Bicampeonato do SP abriu caminho para obsessão brasileira pela Libertadores

Fonte 90min
Há quase 25 anos, a relação dos clubes brasileiros com a Copa Libertadores era bem diferente. Hoje obsessão de todos os grandes do país, a competição continental era vista com algum desdém.
Isto até o São Paulo encantar a América do Sul e o planeta com o bicampeonato mundial em 1992 e 1993. A partir daí, todos os rivais passaram a ter um objetivo: igualar os feitos são-paulinos.

César Sampaio, meio-campista do Palmeiras na época, conta que tirar o título continental do São Paulo era uma obsessão do clube.
- A Parmalat chegou no Palmeiras e a ordem para os jogadores era sair da fila do Paulista e ganhar a Libertadores, que estava com o São Paulo. Passou a ser o nosso objeto de desejo e lutamos muito para tirar o título deles. Ganhamos o Brasileiro, mas perdemos na Libertadores de 94 - afirma Sampaio.
O São Paulo quase foi tricampeão da Libertadores. Em 94, o tricolor caiu na grande final para o Vélez Sarsfield.
- O Julio Grondona era presidente da Conmebol e trocou o árbitro da decisão contra o Vélez. O cara já estava em São Paulo e foi mandado de volta. Veio o uruguaio Ernesto Fillipi, que deixou o Chilavert fazer uma cera enorme. Perdemos nos pênaltis - revela Kalef João Francisco, dirigente tricolor nos anos 90.
- Foram jogos lindos, os dois times reuniam pelo menos dez jogadores de seleção. Fomos melhores no primeiro jogo, mas empatou e eles ganharam o segundo - completa o jogador.
- As vitórias do São Paulo contra o Milan e o Barcelona deram uma marca registrada ao clube, um charme que todo mundo correu atrás para conseguir. Virou uma neura. Antes dos títulos do São Paulo, a Libertadores que havia sido forte nos anos 60 com o Santos, havia perdido prestígio no Brasil, tanto que Uruguai e Argentina ganhavam tudo. Depois, mudou - destaca Mustafá Contursi, presidente alviverde na época.
- Ninguém tinha se tocado com a Libertadores até o São Paulo ser campeão mundial. Ai, passou a ser objeto de desejo de todo time. Vamos lembrar também que o Brasil não ganhava uma Copa do Mundo desde 1970 e o São Paulo foi bicampeão mundial antes da Copa de 94. Isso deu muita repercussão. Em seguida, passou a ter mais valor comercial, com aumento de cotas e maior exposição da marca estampada na camisa - comenta José Carlos Brunoro, diretor do Palmeiras no período.
Samir Abdu Hack, ex-presidente do Santos e do Clube dos 13, confirma a tese. Depois das conquistas são-paulinas, conquistar a Libertadores passou a ser obrigação para os outros gigantes paulistas.
- Eu conversei com o presidentes de Corinthians e São Paulo e concordamos que a gente precisava fazer alguma coisa, se reforçar para não ficar para trás. A Libertadores havia alcançado um sucesso muito grande - afirma.

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