A maioria dos grandes clubes brasileiros não se satisfaz mais apenas com jogadores nascidos no País para brigar por títulos e rivalizar com seus principais adversários. É cada vez maior o número de estrangeiros nos principais times do Brasileirão, e a explicação passa não só pelo poder financeiro do mercado nacional, maior que o dos vizinhos sul-americanos. Contribui muito para esse cenário a carência técnica de talenatos brasileiros.
Os destaques do Brasileirão de 2014 foram Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart, do Cruzeiro, mas até o time mineiro precisou contar com um talento estrangeiro para buscar o título. O boliviano Marcelo Moreno dividiu com Goulart a artilharia da equipe no torneio com 15 gols.
Para 2015, o Cruzeiro buscou De Arrascaeta, uruguaio do Defensor, para ser o novo dono do meio-campo após a saída da dupla Ribeiro/Goulart. Seu rival Atlético-MG foi ao mercado sul-americano para se reforçar também. Sherman Cárdenas, colombiano do Atlético Nacional, e Lucas Pratto, argentino do Vélez, foram as contratações que, segundo Daniel Nepomuceno, presidente atleticano, não são apostas.
Os clubes brasileiros têm buscado jogadores que se destacaram em grandes clubes do continente. Foi o caso também de Ricardo Centurión, campeão argentino com Racing em 2014. O São Paulo saiu na frente e contratou o meia-atacante para jogar a Libertadores desse ano.
Outra amostra da influência estrangeira no Brasileirão, está na idolatria que alguns desses jogadores tem despertado entre torcedores. Paolo Guerrero é um exemplo. Não há nome mais gritado entre os corintianos que o do peruano. Argentinos que não atuam mais no Brasil também sentiram esse carinho, casos de Darío Conca, Walter Montillo e Carlos Tevez.
"O jogador dos outros países da América do Sul é um pouco diferente do brasileiro. Acho que tem mais fibra, não sei. E o torcedor se identifica com isso", disse Guerrero, após a partida em que foi expulso quarta-feira em Itaquera pela Libertadores, entre Corinthians e Once Caldas.
O fator financeiro também é determinante para que o destino de alguns jogadores de clubes sul-americanos seja o Brasil. Os clubes do País pagam melhor que grandes da Argentina, do Chile ou da Colômbia. "O fator financeiro pesa, sim. Poucos clubes podem pagar o que pagam os brasileiros", diz Montillo, que também elogia a competitividade da liga brasileira.
"Tecnicamente não tem como no Brasil. Os brasileiros têm uma técnica extraordinária. Cada time tem de três a quatro jogadores estrelas. O Chile tem três times grandes. Já no Brasil tem 12 times que se preparam para serem campeões. Para mim, está acima de qualquer outro", declarou o meia à ESPN. Ele hoje joga no Shandong Luneng, da China, mas é cobiçado pelo Flamengo e pode se tornar mais um estrangeiro ídolo do torcedor brasileiro.
Com talentos escassos, times do Brasil dependem de protagonistas estrangeiros
Mercado mais forte da América do Sul atrai jogadores de países vizinhos e clubes do País dependem cada vez mais dos gringos
Fonte IG
6 de Fevereiro de 2015
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