Análise: O São Paulo tem 47 dias para não contratar um novo goleiro
Por Alexandre Lozetti
21 de Maio de 2016Mesmo com as falhas cometidas até aqui, substituir Denis na reta final seria um desrespeito à identidade que o Tricolor construiu durante a Libertadores.
O São Paulo tem tempo suficiente para contratar um goleiro que seja titular na semifinal da Taça Libertadores, contra o Atlético Nacional, da Colômbia. Mas não vai e nem deve fazer isso. Seria um desrespeito à própria formação de um time que foi bem mais longe do que se esperava, e ainda pode ir além.
Nesses próximos 47 dias sem Libertadores, certamente vai se falar na possibilidade de recorrer a um novo goleiro. É até normal. O desempenho individual de Denis não esteve à altura do comportamento coletivo do São Paulo. A primeira falha, contra o River Plate, em Buenos Aires, pesou mais do que deveria.
A sensação de desconfiança do público e da mídia seria normal depois de 19 anos de Rogério Ceni como titular. Era como se a posição tivesse um dono, e que dono. A presença de um “intruso”, quem quer que fosse, geraria insegurança, sentimento que só não poderia ter atingido tão em cheio o próprio sucessor.
Mas Denis está na semifinal, feito que desde 1992 o São Paulo havia conseguido seis vezes, três com Zetti e três com Ceni. Uma galeria respeitável. E é com ele que o Tricolor terá de tentar a sétima final, o quarto título. O clube deve isso à bela história que está construindo.
Quando Rogério Ceni guardou suas luvas na eternidade, deixou um grupo de jogadores que precisava aprender a conduzir seu destino. Como se fossem alunos que, depois de muitos e muitos anos, não tinham mais o representante de classe para discutir os rumos com a inspetora. Ou moradores de um condomínio sem o síndico.
"Não há a menor dúvida que o São Paulo quer ser campeão. Mas quer muito mais ser campeão com Denis no gol. Sua permanência é um estímulo à solidariedade que, hoje, faz diferença".
Falar apenas em “líder” é clichê. O caminho do São Paulo passaria a ser decidido a cada gesto. E tem sido um aprendizado espinhoso. Lugano chegou para ajudar a botar ordem na casa. Maicon não foi contratado para isso, mas, surpresa, complementou-se em postura e personalidade a figuras como Michel Bastos, Paulo Henrique Ganso, Hudson, Rodrigo Caio, Alan Kardec, Wesley, Calleri...
Cada um ao seu estilo, os jogadores se deixaram influenciar por uma gestão séria e pelo efeito externo. Abriram-se à necessidade da torcida de voltar a ser feliz e entenderam que ela se complementava à necessidade individual de cada um se tornar um vencedor.
O semifinalista da Libertadores foi construído no buraco. Estavam todos por baixo. Só isso despertou o instinto de ajuda mútua. Denis está completamente inserido nisso.
No fim do jogo contra o Atlético-MG, com a vaga nas mãos, o goleiro se dirigiu à torcida com olhar de gratidão. Contemplou como se redesenhasse na cabeça os últimos meses, e pensasse: "E não é que estamos aqui?!"
Foi abraçado por Edgardo Bauza, carregado por Ganso e Kardec, acarinhado pelos companheiros. Porque o segredo da ascensão do São Paulo é a torcida de um pelo sucesso do outro. A reação geral às convocações de Ganso (na pré-lista) e Rodrigo Caio para a Copa América é um sinal disso. As recentes comemorações de gols também.
Não há a menor dúvida que o São Paulo quer ser campeão. Mas quer muito mais ser campeão com Denis no gol. Sua permanência é um estímulo à solidariedade que, hoje, faz diferença. E numa realidade de poucas opções no mercado – vide falhas de goleiros consagrados como Victor e Jefferson em partidas decisivas –, substituir Denis seria dar de ombros à identidade de um time pelo qual o torcedor se encantou.
Há de treinar sim. Há de melhorar sim. Há de amadurecer sim. E se nada der certo, há de se dar chance a Renan Ribeiro sim. Mas contratar outro goleiro? Não.
O São Paulo tem tempo suficiente para contratar um goleiro que seja titular na semifinal da Taça Libertadores, contra o Atlético Nacional, da Colômbia. Mas não vai e nem deve fazer isso. Seria um desrespeito à própria formação de um time que foi bem mais longe do que se esperava, e ainda pode ir além.
Nesses próximos 47 dias sem Libertadores, certamente vai se falar na possibilidade de recorrer a um novo goleiro. É até normal. O desempenho individual de Denis não esteve à altura do comportamento coletivo do São Paulo. A primeira falha, contra o River Plate, em Buenos Aires, pesou mais do que deveria.
A sensação de desconfiança do público e da mídia seria normal depois de 19 anos de Rogério Ceni como titular. Era como se a posição tivesse um dono, e que dono. A presença de um “intruso”, quem quer que fosse, geraria insegurança, sentimento que só não poderia ter atingido tão em cheio o próprio sucessor.
Mas Denis está na semifinal, feito que desde 1992 o São Paulo havia conseguido seis vezes, três com Zetti e três com Ceni. Uma galeria respeitável. E é com ele que o Tricolor terá de tentar a sétima final, o quarto título. O clube deve isso à bela história que está construindo.
Quando Rogério Ceni guardou suas luvas na eternidade, deixou um grupo de jogadores que precisava aprender a conduzir seu destino. Como se fossem alunos que, depois de muitos e muitos anos, não tinham mais o representante de classe para discutir os rumos com a inspetora. Ou moradores de um condomínio sem o síndico.
"Não há a menor dúvida que o São Paulo quer ser campeão. Mas quer muito mais ser campeão com Denis no gol. Sua permanência é um estímulo à solidariedade que, hoje, faz diferença".
Falar apenas em “líder” é clichê. O caminho do São Paulo passaria a ser decidido a cada gesto. E tem sido um aprendizado espinhoso. Lugano chegou para ajudar a botar ordem na casa. Maicon não foi contratado para isso, mas, surpresa, complementou-se em postura e personalidade a figuras como Michel Bastos, Paulo Henrique Ganso, Hudson, Rodrigo Caio, Alan Kardec, Wesley, Calleri...
Cada um ao seu estilo, os jogadores se deixaram influenciar por uma gestão séria e pelo efeito externo. Abriram-se à necessidade da torcida de voltar a ser feliz e entenderam que ela se complementava à necessidade individual de cada um se tornar um vencedor.
O semifinalista da Libertadores foi construído no buraco. Estavam todos por baixo. Só isso despertou o instinto de ajuda mútua. Denis está completamente inserido nisso.
No fim do jogo contra o Atlético-MG, com a vaga nas mãos, o goleiro se dirigiu à torcida com olhar de gratidão. Contemplou como se redesenhasse na cabeça os últimos meses, e pensasse: "E não é que estamos aqui?!"
Foi abraçado por Edgardo Bauza, carregado por Ganso e Kardec, acarinhado pelos companheiros. Porque o segredo da ascensão do São Paulo é a torcida de um pelo sucesso do outro. A reação geral às convocações de Ganso (na pré-lista) e Rodrigo Caio para a Copa América é um sinal disso. As recentes comemorações de gols também.
Não há a menor dúvida que o São Paulo quer ser campeão. Mas quer muito mais ser campeão com Denis no gol. Sua permanência é um estímulo à solidariedade que, hoje, faz diferença. E numa realidade de poucas opções no mercado – vide falhas de goleiros consagrados como Victor e Jefferson em partidas decisivas –, substituir Denis seria dar de ombros à identidade de um time pelo qual o torcedor se encantou.
Há de treinar sim. Há de melhorar sim. Há de amadurecer sim. E se nada der certo, há de se dar chance a Renan Ribeiro sim. Mas contratar outro goleiro? Não.
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