Os recordes: jogador que mais vestiu a camisa de um único clube no mundo, jogador que mais entrou com a faixa de capitão por um clube e jogador que mais atuou no Morumbi. Provavelmente deve ser o jogador que mais tempo ficou num clube.
A melhor atuação: O limitado, mas valente Liverpool tinha Gerrard e Xabi Alongo. O São Paulo tinha Ceni. E Mineiro, autor do gol na dramática partida de 3 gols anulados, amplo domínio inglês e defesa pornográfica em falta de Gerrard e levantou o 3º Mundial do São Paulo, em atuação até hoje comemorada. Ah, ele é o único goleiro a fazer gol no Mundial Interclubes após os complicados 3x1 sobre o Al-Ahly.

O melhor time: o de 2005, montado por Cuca e Leão. Um funcional 3-4-1-2 que venceu a Libertadores e Mundial, já sob o comando de Paulo Autuori, que fez o time se defender com 2 linhas de 4 e treinou secretamente uma jogada: o avanço de Mineiro no contragolpe. Adivinha de quem foi o gol na final contra o Liverpool?

O 100º gol: Paulista de 2011. Arena Barueri. São Paulo x Corinthians. Ralf dá entrada dura em Fernandinho. Falta para o São Paulo. Rogério e sua camisa dourada se encaminham para a entrada da área, no lado esquerdo. Bola encaixada, no ângulo de Júlio César. Delírio, festa, êxtase, auge: 100º gol do maior goleiro-artilheiro do mundo e fim do tabu de 11 jogos e 4 anos sem vencer o rival.

O tricampeonato brasileiro: Rogério falhou na Libertadores contra o Inter, mas a redenção chegaria cedo. No reencontro com Muricy Ramalho, o seguro goleiro do menos "Muricybol" dos 3 campeonatos brasileiros: um 4-4-2 em duas linhas de 4, com Danilo fazendo importante papel tático na esquerda e Souza, ora na área, ora apoiando. Campeão com 2 rodadas de antecedência e vingança no Inter, vice naquele ano.

O primeiro semestre ruim em 2007, com direito a um 4x1 do São Caetano em pleno Morumbi, foi apagado com o encaixe no Brasileiro: sem Danilo, um 3-4-2-1 com os letais cruzamentos de Jorge Wágner para Miranda a Alex Silva - a versão mais famosa e segura do estilo qie consagrou Muricy e importantes defesas de Ceni, autor de 10 gols no ano.

Em 2008 o São Paulo foi o "Jason" com um 3-1-4-2 que tinha Hugo e Hernanes chegando de trás e bola aérea mortal para Borges. O grande segundo turno e as derrocadas de Palmeiras e Grêmio ajudaram em mais um brasileiro que Rogério ergueu como capitão: era o 6-3-3 que tanto estampou camisas do Tricolor.

A proibição: só um treinador ousou vetar as cobranças de falta de Rogério. Foi Mário Sérgio, em 1998, ano de crise para o Tricolor. O técnico foi demitido após 10 jogos.
O primeiro título: o Paulistão de 1998. Nelsinho Baptista se inspirava na França, futura campeã mundial, para montar um 4-2-3-1 com Carlos Miguel e Denílson abrindo o corredor para os laterais. Na final, Raí voltou e fez gol no mesmo dia que desembarcou. Reencontro de ídolos que jogariam mais 2 anos juntos e também a explosão de Nelsinho, que gritava eufórico após o fim da partida: "onde está o nó tático?", se referindo a Luxemburgo.

As falhas: Rogério não jogou nos 7x2 para a Portuguesa, em 1998, e no mais recente 6x1. Mas frangou feio contra o Corinthians, carrasco da carreira, em 2011. Levou 2 gols de cobertura de Robinho e deixou Fernandão empurrar na final da Libertadores em 2006. Acontece com os melhores goleiros.
O gol em final: foi só um, em 2000, contra o Santos no Paulistão. O time de Levir Culpi era um simples 4-2-2-2 de vocação ofensiva, que podia ter Marcelinho mais avançado e Vágner no meio. Rogério se tornou o primeiro goleiro a fazer gol em finais, contra o Santos, mas o ano ficou marcado pela Copa do Brasil, perdida no último instante para o Cruzeiro.

O "amarelão": de 2001 a 2005 o São Paulo goleava, tinha bons elencos e....não ganhava nada. Começou com Nelsinho Baptista em 2002 e uma sequência de 7 goleadas (incluindo um 7x0 no Bangu-RJ) até o famoso 4x2 do Palmeiras, onde Alex chapelou Ceni para fazer um dos mais bonitos gols no Morumbi. Um 4-2-2-2 com Nery prendendo para Gabriel apoiar quase como ponta e Kaká livre para arrancar junto a França e Reinaldo.

Depois com Oswaldo de Oliveira e campanha de dez vitórias consecutivas na fase de grupos no Brasileiro que parou no Santos em 2002. Um 4-3-1-2 com Ricardinho armando da esquerda e Maldonado fazendo a "saída de 3", liberando Gabriel e Jorginho Paulista pelos flancos. Time que motivou a mudança para os pontos corridos pela “injustiça” do mata-mata.

A primeira vez: tinha que ser com Muricy Ramalho, então auxiliar de Telê. O "Expressinho", campeão da Conmebol de 1994, era um ofensivo 4-3-3 com Caio Ribeiro, Bordon e Denílson e, é claro, Ceni no gol. Um ensaio enquanto Zetti era o titular absoluto do São Paulo multicampeão na década de 1990.
O legado: Ceni simboliza um tempo perdido: o dos atletas que torciam e amavam o clube a ponto de defendê-lo por muitos anos. No futebol de muito dinheiro e salários altos, o ponto alto da carreira é uma transferência para a Europa. Não para Rogério, o último desses "moicanos". Fará falta.