Leo Barrilari/Diário SP
A saudade é grande. Mesmo próximo de sua maior paixão, Rodrigo Caio só pode espiar de longe, no CT da Barra Funda, a amada se jogar aos pés dos colegas de equipe. Recuperando-se da séria lesão sofrida no joelho esquerdo, o jogador lamenta estar distante dela, a bola.
“Não tenho ainda liberação para executar os movimentos de chute ou de corrida. Então, ainda vai demorar um pouco para eu ser liberado para fazer alguma coisa com bola”, contou Rodrigo Caio, em entrevista concedida ontem ao DIÁRIO.
Há exatas nove semanas, o São Paulo perdeu um dos seus principais jogadores nesta temporada. Foi quando o defensor começou o período de distanciamento da amada.
Na partida contra o Criciúma, ele sofreu uma ruptura no ligamento cruzado anterior. Teve de ser submetido a uma cirurgia e passou por momentos difíceis. Com apenas 21 anos, porém, soube controlar os nervos como se fosse um veterano.
“A gente sente falta da bola, mas são obstáculos que um atleta precisa superar. Eu coloquei na minha cabeça que tenho de pensar na minha recuperação, em me tratar direito e fazer as coisas certas, para conseguir me recuperar bem e voltar melhor ainda ao futebol”, afirmou o camisa 3, que só jogará novamente em 2015.
“Dá muita saudade de atuar. É o que a gente mais ama fazer. Escolhi isso para a minha vida: ser jogador de futebol”, completou o jovem beque.
Logo após a cirurgia, Rodrigo Caio iniciou o trabalho de fisioterapia. Agora, vai para o Reffis do CT da Barra Funda em dois períodos diários. Para atenuar a dor, o zagueiro contou com a ajuda dos familiares, que vieram de Dracena, no interior do estado, para acompanhá-lo.
Experiente/ Logicamente, uma lesão nunca é bem-vinda para qualquer pessoa. Mas, no caso de Rodrigo Caio, o problema ganhou uma proporção ainda maior por causa do seu bom momento no clube.
Quando se machucou, o versátil zagueiro, que se profissionalizara como volante, era titular da equipe. Muitos davam como certa a sua transferência para o futebol europeu. Aliás, no Velho Continente, chegou a ser comparado a Kaká e Dunga.
Com a experiência de quem superou uma grave lesão nas categorias de base (fraturou a patela do joelho), porém, ele espera voltar ainda melhor para reencontrar o seu amor, a bola.
ENTREVISTA
DIÁRIO_ Como foi psicologicamente esse momento de recuperação longe dos campos?
RODRIGO CAIO_ O primeiro momento é sempre de choque. Eu já passei por isso uma vez (quando se lesionou na base) e sei muito bem como é. Até por isso, acho que foi mais fácil. Encarei com mais tranquilidade. Mas ninguém tem sangue de barata. Triste e p... da vida, todo mundo ficaria, porque é a paixão que eu tenho, o que escolhi para minha vida. Então, a tristeza sempre vem, mas tenho de me fortalecer.
Existem dias mais difíceis...
Com certeza. Tem dia em que você fica desanimado, bate aquela tristeza e a insegurança sobre como vai ser, como eu vou voltar. Mas tenho de ser forte e estou sendo. Acredito muito na minha recuperação. Vai ser um período longo, mas acredito que eu vá voltar bem.
Já pediu conselhos ao Kaká?
Conversei bastante com ele. A gente tenta perguntar as coisas, sobre como foi nos clubes em que ele passou. É um cara em quem a gente se espelha muito. Não só pelo jogador que é, mas também pela pessoa. A gente vê o cara diferente que ele é. Estamos felizes de tê-lo conosco, de aprender um pouco e conviver com uma pessoa maravilhosa. Espero que ele permaneça por muito tempo, porque vai acrescentar bastante.
É grande a responsabilidade de ser comparado a ele?
Com certeza, pois é um cara que conquistou tudo por onde passou. Não tem comparação. Fico feliz, mas mantenho os pés no chão. Sei que tenho de comer muito arroz com feijão para chegar aos pés dele.
O que mais dói: não jogar com o Kaká, ficar fora da despedida do Rogério Ceni ou permanecer longe da bola?
De tudo um pouco. Mas o principal é ficar sem fazer o que mais amo. Quando saí de casa, aos 12 anos, o meu sonho era jogar bola. Mas são obstáculos que temos de passar e, independentemente disso, a felicidade vai ser a mesma, por jogar em um grande clube e por ter pessoas queridas ao meu lado.
São-paulino Rodrigo Caio está com saudade da bola
Ele só pode espiar de longe, no CT da Barra Funda, a amada se jogar aos pés dos colegas de equipe
Fonte Diário de São Paulo
10 de Outubro de 2014
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