Juan Carlos Osorio treinou Atlético Nacional e São Paulo, semifinalistas da Libertadores
São Paulo e Atlético Nacional decidirão, em julho, uma vaga na decisão da Copa Libertadores. Em comum, os rivais têm o fato de terem sido treinados por Juan Carlos Osorio. Também o de terem ignorado o legado deixado pelo técnico colombiano para ter sucesso na competição sul-americana.
Na Colômbia, Osorio está eternizado como técnico mais vencedor da história do Atlético Nacional. Seu sucessor, Reinaldo Rueda, contudo, não se intimidou em implantar suas próprias convicções e ganhou o apoio dos jogadores, que chegaram até a manifestar certo desconforto com algumas ideias do ex-técnico.
Já no São Paulo, a passagem de Osorio foi curta, mas também marcante. Clube e jogadores exaltaram o trabalho do treinador após sua saída para a seleção do México, mas Edgardo Bauza fez questão de dizer - assim que chegou, ainda no fim de 2015 - que tinha estilo bem diferente ao do colombiano.
"Não podemos atacar por atacar"
Técnico de Honduras na Copa do Mundo de 2010 e do Equador na de 2014, Rueda assumiu o Atlético Nacional no meio de 2015, quando Osorio foi para o São Paulo. De cara, foi campeão do Finalización, segunda metade do Colombiano - na primeira, com o antecessor, o time caiu nas quartas.
Em relação à metodologia de Osorio, Rueda questionou o rodízio de atletas e a forma de atuar. "Precisamos manter os jogadores para mecanizar a equipe", disse. "É necessário alternar a velocidade com algumas pausas. Não podemos atacar por atacar. Temos que surpreender o rival."
O goleiro Armani foi ainda mais incisivo ao relembrar as ordens de Osorio para evitar chutões. "Agora, se não podemos sair jogando com a bola, podemos fazer de outra maneira. Não é uma obrigação como antes. O importante é não se complicar por insistir com algo que não se pode fazer."
Nájera, que também ainda está no elenco dos semifinalistas, lembrou o mesmo ponto: "Deve haver um maior respaldo de todos, não perder a bola tão rápido por querer sair em velocidade".
"Nossa metodologia de trabalho é diferente"
O São Paulo ficou sem Osorio em outubro de 2015. Antes de Bauza, quem assumiu o time foi Doriva, que afirmou que encontrou uma equipe "descompactada". O técnico não durou muito tempo no comando do clube, que, para 2016, apostou no argentino, bicampeão sul-americano.
Quando foi apresentado, em dezembro de 2015, Bauza disse que tinha em Osorio "um amigo com quem se senta para tomar café". Nas discussões sobre futebol, porém, os dois não costumam concordar, segundo o argentino, em tese que fica clara na comparação entre os times tricolores de cada um.
"Nossa metodologia de trabalho é diferente. As equipes de Osorio são mais verticais, eu gosto de trabalhar melhor a jogada. Falo isso porque conversamos muito sobre futebol. Ele tem um conceito de verticalidade que eu opino outra coisa. O bom desse esporte é isso: nenhum tem a verdade."
Bauza também falou sobre compactação: "Não quer dizer que vamos jogar todos atrás ou a frente. No futebol de hoje, tem que atacar e defender com os 11. O São Paulo tem jogadores com grande técnica e espero alcançar com eles o equilíbrio que nos fará uma equipe competitiva".
Competitividade, inclusive, talvez seja a melhor palavra para definir o São Paulo de Bauza na Libertadores. A equipe tem, por exemplo, maneiras diferentes - quase opostas - de atuar no Morumbi e fora de casa, fórmula que tem dado certo, mas que era impensável nos tempos de Osorio.
'Herdeiros' chegam à semifinal da Libertadores ignorando legado de Osorio
Fonte ESPN
20 de Maio de 2016
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