Como um carpinteiro, com ajuda de Lugano, derrubou gigante e fez história no 'Leicester do Uruguai'

Fonte ESPN
Eduardo Espinel comemora a conquista do Uruguaio pelo Plaza Colônia

Com orçamento total de cerca de R$ 235 mil mensais (os maiores salários não chegam a R$ 5 mil mensais), o Plaza Colônia foi o clube que revelou o são-paulino Lugano. Ídolo lá também (chegou a ter seu rosto estampado nas camisas do time), o zagueiro foi testemunha da reviravolta de um time que foi de lanterna da segunda visão a campeão da primeira em duas temporadas..
Lugano com Eduardo Espinel (dir) no Plaza

Lugano ajudou a colocar Eduardo Espinel, que foi seu companheiro como jogador, no cargo de treinador do Colônia.
"O Eduardo jogava comigo no Plaza. Sempre ficávamos juntos depois dos treinos. Ele era dez anos mais velho do que eu, já estava acabando a carreira. Era muito sério, um cara trabalhador, de família. Um 'cara de aço'", conta o são-paulino, que não hesitou em indicar o antigo companheiro para comandar a zebra uruguaia.
"Tinha uma boa relação com o clube. Muitos diretores são meus amigos. O time estava em último na segunda divisão. E cair para a terceira divisão no Uruguai signfica sumir, desaparecer. Recomendei então o Eduardo. E ele se animou e pegar essa oportunidade", afirma Lugano, que lembra a vida dura do amigo para susentar a família
Jogadores do Plaza celebram a conquista do Clausura

Antes de ser campeão, Espinel tinha uma carpintaria para tirar o sustento da famíla (mantém até hoje a profissão, mas agora mais como hobby).
"Ele também era carpinteiro. Era difícil se arriscar como treinador. Podia não dar certo. Mas o Plaza eram um clube não muito longe de sua casa, e assim ele podia continuar com a carpintaria e trabalhar de técnico", conta o amigo, que relembra a dura rotina dupla.
"Eduardo viajava 200 km de ônibus para treinar o time. Saia de madrugada de sua cidade. Treinava e volta para trabalhar na carpintaria. Era um cara muito rígido, honesto, mas sem marketing", revela.
E deu certo. Depois da lanterna, o clube chegou a ficar 18 jogos invictos na segunda divisão uruguai, um recorde.
Colônia conquistou o Uruguaio derrubando o gigante Peñarol, de Diego Forlán (centro)

Com salários pequenos, o Plaza tinha vários jogadores que tinham outras profissões. "Trabalhavam na construção, tem um vendedor. Tem de tudo. No ano passado tinham pouco até para comer. A história é muito melhor que a do Leicester", diz Lugano, que passou quase dois meses treinando no time depois da Copa do Mundo, quando ficou cinco meses sem jogar por problemas na cartilagem.
"É uma história linda de se contar. Os meninos não tinham o que comer. Só jogavam bola por que tinham muita paixão. Agora na Libertadores os mais novos vão ter a oportunidade de sair e fazer algum dinheiro", diz o idolo de São Paulo e Plaza Colônia.
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