Abilio Diniz diz que vai sair da política do São Paulo, mas não deixa cargo

Fonte ESPN
FOTO: REPRODUÇÃO TV
Apesar de Abilio Diniz anunciar que se afastará da política do São Paulo, o empresário manterá o cargo de consultor no conselho consultivo e o apoio as auditorias que analisam os contratos do clube tricolor. Segundo apurou o ESPN.com.br, ele comprometeu-se a manter o financiamento a PricewaterhouseCoopers (PwC) e a McKinsey, que trabalham desde novembro do ano passado.
O empresário encontrou-se na tarde da última quarta-feira com o presidente do conselho deliberativo do São Paulo, Marcelo Pupo, e o coordenador da comissão de auditoria são-paulina, Aurisol Sabino de Souza, para comunicar sua decisão e informar que manteria o financiamento das auditorias. A reunião ocorreu no escritório do empresário.
Também na quarta-feira, Abilio Diniz enviou um e-mail aos conselheiros rebatendo as críticas do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco - também feitas por e-mail e divulgadas com exclusividade pelo ESPN.com.br - e informando que se afastará da política a partir de 23 de fevereiro, data da reunião do conselho deliberativo.
A reportagem entrou em contato com o presidente do conselho deliberativo do São Paulo que confirmou que o empresário continuará colaborando com as auditorias no clube. Pessoas próximas a Abilio Diniz também confirmaram essa informação.
"[O afastamento do Abilio] Não afetará em nada as auditorias em andamento. Discutimos detalhes relacionados à auditoria de contratos que ele financiará. O Abilio reforçou a vontade de colaborar conosco, colocando-se à disposição do Conselho, inclusive para nós auxiliar em outras iniciativas que venham a surgir", disse Pupo.
DESGASTE
Houve um desgaste entre Abilio Diniz e a diretoria do São Paulo justamente por causa das auditorias. O empresário reclamou com Leco (depois o fez publicamente) que o departamento de futebol não estava colaborando com a McKinsey. Além de não ter enviado contratos, também não repassou outras informações solicitadas no prazo estipulado.
No e-mail aos conselheiros, Abilio Diniz escreveu que somente na última terça-feira, ou seja, três meses após o início dos trabalhos, o vice-presidente de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, procurou a McKinsey para marcar uma reunião e encmainhar os documentos solicitados.
Mas o desgate é anterior a troca de e-mails. Alguns conselheiros dizem que ele iniciou em novembro do ano passado, quando Leco demitiu Alexandre Bourgeois, então CEO tricolor, e irritou Abilio Diniz. O executivo já havia sido demitido pelo antecessor de Leco, Carlos Miguel Aidar, foi recontratado por Leco e acabou durando mais 21 dias.
Bourgeois era indicação de Abilio Diniz e sua vinda ao clube tinha como objetivo desenvolver um projeto capaz de profissionalizar a gestão do clube e ajustar as finanças. A proposta dele era a criação de um conselho gestor, do qual o próprio presidente do São Paulo seria o chefe. Abaixo desse conselho gestor estariam o CEO, todos os vice-presidentes (cargos ocupados por conselheiros) e os executivos, que seriam contratados para administrar cada um dos departamentos chaves do clube. Abilio Diniz é defensor desse modelo porque entende que ele descentraliza as tomadas de decisões e torna o clube mais profissional.
Outro motivo que causou o desgaste entre Abilio Diniz e Leco é Milton Cruz. Funcionário do São Paulo desde 1994, o trabalho dele é muito elogiado pelo empresário. No entanto, a determinação da diretoria para que Milton Cruz assumisse o recém criado departamento de análises de desempenho e deixasse o cargo de coordenador técnico não agradou Abilio Diniz, que chegou a comunicar isso ao presidente.
Com a mudança de cargo, Milton Cruz teve de se afastar do dia a dia do futebol e isso gerou até críticas de Abilio Diniz.
Segundo conselheiros consultados pela reportagem, Abilio Diniz tem colaborado com o São Paulo desde a saída de Aidar, que renunciou em 13 de outubro. O financiamento das auditorias, cujo objetivo é desvendar problemas financeiros das últimas gestões, é bastante elogiado pelos membros do conselho deliberativo.
AUDITORIA E CONSULTORIA
O trabalho desempenhado pela PricewaterhouseCoopers (PwC) e pela McKinsey tem propósitos diferentes. A PwC faz uma auditoria financeira, analisando contratos e as finanças das duas últimas gestões do clube (Carlos Miguel Aidar e Juvenal Juvêncio).
Já a McKinsey faz um trabalho de consultoria ao departamento de futebol, ou seja, quer ter conhecimento do modus operandi da diretoria para sugerir um modelo de gestão. Quem conhece o trabalho da McKinsey, diz que o procedimento já foi adotada até por clubes na Europa e que poderia modernizar a gestão do futebol tricolor.
Segundo apurou a reportagem, realmente é a falta de cooperação do São Paulo com a McKinsey que irritou Abilio Diniz. Funcionários da empresa relataram ao empresário que os prazos e os pedidos não estavam sendo respeitados, não há transparência e que isso terá reflexo no relatório que será entregue nos próximos meses ao clube tricolor.
ENCONTRO MARCADO
No dia 23, Abilio Diniz se reencontrará com Leco na reunião do conselho deliberativo. Será o primeiro encontro entre eles após a troca de e-mails.
Alguns conselheiros dizem que o empresário irá expor mais críticas a gestão de Leco.
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