Clubes brasileiros vêm se notabilizando por grandes operações financeiras para repatriar grandes estrelas. (Foto: saopaulofc.net)
Há muitos anos, os clubes brasileiros fazem vista grossa para o aumento das dívidas fiscais e trabalhistas. A chamada “Herança Maldita” é o famoso passivo, passado adiante por diversas administrações pouco comprometidas com a vida financeira de seus clubes. Diretorias de instituições de futebol, afundadas em dívidas, são constantemente vistas contratando jogadores a salários altíssimos, totalmente fora da realidade do País do Futebol. Consequentemente, as atenções do governo brasileiro se voltaram definitivamente para o caótico cenário econômico das instituições futebolísticas nacionais.
O comentarista do Esporte Interativo, Fernando Campos, concluiu que o caminho para sair dessa situação deve ser o investimento maciço na base dos clubes. Na visão do jornalista, o modelo de gestão dos clubes brasileiros ainda deve ser bastante aprimorado, e o marketing, subutilizado, usado como meio de captação de recursos.
“A primeira coisa é o investimento nas categorias de base e na estrutura dos clubes. Quando se produz o craque não é necessário que um clube faça um investimento astronômico para reforçar a equipe. Além de não precisar pagar por um jogador, o clube pode lucrar com uma possível venda futura. É preciso olhar para exemplos de administrações de clubes do futebol europeu e assim investir na profissionalização de nosso futebol. Quando se tem um olhar profissional, é possível que exista uma capacitação daqueles que trabalham com o futebol. Dentro de campo se formam atletas e fora de campo os gestores que podem equacionar as dívidas. A área de marketing precisa receber mais atenção no Brasil. Poucos são os clubes que se utilizam bem desse recurso. O Corinthians é um exemplo positivo. Ações de marketing são muito bem empregadas na Europa e podem ser de grande valia para os clubes”, disse.
A economista Patrícia Leite, presidente da empresa PJ Finance, comentou a situação financeira caótica do futebol nacional e definiu soluções viáveis para mudar este cenário atual dos clubes brasileiros.
“Quanto ao acúmulo de dividas, é fundamental cercar-se de recursos jurídicos que responsabilizem o administrador, e que efetivamente resultem em punição de natureza financeira, se comprovado dolo. Considerando que amarras jurídicas nem sempre são eficientes e seus efeitos são morosos, estabelecer um Conselho Consultivo externo, que atue preventivamente e com poderes de veto às transações que comprometam o equilíbrio financeiro. Desta forma, cria-se um mecanismo de controle e limites para a gestão”, concluiu.
Não restam dúvidas de que é pouco inteligente querer tapar o sol com a peneira. O caminho para a verdadeira mudança deve passar pela conscientização administrativa das diretorias dos clubes brasileiros. Dessa forma, poderemos presenciar e usufruir de um futebol verdadeiramente sustentável.
Pane financeira atrasa evolução do futebol no país pentacampeão mundial
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Fonte Esporte Interativo
29 de Outubro de 2014
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