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Clima foi tenso na La Bombonera: rivalidade faz River quase abrir mão de campeonato
Nesta quarta-feira o São Paulo precisa vencer o Atlético Nacional de Medellin por uma diferença superior a um gol. Se alcançar tal objetivo, estará em mais uma decisão internacional. Mas para conquistar pela segunda vez a Copa Sul-americana, o time do Morumbi terá pela frente um dos dois gigantes do futebol argentino.
O River Plate é o melhor time do país no momento, e poderá perder o título nacional por priorizar a Sul-americana. Sem constrangimento, o técnico Marcelo Gallardo encheu o time de jovens jogadores no jogo em que os Milionários perderam a liderança da competição - derrota para o Racing no domingo por 1 a 0.
Tudo para, na noite de quinta, levar ao Monumental de Nuñez um time mais inteiro diante do maior rival. Perder a semifinal de uma competição internacional para o Boca Juniors é inadmissível. O time mais vezes campeão da Argentina se incomoda com o fato de ter menos taças fora do país na comparação com os xeneizes.
Se o Boca soma, por exemplo, seis Libertadores, o River Plate possui apenas duas. Isso dá a noção de como a Copa Sul-americana é encarada pelo clube. Após uma queda para a segunda divisão, os Milionários recuperaram a hegemonia nacional, ganharam o título argentino e asseguraram presença na próxima Libertadores.
Um bicampeonato que parecia encaminhado agora corre sério risco justamente pela prioridade dada ao torneio internacional e devido ao duelo com o Boca. Em três rodadas, o time até então invicto perdeu duas vezes e ganhou apenas um ponto em nove disputados. E por um jogo não superou seu recorde histórico, 31 jogos sem perder.
Após nove anos, Leonardo Pisculich voltou para defender o Argentinos Juniors, que o revelou e foi rebaixado. Contratado pelos Milionários e virou dono do time. É o homem das bolas paradas e merece atenção no meio-campo, à frente dos volantes e servindo os delanteros Teófilo Gutiérrez (polêmico colombiano) e Rodrigo Mora.
Se Muñeco Gallardo começou no River e retornou neste ano como técnico, não é diferente com Rodolfo Arruabarrena. O treinador do Boca começou no time mais popular da Argentina e a exemplo de seu rival nesta semifinal, comandou o Nacional de Montevidéu antes de assumir a equipe azul e ouro. Sua missão é complexa.
O time é tecnicamente inferior ao River e considerado um dos mais modestos dos últimos tempos. É um Boca que tenta se reconstruir após a mal sucedida volta de Carlos Bianchi. El Vasco estreou como técnico do Boca na quinta rodada do atual campeonato argentino com uma vitória por 3 a 1 sobre o Vélez Sarsfield.
No gol ele conta tem a experiência do arqueiro Agustín Orion e o meio-campo é território do volante clássico Fernando Gago, que não é o veterano que muitos imaginam. Pintita tem 28 de idade, um ano mais velho que o comandante de ataque Emmanuel Gigliotti, ex-Colón, que tem apenas cinco gols no campeonato argentino.
Arruabarrena tem se preocupado com a defesa e feito treinos táticos especialmente direcionados para o jogo contra o River. Nem mesmo Orión tem merecido a confiança do treinador e Cata Díaz, seu preferido, vem falhando em meio às tentativas de compensar a juventude e qualidade discutível de defensores como Echeverría e Forlín.
Lisandro Magallán seria opção, mas lhe falta experiência. Nico Colazo é outro não inspira confiança. Arruabarrena pretende superar tais problemas com treinos especifícos. Deve sacrificar o setor criativo em prol de uma maior proteção à sua retaguarda.
Na criação, Gago trabalha muito atrás e, como se sabe, costuma desaparecer, sobrecarregando precocemente Cristian Erbes. Ele pecisa da participação do ex-corintiano Martínez como meia-atacante, contribuindo com a criatividade. Mas o "Burrito" nem sempre consegue cumprir tal papel.
Não por acaso, Aruabarrena deve fazer uma reformulação no próximo ano e o próprio deve encabeçar uma lista de dispensados. Muitos têm saudades de Riquelme, pois antes de ir embora do Boca, Bianchi mandou todos os bons enganches embora do clube, caso de Leandro Paredes, emprestado à Roma.
No River, os pontos fracos passam pelo desgaste do elenco. Mas são problemas muito menores que os do Boca. É o favorito à classificação. Mas há o desgaste de alguns jogadores-chave, como Nico Sánchez, que está à beira de um colapso físico. Mercado e Maidana também estão esgotados e preocupam o Gallardo.
Teo Gutiérrez nunca deixa de preocupar. Até porque quando se comporta dificilmente joga bem. Gallardo também se preocipa com a criatividade no meio. Ariel Rojas, Ponzio e Pisculichi não são exatamente homens criativos como ele gostaria de ter (e como foi quando jogador). Por isso o River insiste pelo centro ou abre pelas pontas em demasia, o que favorece, em tese, aos marcadores do Millo.
Um River mais forte e ofensivo, ou um Boca inferior tecnicamente, mas com maior tradição nos torneios internacionais? Qual deles chegará à final da Sul-americana?
Se for à final, o São Paulo terá um gigante argentino pela frente. Que Boca e River são esses?
Fonte ESPN
26 de Novembro de 2014
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