A demissão de Milton Cruz, que há 22 anos integrava comissão técnica do São Paulo, marca uma nova e tensa fase na política do São Paulo. É o que pensam diretoria e oposição do clube. Isso porque os dois lados esperam uma reação intensa de Abilio Diniz, amigo do funcionário e que brigava por sua manutenção como assistente técnico, função da qual já tinha sido desligado antes de cair nesta quinta.
Assim que soube da demissão, a oposição abriu seus braços para receber Abilio numa embrionária campanha eleitoral para a presidência do clube em abril do ano que vem. Ainda não há candidato definido.
Os opositores entendem que além de voltar a atacar ferozmente a diretoria, o empresário e consultor do Conselho Consultivo vai participar da próxima eleição como nunca, apoiando vigorosamente um candidato de oposição.
Na avaliação dos opositores, a degola de Cruz fará o empresário entender que ele não terá outro meio para tentar implantar a gestão profissional que prega no clube a não ser colocando na cadeira um presidente em sintonia com ele. O que, aliás, acreditava já ter acontecido com a eleição de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco.
A diretoria espera o mesmo. Acredita que a demissão de Milton provocará nova guerra com Abilio, que já vinha atacando a direção para pedir a implantação da profissionalização, a queda do vice de futebol Ataide Gil Guerreiro, já conseguida, e a manutenção de Cruz na comissão técnica. Ele já havia sido derrotado ao indicar Milton no final do ano para o cargo de técnico.
Ao tomar a decisão de demitir o funcionário, uma exigência do novo diretor de futebol, Luiz Cunha, e um desejo do próprio presidente, Leco sabia que provocaria novos ataques de Abilio. Mas entendeu que as decisões que acredita serem necessárias ao clube não podem depender da vontade de quem o ajudou a se eleger.
“É hora de fugir para a montanha que o Abilião vem aí”, foi uma das frases ditas entre membros da diretoria após a oficialização da saída de Milton. O cenário previsto pelos dirigentes é o de conselheiros da oposição se aproximando de Diniz para que ele use seu prestígio no clube a fim de minar Leco ou outro candidato situacionista, como fez com Carlos Miguel Aidar.
Porém, a cúpula são-paulina acredita estar preparada para o confronto. Também está aliviada, pois acha que sem o ex-funcionário parte dos problemas da equipe será resolvida.
Para a direção, Cruz fazia mal ao elenco por estar insatisfeito com a função de estruturar um departamento de análise de desempenho e jogava mais lenha na fogueira quando um jogador o procurava se queixando de algo. Ele também era visto como informante de Abilio e criticado por supostamente não ter boa vontade com os atletas da base.
Por tudo isso, o comando tricolor afirma que vale correr o risco de ver Diniz entre os líderes da oposição, mesmo sem ser conselheiro, além de acelerar o processo eleitoral.
Na última terça, a oposição já havia feito dois encontros pregando união em busca de um só candidato.
O blog tentou falar com Abilio, mas sua assessoria de imprensa disse que não conseguiu entrar em contato com ele.
Milton fora: oposição do SPFC espera apoio de Abilio. Direção espera guerra
Fonte Blog do Perrone
25 de Março de 2016
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