O São Paulo anunciou na semana passada a contratação do argentino Edgardo Bauza como novo técnico da equipe, no lugar de Doriva. O treinador de 57 anos é bicampeão da Libertadores da América: em 2008, pela LDU, e em 2014, pelo San Lorenzo. Bauza chega em momento de turbulência na política no clube e é a principal aposta dos dirigentes são-paulinos para o tricolor voltar a erguer a taça da América.
A seguir, confira sete situações que Bauza vai encontrar a partir desta quarta-feira, quando será apresentado. Se conseguir passar por todas elas, tem grandes chances de fazer um bom trabalho.
À PROCURA DE UM LÍDER
Ídolo, capitão, 10º maior artilheiro do clube. Os 25 anos de Rogério Ceni no São Paulo marcaram época. Nesse período, o goleiro conquistou três brasileiros, uma Libertadores e um Mundial - na final contra o Liverpool fez defesa em cobrança de Gerrard que é considerada uma das mais difíceis da história. E agora o tricolor precisa saber como é viver sem ter a principal referência em campo. A principal pergunta que fica é: quem vai assumir esse papel? É essa missão que Bauza vai ter no São Paulo: encontrar quem vai ser o substituto natural de Ceni.
LUGANO
Essa referência pode ser o zagueiro uruguaio Diego Lugano, que jogou no São Paulo de 2003 a 2006 e é um dos maiores ídolos da história são-paulina - ganhou a Libertadores e o Mundial de 2005 nesse período. O time do Morumbi sonha com a volta do defensor. A passagem dele pelo São Paulo para o jogo de despedida de Rogério Ceni, no início do mês, reaproximou o uruguaio do clube. A cúpula do tricolor quer a experiência de Lugano para compor o setor defensivo - Rodrigo Caio, 22, e Lucão, 19, ainda são considerados bastante novos para assumir o comando da posição.
ATAQUE
Outro cenário que o argentino vai encontrar no Morumbi é a perda de duas peças ofensivas importantes: Luis Fabiano e Alexandre Pato. Luis Fabiano não teve a melhor das temporadas, com apenas 13 gols, mas também era uma referência no São Paulo, com 212 gols, o terceiro maior artilheiro da história. Já Alexandre Pato foi um dos destaques do ano, com 26 gols, mas acabou o tempo de seu empréstimo junto ao Corinthians - seu futuro ainda está indefinido. Bauza precisa encontrar peças no ataque que deem conta dessa debandada. Uma das principais apostas do argentino é em Centurión. O comandante gosta do estilo do atacante e disse que assim que iniciar os trabalhos pelo São Paulo irá conversar com o jogador para saber como ele está para a próxima temporada - em 2015, Centurión enfrentou problemas pessoais que atrapalharam o seu desempenho em campo. O atacante Rogério, contratado junto ao Vitória em setembro, marcou gols importantes na reta final e deve ganhar chances no Campeonato Paulista e Libertadores. Alan Kardec, que voltou de lesão também no fim do campeonato, é outro nome que deve ser bastante aproveitador.
REFORÇOS
O novo treinador já adiantou que quer um zagueiro, um meia e um atacante. No entanto, o São Paulo ainda não anunciou nenhum reforço para a temporada. O lateral direito Julio Buffarini, campeão com Bauza da Libertadores, pelo San Lorenzo, em 2014, interessa. "Já lhes adiantei que, se houver possibilidade, gostaria de contar com ele", disse em entrevista à radio La Deportiva, do Equador.
GANSO
Ganso já pode ser considerado uma novela. Há mais de três anos no Morumbi, o meia ainda não mostrou o mesmo futebol do tempo de Santos, e todo ano sua saída é cogitada. Dessa vez, novamente, continuará no clube. Quem atestou sua permanência foi o presidente Leco, na semana passada. Resta a Bauza conseguir fazer com que Paulo Henrique Ganso deslanche.
CRISE POLÍTICA
Se em campo a temporada do São Paulo não foi ruim - chegou na quarta posição do Brasileirão e conseguiu uma das vagas na Libertadores -, o mesmo não se pode falar da gestão fora de campo. Nos bastidores, a situação é bastante complicada, tanto que o clube teve quatro treinadores no ano, algo inédito na história são-paulina. São inúmeros os elementos que agravam essa crise política, que mais parece um roteiro de filme: renúncia de presidente, vazamento de áudio, briga em restaurante. Mesmo após renúncia, Aidar continua em evidência, como na polêmica entrevista em que criticou Rogério Ceni. Mais recentemente, houve o vazamento do áudio que causou a sua renúncia. Nele, o ex-mandatário discorre sobre irregularidades e oferece ao vice-presidente de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, a divisão de uma comissão pela vinda de um reforço. A pergunta que fica é: será que Bauza conseguirá executar seu trabalho caso essa instabilidade prossiga? O treinador argentino não gosta de intervenção de membros fora da comissão técnica, o que vem acontecendo com frequência no São Paulo.
INSTABILIDADE
Bauza é o 14º treinador estrangeiro na história do São Paulo, um clube que tradicionalmente mantinha treinadores até o fim dos contratos. Mas Bauza vai assumir o clube após uma temporada atípica. Em abril, Muricy Ramalho deu adeus à sua terceira vez comandando o São Paulo - com problemas de saúde e campanha abaixo do esperado no Paulista e na Libertadores, o técnico acertou a saída em comum acordo. Depois foi a vez de o treinador Juan Carlos Osorio chegar ao São Paulo. O colombiano, no entanto, enfrentou pressão durante toda a sua passagem que durou apenas três meses. O estilo do comandante não era bem aceito por parte dos dirigentes. Acabou saindo após aceitar proposta da seleção mexicana. Por fim, foi a vez de Doriva ser demitido, após sete jogos no comando.
Confira 7 situações que Bauza encontra em sua chegada ao São Paulo
Resolver esses 7 pontos é fundamental para bom trabalho
Fonte Estadão
23 de Dezembro de 2015
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