O andar do imóvel do dono do Orlando City, onde funciona um curso de inglês | Reprodução
O Orlando City ofereceu um imóvel avaliado em R$ 3,575 milhões no Rio de Janeiro como garantia numa ação contra o São Paulo pelo empréstimo de Kaká em 2014. Trata-se de um andar de 520 metros quadrados num prédio comercial da Avenida Rio Branco, uma das principais vias do Centro carioca, onde funciona um curso de inglês. O imóvel está em nome do brasileiro Flávio Augusto da Silva, dono do Orlando, que mora em Portugal. No processo, o clube norte-americano cobra uma dívida de R$ 13,7 milhões entre valores que não teriam sido pagos pelo tricolor paulista, além de multas contratuais.
Além de contestar os valores, a defesa do São Paulo alegou que, "ao ingressar com esta ação milionária, caberia ao autor, estrangeiro que é, sem propriedades no país, oferecer caução idônea em valor equivalente a, no mínimo, 12%1 (doze por cento) do referido conteúdo econômico, no importe aproximado, portanto, de R$ 1,6 milhão".
Enquanto os advogados constituídos pelo ex-presidente tricolor Carlos Miguel Aidar classificaram o processo como "uma ardilosa manobra negocial travestida de ação judicial", os representantes do Orlando responderam à altura dizendo que a situação financeira do réu é deplorável, fruto dos desmandos de gestões temerárias.
"A dinâmica americana é diferente da brasileira. Enquanto aqui se discute, lá se empreende. (...) O fato é que, circunstancialmente o réu está praticamente quebrado, o que justifica sua resistência despudorada. (...) Quem sabe a mão forte do judiciário tenha efeito pedagógico sobre o réu e às demais agremiações futebolísticas, tal qual se fez nos EUA ao prender os dirigentes da Fifa", dizem alguns trechos da contestação do clube de Kaká a que o Panorama Esportivo teve acesso.
Após a "troca de gentilezas" entre as partes, o juiz Rogério Marrone de Castro Sampaio, do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou que o autor da ação, como pessoa jurídica estrangeira, deveria proceder à oferta de caução, demonstrando a existência de patrimônio do fiador indicado.
O clube paulista informou que não se opõe à realização de audiência de tentativa de conciliação, mas ainda não há data para encontro entre as duas partes nos tribunais brasileiros.
Em julho de 2015, O GLOBO revelou um e-mail direcionado a Sérgio Augusto Fonseca Pimenta, superintendente administrativo financeiro do São Paulo, em que Alex Leitão, diretor executivo do Orlando City, a quantia devida pelo clube paulista com base no contrato de empréstimo de Kaká era de apenas R$1.699.191,57.
Orlando City põe imóvel de R$ 3,5 milhões como garantia em ação contra São Paulo por Kaká
Fonte O Globo
3 de Março de 2016
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