Editoria de arte/Folhapress
Grandes clubes do país planejaram um código de ética que vale para as categorias de base e que apresenta algumas reivindicações para facilitar o trabalho nos departamentos amadores.
O consenso é que a Copa São Paulo de futebol júnior, que começa neste sábado (3), deveria ter menos equipes para que o nível técnico melhorasse. A edição deste ano terá 104 clubes.
"Isso depende da Federação Paulista, não de nós. A Copa São Paulo é uma competição muito boa, que tem muita mídia, mas a crítica que podemos fazer é que o volume de times é muito grande. Acaba prejudicando o nível técnico", afirma Agnello Guimarães, coordenador técnico da base do Corinthians.
A ressalva é feita por dirigentes de outros times paulistas ouvidos pela Folha. Quando começou a ser disputada, em 1969, o torneio tinha apenas quatro equipes.
Por enquanto não há nenhum projeto da Federação Paulista de Futebol, que organiza o torneio, para diminuir o número de participantes. Vinte cinco cidades de São Paulo recebem partidas da competição.
As maiores agremiações do país têm reivindicações para a base que vão além de pleitear a mudança no formato da Copa São Paulo. Querem que o torneio sinalize o final da temporada das categorias de base, não o começo (como é hoje em dia).
Os clubes desejam que a pré-temporada da base ocorra após o torneio, que tem a sua final no dia 25 de janeiro, data do aniversário da cidade de São Paulo. A mudança abriria espaço no calendário para a disputa de amistosos no exterior.
"São mudanças no calendário e uma uniformidade nas competições de base. É preciso haver uma flexibilização das datas para equipes que recebem convites internacionais", completa Agnello Guimarães.
A constatação quanto aos problemas causados pelo inchaço é feita até por aqueles que fazem parte do grupo de clubes que estão na competição apenas para fazer figura.
"Eu pago por tudo. Não tenho apoio da prefeitura. É difícil fazer um trabalho assim. Eu fico com medo de ir até São Paulo e passar vergonha", afirma Tiba, técnico do Araguaína, de Tocantins. O elenco é formado apenas por garotos da região e na primeira fase está na chave com Primavera, Cruzeiro e ABC-RN.
Tiba é ex-atacante, com passagem pelo Corinthians e foi campeão paulista pelo Bragantino em 1990. Ele também cuida da carreira de jogadores e pode ser um dos afetados por mudanças promovidas pela Fifa, que podem ter influência no formato da Copa São Paulo.
A entidade que dirige o futebol decidiu proibir que pessoas físicas ou empresas sejam donas de direitos econômicos de atletas. Expediente que é comum nas categorias de base e nos profissionais. A partir daí, surgiu a expressão "clube de empresários", que funcionariam apenas para colocar na vitrine jogadores de determinado agente, visando transferências futuras.
"A Copa São Paulo serve muito para isso: times de empresários. Esta nova lei é para contratos novos, não os que estão em vigência. No curto prazo, não vai mudar nada na quantidade de equipes, acredito. Os investidores vão acabar assumindo clubes de futebol e nós vamos ver quem trabalha de forma séria e quem não trabalha", afirma Wagner Ribeiro, empresário de Neymar e Lucas.
DOMÍNIO PAULISTA
Nos últimos três anos, o campeão do torneio foi paulista. O Corinthians levantou o troféu em 2012, enquanto o Santos é o atual bicampeão. Os rivais, inclusive, fizeram a final da última edição e disputam o torneio neste ano como favoritos.
O time da capital paulista é treinado por Osmar Loss e conta com jogadores campeões do Paulista sub-20 e do Brasileiro sub-20.
Já a equipe santista, treinada por Pepinho, filho do ex-jogador Pepe, terá jogadores campeões do torneio do ano passado, como Matheus, e do Paulista sub-17.
O Palmeiras, único grande do Estado sem título do torneio, aposta em Gabriel Fernando, 17. Ele fez 37 GOLS no Paulista sub-17 de 2014 –o vice-artilheiro fez só 19, e é a esperança do técnico Diogo Giacomini.
O São Paulo, do técnico Menta, terá Ewandro, atacante que disputou a última edição da Copa São Paulo e Leonardo Paoli, 19, que tem multa rescisória de R$ 30 milhões, já foi alvo de clubes italianos e é visto como futura estrela do clube.
Grandes clubes do país querem Copa São Paulo 'enxuta'
Fonte Folha de São Paulo
2 de Janeiro de 2015
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