Surpreende-me um pouco a polêmica que so formou em torno da volta do zagueiro uruguaio Lugano ao São Paulo. Especialmente porque falta meio termo aos palpiteiros. Ou, como a imensa maioria dos torcedores tricolores, o negócio é visto com euforia, há uma idolatria a Lugano, ou, como a maior parte da mídia, o negócio é visto como péssimo, catastrófico, absurdo. Acho que nem tanto ao mar, nem tanto à terra. A diretoria do São Paulo só terá errado se embarcou na onda da torcida e acha que a vinda de Lugano solucionará a extensa lista de problemas do time em 2015. Mas se o negócio for paralelo a outras medidas, o São Paulo só tem a lucrar.
Primeiro porque não será um jogador com um salário inteiramente discrepante, que pudesse provocar ciúmes no jovem elenco. Para quem já fez o que ele fez, US$ 70 mil não é exagerado. Além disso, o São Paulo não está trazendo simplesmente um zagueiro para jogar desta ou daquela maneira. Lugano será também um zagueiro. Se jogar bem, se estivem em boas condições, fica no time. Se falhar, se errar, obviamente vai para a reserva e a torcida entenderá. O que o São Paulo precisa é eleger um beque para revezar com ele, que certamente não terá caixa nem pernas para jogar todas.
O Tricolor está contratando um líder, uma cara, um norte para uma equipe que perdeu de uma só vez Rogério Ceni e Luis Fabiano. Lideranças, aliás, que na temporada passada não acertaram, já que o grupo claramente passou desmotivado pelas competições. Lugano tem experiência, tem moral, conhece o clube, e será fundamental para fazer o time acordar.
Não abafará o surgimento de eventuais lideranças, ao contrário, poderá ajudar a formar jogadores com esse perfil. Perguntem a qualquer treinador se não gostaria de ter um jogador no elenco com essa capacidade de comando. Perguntem a Parreira porque ele manteve no grupo de Copa de 94 o zagueiro Ricardo Rocha, que se machucou na estreia e todos sabiam que não jogaria mais naquela competição.
O curioso é que a mídia reclama e constata que nem a seleção brasileira tem líderes. Que ninguém fala, que ninguém ajuda Dunga (que, cá pra nós, também não gosta muito desse tipo de ajuda...) Aí quando o São Paulo traz alguém exatamente com esse função, a turma reclama. Vá entender...
Lugano não é salvador da pátria. Mas pode ser muito útil
por Ricardo Gonzalez
Fonte Entre as Canetas
6 de Janeiro de 2016
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