parece viver em eterna lua de mel com os tricolores. Após cobrar falta no travessão com apenas dois minutos de jogo, ele aproveitou cruzamento preciso de Kelvin para, de cabeça, colocar o São Paulo na frente. Gol de um, assistência de outro: um prêmio para os dois melhores em campo na etapa inicial.
Sem nenhuma chance real de gol na primeira metade, o Atlético-PR parecia sem perspectiva para também para o segundo tempo. Kelvin continuava dando trabalho para Sidcley. Ytalo, em chute de fora da área, conseguiu fazer o improvável: acertar as duas traves sem que a bola cruzasse a linha do gol. Tão improvável quanto o erro de Kardec no rebote, a poucos metros de Weverton, que estava caído. O cenário de "quem não faz, toma" tinha todos os elementos necessários.
As alterações de Paulo Autuori, que sacou Ewandro para a entrada de Nikão no intervalo e colocou Walter na vaga de Marcos Guilherme aos 10 minutos, fizeram toda diferença. O atacante foi responsável por construir a jogada que terminou no gol de empate, marcado por Otávio – atleta que mais acertou passes pelo Atlético (28). O meia cobrou o escanteio desviado que terminou em gol de Hernani (terceiro a entrar, na vaga de André Lima).

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São Paulo com suas últimas alternativas: Kardec foi mal, e ataque teve dificuldades contra o Atlético-PR
No Tricolor, Ytalo não aguentou os 90 minutos, Kelvin pediu para sair, e Bauza teve de se virar com o que tinha à disposição. Mandou Centurión para a direita, Lucas Fernandes para o meio e Luiz Araújo na esquerda. Os chutes de fora da área viraram a principal arma, mas pouco adiantaram.
Outro ponto a ser destacado: a fragilidade nas laterais. Mesmo diante de um adversário pouco criativo na maior parte do jogo, o São Paulo se viu ameaçado dos dois lados – principalmente na esquerda, com Matheus Reis, com quem Bauza passou um bom tempo gritando.

Espaço dado por Matheus Reis no primeiro gol exibe desequilíbrio na lateral (Foto: Reprodução/SporTV)
O resultado não condiz com o desempenho são-paulino no Morumbi. O Tricolor criou para vencer – e vencer bem. Mas não finalizou à altura do próprio trabalho. Com Calleri como referência no ataque, a história poderia ser diferente. E, independentemente da escalação, precisará ser na próxima quarta-feira, contra o Vitória, novamente no Morumbi, às 19h30 (horário de Brasília).