O zagueiro Diego Lugano fará neste domingo, às 17h (horário de Brasília), contra o Rio Claro, pelo Paulistão, sua reestreia pelo São Paulo, uma década depois de ter sido vendido pelo time do Morumbi ao Fenerbahce, da Turquia.
Curiosamente, quando o uruguaio vestiu pela primeira vez o "manto sagrado", como ele mesmo descreve a camisa tricolor, o São Paulo vivia fase semelhante à de hoje, com crise política, falta de títulos e freguesia para o Corinthians.
Lugano fez sua primeira partida pelo clube da capital paulista em 11 de maio de 2003, um empate por 2 a 2 com o Atlético-MG, fora de casa, pelo Brasileirão - gols de Kaká e Luis Fabiano para os visitantes, e de Ferrugem e Lúcio Flávio para os mandantes.
À época, o uruguaio era conhecido apenas por ter sido uma contratação polêmica feita pelo então presidente Marcelo Portugal Gouvêa sem o consentimento do treinador Oswaldo de Oliveira, que foi demitido e deu lugar ao interino Roberto Rojas.
A atuação de Lugano no Mineirão beirou o desastre. Ele levou um cartão amarelo logo no início, fez a falta que culminou no primeiro tento atleticano, perdeu a bola no segundo gol dos anfitriões e só não foi expulso porque o árbitro Carlos Eugênio Simon "perdoou" um carrinho por trás dado pelo gringo no lateral Marquinhos.
O uruguaio se redimiria e viraria ídolo no Morumbi, com grandes atuações e muitos títulos, mas deixou uma primeira impressão ruim naquele domingo em Belo Horizonte.
Para piorar, a situação fora de campo, assim como hoje, era caótica em 2003.
Antes do jogo contra o Atlético-MG, o hoje presidente do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva (o Leco), pediu demissão do cargo de diretor de futebol por meio de carta após ser alijado da escolha do técnico que substituiu Oswaldo de Oliveira, expondo racha com o mandatário Marcelo Portugal Gouvêa.
Gouvêa, inclusive, acusou Leco de ter vazado para a imprensa sua lista de preferidos para assumir o cargo de treinador, em uma lista que contava com Emerson Leão, Tite, Ricardo Gomes e Muricy Ramalho. Os nomes foram discutidos em um jantar na casa de Juvenal Juvêncio, mas pouco depois estavam aparecendo em todos os jornais.
Em campo, o desempenho são-paulino, assim como hoje, irritava os torcedores. Antes da "era de ouro" entre 2005 e 2008, quando conquistou Brasil, América do Sul e o mundo, o clube do Morumbi viveu jejum de títulos importantes.
Entre 1995 e 2003, quando Lugano chegou, as conquistas tricolores se resumiram a dois Paulistas e um Rio São-Paulo. Pouco para quem se acostumou à rotina de grandes conquistas do início dos anos 90, com Telê Santana no comando.
Também assim como hoje, o São Paulo vivia freguesia para o Corinthians. Vindo de resultados como o 6 a 1 do ano passado, pelo Brasileiro, e a derrota por 2 a 0 no Paulistão desse ano, a equipe tricolor vinha apanhando dos rivais antes da chegada de Lugano.
Em 2002, por exemplo, os alvinegros bateram o Tricolor na final do Rio-São Paulo e eliminaram o adversário na semifinal da Copa do Brasil. Já em 2003, novo triunfo em uma final contra os são-paulinos, desta vez no Campeonato Paulista.
Após o uruguaio assumir a titularidade em 2003, contudo, foi o São Paulo quem transformou o Corinthians em freguês, conquistando uma série de 14 partidas sem perder para o rival - até hoje, a maior da história do clássico "Majestoso".

Lugano em ação contra o Corinthians, em 2003