Luiz Araújo se destacou na Libertadores Sub-20, mas precisou ser emprestado para não ficar parado (Foto: Divulgação)
No embalo do início promissor de Lucas Fernandes no profissional do São Paulo, a torcida tem usado as cada vez mais barulhentas redes sociais para clamar por mais jovens no elenco. O lateral-esquerdo Inácio, o volante Banguelê e o atacante David Neres têm sido os nomes mais gritados em post, tuítes e comentários na rede.
Junta-se a isso a birra contra medalhões do plantel, e Edgardo Bauza passou a ouvir reclamações por supostamente não valorizar a base são-paulina. Acima de tudo, a acusação contra Patón não condiz com a realidade de quem não hesitou em subir Lucas Fernandes e ainda inscrevê-lo na Copa Libertadores da América.
O protesto dos tricolores contra a falta de espaço aos garotos deve ser direcionado a outras duas frentes. Primeiro, à Federação Paulista de Futebol, que impõe a um torneio enfraquecido, longo e esvaziado um bisonho limite de 28 atletas inscritos. Depois, aos dirigentes do próprio São Paulo, que compactuaram com o regulamento.
Há alguns anos, era comum ver o então presidente Juvenal Juvênio, morto em 2015, assustar a cartolagem da FPF com ameaças de usar o Campeonato Paulista para dar rodagem a garotos revelados em Cotia. Os são-paulinos não só nunca concretizaram as promessas, como baixaram o tom e aceitaram o limite de inscritos, tão prejudicial aos já afetados clubes paulistas.
O bagunçado calendário do estadual obriga os técnicos a forçarem atletas desgastados em semanas com decisões pela Libertadores ou pela Copa do Brasil. Não há como recorrer à base, nem mesmo a talentos que tenham surgido na Copa São Paulo, organizada, e desvalorizada desta forma, pela própria FPF.
E o problema vai além. A frustração não é destinada apenas Banguelê, Inácio ou David Neres, que podiam despontar diante da má fase são-paulina em 2016. Há no elenco profissional quem esteja obrigado a apenas treinar por até quatro meses devido à infame lista de 28 atletas no Paulistão.
Assim, o lateral-esquerdo Matheus Reis deixou as esperanças criadas com a ascensão sob o comando de Juan Carlos Osorio guardadas em 2015. O zagueiro Luiz Eduardo não teve a sorte de Caramelo para poder voltar a ser observado no Tricolor, muito menos o garoto Militão, o mais jovem do elenco, pôde ser testado para valer.
O São Paulo pode até ser um exemplo de valorização das categorias de base, mas não cumprirá sua missão totalmente se seguir compactuando com os regulamentos bizarros da FPF. É preciso combater, lutar pelos direitos de um clube de cofres vazios e sedento por reformulação.
O que a FPF regulou, Patón não resolve
por Bruno Grossi
Fonte LANCE!Net
29 de Março de 2016
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