Desempenho do time determina sucesso de bilheteria
Há pouco mais de três meses, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), por meio de uma nota em seu site, assegurou que era possível assistir a um jogo do Campeonato Brasileiro com apenas R$ 30. O valor acessível, no entanto, parece ser privilégio apenas para poucos torcedores. O levantamento feito pelo iG comprova que os clubes aumentaram o custo dos bilhetes, em meio a processo alavancado pelas construções de novas Arenas, e iniciaram a elitização do esporte no país. Confira todos os valores médios na galeria abaixo:

Atlético-PR abre a lista dos que mais cobram caro pelos ingressos. A média é o absurdo de R$ 400. Foto: Jason Silva/Agência Eleven/Gazeta Press

Palmeiras, com a inauguração do Allianz Parque, elevou a sua média e agora cobra R$ 245. Foto: Leandro Martins/Futura Press

Corinthians tem números elevados e não economiza para o torcedor: R$ 197,50. Foto: Miguel Schincariol/Gazeta Press

Internacional é o quarto na lista e cobra a média de R$ 176,92 por ingresso no Beira Rio. Foto: Luiz Munhoz/Fatopress/Gazeta Press

Cruzeiro, campeão do Brasileirão, cobra em média R$ 125,38 de seu torcedor. Foto: MOURÃO PANDA/Gazeta Press

Coritiba, apesar do desempenho mediano no torneio, cobra caro para o jogo: R$ 115. Foto: Heuler Andrey/Getty Images

No Heriberto Hülse, a média dos ingressos chega a R$ 100 cobrado pelo Criciúma. Foto: Eduardo Valente/Gazeta Press

Fluminense tem números um pouco superiores ao rival e cobra R$ 83,30. Foto: Getty Images/Buda Mendes

O Flamengo, com o Maracanã, cobra R$ 80 por entradas no estádio. Foto: Buda Mendes/Getty Images

Vitória cobra R$ 80 por ingressos no Barradão. Foto: Felipe Oliveira/Getty Images

Ainda sem modernizar o seu estádio, São Paulo tem média ainda elevada e cobra R$ 78. Foto: Site oficial

Com entradas mais baratas a R$ 30, Grêmio vende ingressos no valor médio de R$ 75. Foto: Getty Images

Na Arena Pernambuco, Sport cobra em média R$ 75 de seu torcedor. Foto: Renato Spencer/Getty Images

Atlético-MG, que tem a maior taxa de ocupação do estádio neste torneio, vende por R$ 72,85. Foto: FERNANDO SOUTELLO/ Agif/Gazeta Press

O Bahia vende em média os tickets por R$ 64,90. Foto: Felipe Oliveira/Getty Images

Sem o Engenhão, o Botafogo - já rebaixado - cobra em média R$ 62 pelos bilhetes. Foto: AGIF / BOTAFOGO/ DIVULGAÇÃO

O Santos, com a Vila Belmiro, cobra R$ 52 de seu torcedor no Brasileirão. Foto: Wagner Carmo/VIPCOMM

Figueirense cobra R$ 46,66 de cada torcedor. Foto: Jerônimo do Carmo/Mafalda Press/Gazeta Press

Goiás esteve um pouco acima da média da CBF, mas ainda assim com valor acessível R$ 40. Foto: Gazeta Press

A Chapecoense é o clube que menos cobrou de seu torcedor: apenas R$ 26,66.. Foto: Buda Mendes/Getty Images
Entenda o cálculo
O iG analisou os valores dos ingressos dos 20 clubes da Série A e chegou a uma média individual. Esse cálculo é uma somatória dos valores dos ingressos dividido pelo número de setores os quais eles são comercializados. O diagnóstico torna evidente a discrepância no custo desses tickets. Enquanto o Atlético-PR vende as suas entradas a um valor médio de R$ 400, a Chapecoense as coloca por R$ 26.
A diferência, sobretudo, ocorre por conta da construção das novas arenas. Das cinco equipes que cobram mais pela entrada dos torcedores, todas possuem estádios novos, são os casos de Atlético-PR, Palmeiras, Corinthians, Internacional e Cruzeiro. O rendimento do time em campo, porém, tende a determinar o sucesso ou o fracasso de bilheteria. Campeão antecipado do Brasileirão, o Cruzeiro - por exemplo - tem a média de 28.780 mil torcedores por jogo com a condição de ingressos a R$ 125,38. O Goiás (13ª), embora tenha valores mais acessíveis, obtém a baixa média de apenas 7.246 expectadores por partida.
O consultor de marketing e gestão esportiva, Amir Somoggi, aponta alguns motivos para elevação desses bilhetes e sugere a criação do season ticket no futebol brasileiro. "Os valores praticados são elevados, mas são vários os motivos para isso acontecer. O sócio-torcedor é uma realidade e ele obtém descontos, o que força o mais fiel torcedor a ter esse plano. O outro são as carteirinhas (de estudante). O operador da Arena planeja receber R$ 40 e não R$ 80, valor que é colocado o bilhete à venda. Essas duas variáveis são relevantes. Essa não é uma questão restrita ao futebol. O processo todo está equivocado", explicou ele à reportagem.
"Outra questão é que os clubes brasileiros não conseguem dissociar o preço dos ingressos do público presente na Arena e aí temos outra questão. A Europa tem a season ticket, que é a venda de um pacote de todos os ingressos do time na temporada e o preço médio por jogo acaba saindo barato. Então, se o valor é R$ 500 o pacote e o time tem 25 jogos, o valor médio cai. O season ticket é o melhor mecanismo. Na Alemanha, o maior campeonato com a média de 42 mil torcedores, o valor médio é de 24 euros, abaixo dos padrões europeus", completou o especialista.
Quando comparada a relação entre preço e taxa de ocupação do estádio, é o Atlético-MG quem lidera a lista. Com estádio com capacidade para 15 mil pessoas, o clube mineiro tem 70% de ocupação, seguido por Corinthians (65%), Criciúma (50%) e Cruzeiro (47%). O time de Mano Menezes, aliás, é quem somou a maior renda até agora na competição: o total de R$ 32.315.538 milhões.