O dia 17 de junho de 1992 foi especial para a torcida do São Paulo. A cidade parou para acompanhar o Tricolor em sua primeira decisão de Libertadores da América, com um Morumbi recebendo mais de 120 mil torcedores, recorde de público do estádio até os dias de hoje. A equipe comandada por Telê Santana do banco de reservas e liderada por Raí dentro das quatro linhas teve um adversário muito duro pela frente: o Newell’s Old Boys, da Argentina, país que tinha amplo domínio de títulos na competição.
Mais do que conquistar a América pela primeira vez, o São Paulo tinha a missão de mostrar a importância para o país em levantar a taça do torneio continental, algo que havia acontecido por apenas cinco vezes até então.
Após ser derrotado na semana anterior por 1 a 0, no Parque da Independência, território dos Hermanos, a equipe de Telê voltou confiante para o Brasil, sabendo que tinham totais condições para bater o clube de Rosário e conquistar o título inédito.
O Morumbi estava fervendo como nunca. A torcida compareceu em peso para acompanhar a decisão inédita e entrar na história da instituição, tão rica em território nacional e que poderia começar a ser escrita fora dele.
O caldeirão deu resultado e o Tricolor pressionou durante quase toda a partida. Foram bolas sendo salvas em cima da linha, outras que explodiram na trave até o time conseguir marcar com o ídolo Raí, garantindo a vitória pelo placar mínimo, o que levava decisão para as penalidades.

Os 120 mil torcedores se viram inseridos num drama que não esperavam. A chance de colocar a primeira placa são-paulina na taça da Libertadores seria decidido a partir da marca de 11 metros do gol.
Berizzo começou cobrando na trave, para a alegria e vibração do lendário Zetti. Já Raí mostrou toda a sua categoria para marcar novamente e deixar o São Paulo à frente no placar. O Newell’s não desperdiçou a empatou a decisão com Zamora. Ivan recolocou os donos da casa em vantagem, enquanto Llop balançou as redes para manter os argentinos ainda na briga.
Os nervos ficaram ainda mais à flor da pele quando o zagueiro Ronaldão sobrou no meio do gol e Scoponi defendeu, para o delírio do então jovem técnico Marcelo Bielsa, que não durou muito, pois Mendoza mandou a sua cobrança por cima do travessão, explodindo o grito da torcida são-paulina.
O lateral-direito Cafu pôs novamente o São Paulo na frente e deixou a responsabilidade de garantir o título nas mãos de Zetti. O capitão do Newell’s, Gamboa, seria o responsável pela cobrança. Apesar de bater colocado bem rente à trave, o argentino viu Zetti se esticar todo para buscar a bola e garantir o título para o Brasil.
A torcida, ensandecida com a vitória, invadiu o gramado do Morumbi, transformando o campo em uma mar branco de tricolores felizes pelo título inédito. A cidade parou para acompanhar o primeiro título de um clube paulistano na competição e gostou do que viu, fazendo com que Palmeiras e Corinthians também olhassem para a Libertadores com uma ambição maior desde então.
O título do São Paulo foi muito mais do que uma grande conquista para o clube do Morumbi, foi um convite à todo o Brasil para provar que o futebol do país era superior aos de seus rivais sul-americanos.
