FOTO: Gazeta Press
A vida do São Paulo está, a cada jogo, mais complicada na Copa Libertadores deste ano. Com apenas dois pontos no grupo, o Tricolor precisa vencer as próximas três partidas para continuar sonhando com a vaga e não repetir a história de 1987.
Depois de empatar em 1 a 1 com o modesto Trujillanos-VEN, o São Paulo não pode tropeçar contra os próprios venezuelanos e o River Plate, em casa, e o The Strongest, na Bolívia, para somar 11 pontos — pontuação máxima que consegue atingir até a última rodada.
O problema é que o The Strongest já possui sete e o River, que está com cinco, fará dois jogos no Monumental de Núñez.
O difícil caminho do clube do Morumbi pode resgatar um pesadelo vivido há 29 anos. Em 1987, a equipe amargou a pior campanha de sua história em 17 participações na competição.
Com um elenco composto por jogadores que também serviam a seleção brasileira, como Gilmar Rinaldi, Muller e Careca, o Tricolor terminou na lanterna do grupo ao somar apenas uma vitória, dois empates e três derrotas. Cobreloa, Colo-Colo e Guarani foram os adversários.
Igual, mas diferente/ Um dos que entraram em campo naquele ano, o ex-atacante Muller vê diferenças entre o feito passado e os dias de hoje.
“Em 1987, foi falta de comprometimento, mesmo. Nós havíamos sido campeões paulistas e, no ano anterior, conquistamos o Brasileirão, então, tinha muita gente saindo do time. O Careca já estava acertado com o Napoli, por exemplo. A campanha foi fraca e decepcionante”, declarou.
Para Muller, ao contrário de hoje, existia uma confiança maior da torcida, porque ela sabia que o time renderia mais.
“A torcida tinha esperança, alegria e uma expectativa grande, porque o time tinha oito jogadores na seleção. Hoje, a equipe é um bando de atletas que não sabem o que fazer.”
Segundo o ex-atacante Careca, o São Paulo não valorizava o torneio como agora. “Nós vivíamos uma vibração muito grande. A Libertadores não tinha a importância de hoje. Faltou experiência para aquele grupo jogar e vencer”, afirmou.
Entrevista com Muller, ex-atacante do São Paulo:
DIÁRIO_ Você acredita que o São Paulo vai conseguir se classificar na Libertadores?
MULLER_ Matematicamente, tem chances. Mas não podemos olhar somente para isso porque estamos vendo o fraco desempenho técnico. Em três jogos, o time fez dois gols. O mais difícil é que será preciso vencer e torcer por tropeços dos adversários (na verdade, o time depende apenas de si). O River Plate decide o último jogo no Monumental e tem saldo de quatro. O do São Paulo é -1.
Você acha que o Edgardo Bauza é o principal responsável por essa má fase devido às convicções dele?
O fim da história é que o Bauza vai morrer abraçado com o Centurión. Desde a primeira semana de trabalho, o técnico precisa ser cobrado porque ele está em um grupo grande com uma história maravilhosa. A equipe não tem um padrão de jogo estabelecido, uma identidade. A cada jogo, sofre.
Qual é a diferença entre o time de hoje e o de 1987?
Naquele ano, tinham vários jogadores de seleção. Hoje é um bando de jogador que não sabe o que fazer, joga mal. Não tem treinador nem time. O São Paulo contratou muito mal e agora está colhendo os frutos. Rogério, Centurión e Hudson são jogadores de clube pequeno, não podem vestir a camisa do São Paulo. Qual é a mentalidade deles quando vão para um clube com essa grandeza? Ninguém faz milagres. Nós, torcedores, não temos expectativa de ver esse time jogando como campeão. Pelo contrário, joga como um time pequeno.
Muller: "Bauza vai morrer abraçado ao Centurión"
Atacante do Tricolor na eliminação precoce da Libertadores de 1987, ele detona time ameaçado este ano
Fonte Diário de São Paulo
18 de Março de 2016
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