A classificação como quarto colocado do Campeonato Brasileiro 2015, impôs ao Tricolor a tarefa de passar pela ‘Pré-Libertadores’ antes da fase de grupos.
Uma enorme crise financeira e política, uma reformulação no meio da temporada 2015, somada às saídas do principal goleador da última temporada (Alexandre Pato), do terceiro maior goleador da história (Luís Fabiano) e do maior jogador da história do clube (Rogério Ceni), fizeram com que o São Paulo iniciasse a competição como mero participante sem grandes pretensões.
As ‘fichas’ foram depositadas na capacidade e experiência do técnico argentino, Edgardo Bauza, bicampeão da competição e em alguns reforços pontuais, como Maicon e Calleri. E até o momento parece que a aposta foi certeira.
Vamos relembrar alguns momentos marcantes da caminhada do Tricolor na competição;
A primeira impressão é a que fica
Apenas dois dias após sua apresentação, o atacante Jonathan Calleri, atual artilheiro da competição com 8 gols, já mostrava seu ‘faro’ de gol.
O jovem atacante argentino entrou no segundo tempo da complicada partida contra o César Vallejo, e em seu primeiro toque na bola, marcou o gol que selou o empate fora de casa.

Na ‘sofrência’
O César Vallejo é um time sem expressão na competição. Mas, como o São Paulo estava em busca de uma formação ideal, a tarefa que parecia fácil tornou se extremamente complicada.
Apesar de ter a vantagem de um empate sem gols para se classificar. A partida de volta da ‘Pré-Libertadores’ contra a equipe peruana foi dificílima, e, decidida no minuto final, com um gol do atacante Rogério.

Batalha Monumental
Após uma estreia na fase de grupos, com uma derrota inesperada para o The Strongest, atraso de salários, greve de silêncio e bate boca no vestiário. A equipe teve sua primeira ‘prova de fogo’ jogando contra o campeão River Plate, no Monumental de Nuñes.

De maneira surpreendente, depois de tanta polêmica, o São Paulo jogou muita bola na Argentina, e, por mera casualidade não derrotou o campeão em seus domínios.
Os destaques ficaram por conta da dupla de zaga mais cascuda do país (Maicon e Lugano) e todo o talento e habilidade do Maestro, Paulo Henrique Ganso.
Relembre os lances do Maestro no Monumental
Toca no Calleri que é Gol
Depois de uma derrota inesperada em casa contra a equipe boliviana e um empate amargo contra o ‘lanterna’ da chave, fora de casa. Finalmente, o gigante despertou na competição.
O São Paulo massacrou o Trujillanos, no Morumbi, por 6 gols, sendo que 4 foram marcados pelo atacante Jonathan Calleri, que estava há alguns jogos na ‘seca’.

Uma boa parte da mídia esportiva tentou desqualificar a goleada devido ao adversário. Mas, de qualquer forma, aquele primeiro jogo do returno marcou o início de uma nova fase da equipe.
Relembre os quatro gols de Calleri contra o Trujillanos
Rivalidade, ‘catimba’ e a mística do Morumbi
Para muitos pode parecer bobagem, coisa de torcedor ou mais um clichê do futebol. Mas, para o torcedor são-paulino é realidade: o Morumbi tem, sim, uma mística especial com a Copa Libertadores.
E, se a goleada contra o Trujillanos era um resultado proporcionado pela fragilidade do adversário. O mesmo não poderia ser dito no duelo contra o atual campeão da competição, que veio à cidade disposto a confirmar sua classificação e eliminar o tricolor da competição.

A noite mais uma vez foi de Jonathan Calleri, com os dois gols marcados, foi o dono de um jogo marcado pela rivalidade, ‘catimba’ e violência da equipe adversária. Além do recorde de público, 51.342 torcedores saíram de seus sofás, e estiveram presentes nas arquibancadas.

Desafio nas Alturas
Após a vitória maiúscula contra o River Plate no Morumbi, chegava a hora de encarar o The Strongest e os mais de 3600 metros da altitude de La Paz.

A partida ficou marcada pela ousadia do técnico Edgardo Bauza de manter o Maestro, Paulo Heneique Ganso, no banco de reservas e utilizá-lo apenas em caso de necessidade. A estratégia ousada poderia levar o treinador ao céu ou inferno.

O São Paulo precisava de um simples empate para se classificar para as oitavas de final. O resultado veio, às duras penas. O placar começou adverso, mas o artilheiro da competição tratou de igualar o placar.

Ao final do jogo, num lance infantil, e com uma dose de ‘caseirismo’ do ‘apitador’, o goleiro Denis acabou sendo expulso. E, como todas as alterações já haviam sido realizadas, coube ao zagueiro Maicon a tarefa de proteger a meta tricolor até o final da partida.
Como diz um narrador: ‘Haja coração!’
Relembre os momentos do xerife da zaga no gol
Consolidação
A caminhada do São Paulo na fase de grupos da Copa Libertadores 2016, foi suada, sofrida, bem ao estilo de seu técnico.

Como segundo classificado de seu grupo, o Tricolor teria pela frente um dos líderes da competição em quesitos gerais. O Toluca fez uma campanha irrepreensível na primeira fase, somando 13 pontos no grupo considerando da ‘morte’, teve como adversários; Grêmio, LDU e San Lorenzo.

Mas, novamente, a mística do Morumbi se fez determinante para a classificação do Tricolor. Numa partida perfeita nos aspectos táticos e técnicos, a equipe de Patón Bauza, sufocou os mexicanos e atropelou o líder do grupo da morte. Em mais um jogo com recorde de público (53.241 espectadores).

A goleada por 4 a 0, no primeiro jogo, praticamente fez com que as equipes jogassem a partida de volta para cumprir tabela.

Apesar dos 3 gols sofridos no México, a equipe do Morumbi jamais teve sua classificação ameaçada no confronto.

Ansiedade, felicidade, responsabilidade e solidariedade
A primeira partida, válida pelas quartas de final da Copa Libertadores teve de tudo; arbitragem polêmica, jogadas violentas, ansiedade, gol sofrido, novo recorde de público, um acidente inesperado, cuidados e responsablidade do clube com o acidentados e muita compaixão e solidariedade dos atletas com os mesmos.

Ao final, apesar dos percalços tudo terminou bem; uma boa vitória, sem sofrer gols em casa, e, os acidentados fora de perigo e bem cuidados pelo clube.

Depois de muitos obstáculos superados, é chegada a hora de voltar a vencer uma equipe brasileira. Que venha o duelo no Horto, que venham mais momentos emocionantes nas quartas-feiras de Copa Libertadores. Que o amado clube brasileiro siga para as semifinais, rumo ao TETRA da América!
VAMOS SÃO PAULO!
Por André Issa