OFF: Soltou o verbo! Romário critica CBF e defende mudança de calendário

Em entrevista ao O Globo, baixinho também fala sobre Lei Pelé e formação de atletas

Fonte Esporte Interativo
Por falar o que pensa, Romário coleciona polêmicas em sua carreira. Em uma nova entrevista para O Globo, o baixinho não economizou nas críticas ao futebol brasileiro. Categoria de base, CBF, Bom Senso, calendário e até a Lei Pelé foram alguns assuntos citados pelo ex-atacante em seu depoimento.
O senador eleito relata que há um grave problema de formação e treinamento. Para ele, esses são alguns dos motivos que fizeram o futebol brasileiro cair de nível.
“A base do futebol brasileiro, desde de quando eu comecei a jogar, nunca teve estrutura profissional. Ter habilidade e técnica é dom. Com repetições e treinamento, você melhora isso. Na minha época, os treinadores que eu tive me incentivam a melhorar na prática, no treino. Pelo que tenho ouvido muito e lido sobre o tema aqui no Brasil, hoje os treinadores não estão tão preocupados em ter um jogador muito técnico e um jogador habilidoso. Eles querem um jogador competitivo. Eles querem força física e disposição. Obediência. Isso é o que mais importa: determinação. Por isso que a gente tem visto essa entressafra de grandes jogadores hoje. Tá longe de melhorar”, falou ao O Globo.
A Confederação Brasileira de Futebol, na visão de Romário, é uma das responsáveis por esta situação.
“A maior entidade do futebol brasileiro é a CBF. Ela tem um artigo que prevê fomentar o futebol de base e o futebol feminino. O que eles fazem para isso? Se eles têm uma obrigação estatutária e não cumprem, o que nós vamos esperar? Nosso futebol está em péssimas mãos. Não é só o fato de eles enriquecerem ilicitamente. Eles não sabem fazer p* nenhuma. Não fazem porque não sabem. Eles não têm a sabedoria de colocar ninguém que saiba do assunto. Eles não conhecem nada. Temos um exemplo agora. O Gilmar Rinaldi (diretor de seleções da CBF) não pode ser diretor do time de praia de ninguém. Gilmar não é competente para isso. Ele tem problemas com a Fifa, com o Adriano, com o Romário. Tudo por problemas da época em que ele era agente. E agora a CBF coloca o Gilmar como dirigente. A gente não vai a lugar nenhum com isso”, afirmou.
O ex-atleta també salientou que o Bom Senso é uma boa iniciativa e que devem lutar por uma mudança no calendário atual
“O Bom Senso é um grupo bastante interessante que surgiu para dar opiniões que são benéficas para o nosso futebol. Principalmente quando falam sobre o calendário, quando querem repensar os nossos campeonatos. Os jogadores não têm como render fisicamente, psicologicamente e tecnicamente com o calendário que existe no Brasil. O Bom Senso também é uma entidade que mostra a necessidade de profissionalizar o futebol. O futebol do Brasil melhora em 50% se mudar o calendário. Financeiramente falando, até mais. Não posso precisar quanto. Enquanto esse calendário não for regularizado, a gente vai sofrer”, relatou.
Para Romário, a Lei Pelé é ineficaz e atrapalha muito o desenvolvimento do futebol aqui no Brasil. Em sua visão, os clubes são muito prejudicados e que uma mudança em relação aos direitos econômicos dos jogadores deve ser feita.
“Uma das coisas que mais prejudicam o futebol brasileiro é a Lei Pelé. Não vou saber dizer quais os artigos, mas quatro ou cinco são totalmente contrários à modernidade do futebol, à melhora e, principalmente, à profissionalização. Posso adiantar para vocês: vou esmiuçar, junto com o jurídico que trabalha comigo, todas as partes dessa lei. Posso te dizer um ponto: um clube formador dá tudo aquilo que o seu jogador precisa. Chega a um determinado momento em que ele pode deixar o clube de graça. Isso é péssimo. O clube tem que ser, sim, dono de todos os direitos econômicos do seu jogador. O atleta não pode ser fatiado entre os empresários João, Pedro, etc. Hoje, um jogador é repartido em 10 pedaços. Isso não existe. Os empresários são importantes sim. Principalmente os que realmente acompanham os seus jogadores. Mas as negociações precisam ser feitas entre os clubes. De clube para clube. Os empresários podem ter comissões, mas eles não podem levar jogador de clube em clube. Eles não podem ser donos de nada. A gente tentou colocar isso no Proforte e não deixaram passar” disse.
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