No Brasil, costuma-se dizer que o ano novo só começa depois do Carnaval. Para nós, são-paulinos, podemos afirmar que ele só começa depois da estreia tricolor na maior competição do continente. Competição esta que possui a cara e alma tricolor, um momento que, embora vivido outras dezessete vezes, sempre é festejado como se novidade fosse. E nesta nossa décima-oitava aparição, não poderia ser diferente. De fato, podemos nos orgulhar em dizer que não há Libertadores sem o São Paulo Futebol Clube, e vice-versa.
É verdade que já provamos um pouco deste clima contra o Cesar Vallejo, no entanto, a noite que todos nós aguardávamos, o início da caminhada tricolor na competição em que a representamos melhor do que qualquer outro clube brasileiro, começou hoje. E tal início foi o pior possível. Como se já não bastasse a derrota na estreia, para completar, ainda foi contra um adversário que não vencia fora de casa na Libertadores há “séculos”, sendo a terceira força do nosso grupo.
Havia preparado todo um discurso enaltecendo o clima de Libertadores, de como seria uma noite tão aguardada, um momento em que as esperanças se renovam e seguem com o nosso clube da fé em busca do tão sonhado tetracampeonato. Mas nossos jogadores não souberam aproveitar este clima, e o que poderia “lavar suas almas”, acabou sujando ainda mais suas imagens.
A equipe não soube reagir depois do resultado adverso no último clássico. Após um primeiro tempo com um bom volume de jogo, mas sem jogadas mais incisivas e trabalhadas, a equipe voltou para o segundo tempo de maneira totalmente desorganizada e displicente. Adjetivos fatais contra um oponente aguerrido que certamente irá roubar pontos dos adversários mais desatentos. Palavra esta última que não poderia fazer parte do dicionário tricolor na Libertadores 2016, mas hoje fez.
Em suma, toda a equipe foi muito mal, incapaz de se desvencilhar da forte marcação boliviana. Nossas jogadas consistiam em alçar bolas para a área adversária, mas quando não há qualidade sequer em cruzar uma bola, logicamente, não se terá sucesso em tal tática. Centroavantes para que? Ademais, os chutes a longa distância, outra boa arma contra um adversário fechado, foram escassos. O pequeno goleiro adversário de 1,75m então que o diga.
Enfim, dito isto, há muito em que melhorar e, apesar dos pesares, temos mais 18 pontos em disputa. A história do tricolor é gigante demais nesta competição para jogarmos a toalha tão facilmente. Devemos curtir ao máximo todos os momentos da Libertadores 2016, exclusividade para poucos.
Vamos à sabatina!
Bola Cheia:
Rogério: Entrou bem na partida. Arriscou e driblou com qualidade. Deu um novo gás à equipe que melhorou num todo. O empate chegou a ser imaginável.
Bola Murcha:
Michel Bastos: Se apresentou bem no primeiro tempo, seu lado era o que mais criava na partida, mas teve uma atuação terrível no segundo tempo! Completamente pedante, errando passes aos montes e, para coroar, achou que era tão bom que poderia cobrar um tiro de meta dentro da área adversária. Se é que me entenderam...
Paulo Henrique Ganso: Partida truncada? Marcação pesada? Chama o 10 que ele acha um espaço onde ninguém mais vê. Não, não foi o que aconteceu. Omisso na maior parte do tempo, conseguiu fazer correr bem a bola por poucas ocasiões, mas sumiu como todo o time no segundo tempo. Um cara como ele não pode sumir.
Thiago Mendes: Infelizmente a falta de inspiração da equipe lhe contagiou. Péssima partida do nosso excelente meio-campo. Conduziu a bola várias vezes de maneira nervosa, perdendo-a excessivamente.
Bruno: Num jogo com tais características, o lateral é arma fundamental para abrir o jogo. Mas não quando o mesmo sequer consegue se apresentar bem na linha de fundo. Se soltou mais no segundo tempo, porém, no geral, foi um jogador completamente inoperante.
Centurión: Juntamente com o Bruno, transformou o lado direito em um cemitério de jogadas. Uma pena, pois é nítido o seu esforço, o que lhe rendeu uma boa jogada em que arrancou desde o meio de campo. Mas também saiu devendo.
SporTV: Orgulha-se em dizer que transmitiu com exclusividade a partida do tricolor, mas não sei que exclusividade é essa quando fazem questão de mostrar a todo momento imagens de outro jogo com a partida da grade rolando, ao ponto de vermos a incrível imagem do técnico de um dos times desta outra partida simplesmente caminhando no gramado. Realmente, uma imagem muito reflexiva.

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