O alemão Thomas Federspiel (à dir.), diretor geral do Água Santa
Uma brincadeira iniciada por e-mail há seis meses fez o Água Santa dar um passo que o distigue de todos os participantes da primeira divisão do Campeonato Paulista. O clube de Diadema contratou em setembro do ano passado o alemão Thomas Federspiel, ex-olheiro do Bayer Leverkusen, para dar continuidade ao projeto de crescimento do clube.
"Eu estava no Japão trabalhando pelo Bayer Leverkusen como olheiro, mas mantinha contato com o Wilson [Farias, diretor da base], que me contou do projeto que ele estava trabalhando no Água Santa. Falou que o clube tinha conseguido três acessos consecutivos. Eu respondi brincando que gostei do projeto e que se um dia ele quisesse ter um diretor alemão para ele me chamar [risos]. Era uma brincadeira mesmo, mas dois dias depois o presidente do Água Santa [Paulo Sirqueira] me mandou um e-mail e me convidou para visitar o Água Santa e conhecer o projeto", disse Federspiel, ao ESPN.com.br.
Foi o pontapé inicial para o casamento entre o clube de Diadema e o alemão. Ele já estava há 20 anos trabalhando para o Leverkusen, sendo que durante 11 anos morou no Brasil, como olheiro do clube na América do Sul, antes de ir para o Japão, em 2013.
Federspiel foi contratado como diretor geral do Água Santa. Isso significa um acompanhamento do time profissional e das categorias de base. A metodologia com que ele trabalha garante ser diferenciada fruta de uma experiência frustada como jogador - parou com 27 anos, quando defendia o Arminia Bielefed, por causa de uma lesão - e como treinador. Ele cursou educação física e fez os cursos da Federação Alemã.
"Me respeitam muito no Água Santa porque sabem que tenho um conceito de trabalho diferente do brasileiro. O idioma não é um problema para mim porque eu entendo bem português, embora às vezes faltem algumas palavras. Sou sério no dia a dia, não admito brincadeiras e vou direto ao ponto, olho no olho", orgulhou-se ao falar do trabalho.
"Tenho outro conceito de treinamentos. Aqui não tem rachão, são poucos coletivos, muito trabalho de campo individualizado por posição. Reduzimos o tempo de treinamento, mas aumentamos a intensidade das atividades. Fora de campo temos um planejamento de dois anos, no qual pretendemos ter um crescimento estável do clube."
Sobre as diferenças culturais, Thomas Federspiel diverte-se ao contar as primeiras experiências. "Eu já estou bem acostumado com o jeitinho brasileiro [risos]. Morei muitos anos no Brasil, são quase 12. Minha esposa é brasileira, meu filho é brasileiro e ela tem uma grande família aqui. Já até brincam que sou mais brasileiro do que alemão", disse, aos risos.
Nem mesmo brincadeiras sobre a goleada de 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil na última Copa do Mundo entram na pauta do alemão do Água Santa.
"Eu nunca brinquei com os sete gols porque todo mundo na Alemanha ficou em choque com aquele resultado. A própria reação dos jogadores foi essas. Claro, eles ficaram contentes, mas por alcançar à final. Ninguém tirou sarro dos brasileiros. A reação foi mais 'Meu Deus, como pode ter acontecido isso?'. Foi legal, claro que foi, mas sinceramente foi um pouco do acidente de trabalho. Em cem anos jamais vai acontecer de novo", disse ele.
"Por causa deste resultado, muitos brasileiros levam mais em conta a seriedade do trabalho. Sabem que um bom trabalho de base dá retorno. A Alemanha foi campeão após 24 anos de jejum em um trabalho que começou em 2000 e não três anos antes da Copa do Mundo de 2014. Quando souberam das mudanças do futebol alemão, todos no Brasil viram a evolução que ocorreu no trabalho no futebol alemão", completou.
Mas essa filosofia alemã que tanto orgulha Federspiel deve ser utilizada para ajudar o Água Santa. O primeiro objetivo estipulado neste ano é evitar o rebaixamento - seis caem de divisão - e a segunda meta é conseguir uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro.
"Nosso clube precisa ter calendário na temporada. Temos a possibilidade de jogar a Copa Paulista, mas a Série D nos interessa mais para termos como crescer. O primeiro passo, no entanto, é não ser rebaixado. Ficar na elite do Paulista é importante. E depois nossa ideia é levar o Água Santa para fazer amistosos na Alemanha. Não temos datas, mas temos a intenção de fazer esse intercâmbio", finalizou.
Brincadeira por e-mail fez alemão virar diretor de clube do Paulista
Fonte ESPN
6 de Fevereiro de 2016
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