O adeus e os times do M1TO Rogério Ceni

por Leonardo Miranda

Fonte Painel Tático
11 de Dezembro de 2015
25 anos no São Paulo. 1237 jogos. 131 gols. 26 títulos. Goste ou não, Rogério Ceni é um mito. Ou melhor, O m1to. O maior e mais completo ídolo da história do São Paulo eterniza seu nome nos corações tricolores e no respeito gerado nos rivais e adversários. Então é bom relembrar:
Os recordes: jogador que mais vestiu a camisa de um único clube no mundo, jogador que mais entrou com a faixa de capitão por um clube e jogador que mais atuou no Morumbi. Provavelmente deve ser o jogador que mais tempo ficou num clube.
A melhor atuação: O limitado, mas valente Liverpool tinha Gerrard e Xabi Alongo. O São Paulo tinha Ceni. E Mineiro, autor do gol na dramática partida de 3 gols anulados, amplo domínio inglês e defesa pornográfica em falta de Gerrard e levantou o 3º Mundial do São Paulo, em atuação até hoje comemorada. Ah, ele é o único goleiro a fazer gol no Mundial Interclubes após os complicados 3x1 sobre o Al-Ahly.

O melhor time: o de 2005, montado por Cuca e Leão. Um funcional 3-4-1-2 que venceu a Libertadores e Mundial, já sob o comando de Paulo Autuori, que fez o time se defender com 2 linhas de 4 e treinou secretamente uma jogada: o avanço de Mineiro no contragolpe. Adivinha de quem foi o gol na final contra o Liverpool?

O 100º gol: Paulista de 2011. Arena Barueri. São Paulo x Corinthians. Ralf dá entrada dura em Fernandinho. Falta para o São Paulo. Rogério e sua camisa dourada se encaminham para a entrada da área, no lado esquerdo. Bola encaixada, no ângulo de Júlio César. Delírio, festa, êxtase, auge: 100º gol do maior goleiro-artilheiro do mundo e fim do tabu de 11 jogos e 4 anos sem vencer o rival.

O tricampeonato brasileiro: Rogério falhou na Libertadores contra o Inter, mas a redenção chegaria cedo. No reencontro com Muricy Ramalho, o seguro goleiro do menos "Muricybol" dos 3 campeonatos brasileiros: um 4-4-2 em duas linhas de 4, com Danilo fazendo importante papel tático na esquerda e Souza, ora na área, ora apoiando. Campeão com 2 rodadas de antecedência e vingança no Inter, vice naquele ano.

O primeiro semestre ruim em 2007, com direito a um 4x1 do São Caetano em pleno Morumbi, foi apagado com o encaixe no Brasileiro: sem Danilo, um 3-4-2-1 com os letais cruzamentos de Jorge Wágner para Miranda a Alex Silva - a versão mais famosa e segura do estilo qie consagrou Muricy e importantes defesas de Ceni, autor de 10 gols no ano.

Em 2008 o São Paulo foi o "Jason" com um 3-1-4-2 que tinha Hugo e Hernanes chegando de trás e bola aérea mortal para Borges. O grande segundo turno e as derrocadas de Palmeiras e Grêmio ajudaram em mais um brasileiro que Rogério ergueu como capitão: era o 6-3-3 que tanto estampou camisas do Tricolor.

A proibição: só um treinador ousou vetar as cobranças de falta de Rogério. Foi Mário Sérgio, em 1998, ano de crise para o Tricolor. O técnico foi demitido após 10 jogos.
O primeiro título: o Paulistão de 1998. Nelsinho Baptista se inspirava na França, futura campeã mundial, para montar um 4-2-3-1 com Carlos Miguel e Denílson abrindo o corredor para os laterais. Na final, Raí voltou e fez gol no mesmo dia que desembarcou. Reencontro de ídolos que jogariam mais 2 anos juntos e também a explosão de Nelsinho, que gritava eufórico após o fim da partida: "onde está o nó tático?", se referindo a Luxemburgo.

As falhas: Rogério não jogou nos 7x2 para a Portuguesa, em 1998, e no mais recente 6x1. Mas frangou feio contra o Corinthians, carrasco da carreira, em 2011. Levou 2 gols de cobertura de Robinho e deixou Fernandão empurrar na final da Libertadores em 2006. Acontece com os melhores goleiros.
O gol em final: foi só um, em 2000, contra o Santos no Paulistão. O time de Levir Culpi era um simples 4-2-2-2 de vocação ofensiva, que podia ter Marcelinho mais avançado e Vágner no meio. Rogério se tornou o primeiro goleiro a fazer gol em finais, contra o Santos, mas o ano ficou marcado pela Copa do Brasil, perdida no último instante para o Cruzeiro.

O "amarelão": de 2001 a 2005 o São Paulo goleava, tinha bons elencos e....não ganhava nada. Começou com Nelsinho Baptista em 2002 e uma sequência de 7 goleadas (incluindo um 7x0 no Bangu-RJ) até o famoso 4x2 do Palmeiras, onde Alex chapelou Ceni para fazer um dos mais bonitos gols no Morumbi. Um 4-2-2-2 com Nery prendendo para Gabriel apoiar quase como ponta e Kaká livre para arrancar junto a França e Reinaldo.

Depois com Oswaldo de Oliveira e campanha de dez vitórias consecutivas na fase de grupos no Brasileiro que parou no Santos em 2002. Um 4-3-1-2 com Ricardinho armando da esquerda e Maldonado fazendo a "saída de 3", liberando Gabriel e Jorginho Paulista pelos flancos. Time que motivou a mudança para os pontos corridos pela “injustiça” do mata-mata.

A primeira vez: tinha que ser com Muricy Ramalho, então auxiliar de Telê. O "Expressinho", campeão da Conmebol de 1994, era um ofensivo 4-3-3 com Caio Ribeiro, Bordon e Denílson e, é claro, Ceni no gol. Um ensaio enquanto Zetti era o titular absoluto do São Paulo multicampeão na década de 1990.
O legado: Ceni simboliza um tempo perdido: o dos atletas que torciam e amavam o clube a ponto de defendê-lo por muitos anos. No futebol de muito dinheiro e salários altos, o ponto alto da carreira é uma transferência para a Europa. Não para Rogério, o último desses "moicanos". Fará falta.
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