Ainda sem saber como será veto, investidores já têm planos para driblar Fifa

Comprar um clube, se vincular a um ou dois times ou mudar direito econômico para direito creditório estão entre as opções estudadas pelo grupo DIS para se manter atuante no futebol

Fonte IG
Reprodução
Roberto Moreno, diretor-executivo do grupo DIS, encara veto a investidores como "muito ruim" ao futebol

A Fifa ainda vai divulgar como funcionará a regulamentação que veta a participação de investidores nos direitos econômicos de jogadores. Mas uma coisa é certa: não passa pela cabeça dos empresários deixar o futebol. Mais que isso, eles já têm planos para driblar as novas regras. Foi o que afirmou ao iG Esporte Roberto Moreno, diretor-executivo do grupo DIS, que tem participação em 110 atletas atualmente.
“Nós temos três opções que vamos examinar. A primeira opção é comprar um clube de futebol. Mas, para que este clube não seja considerado hospedeiro, nós temos que comprar um clube que efetivamente esteja atuando no futebol. Temos que ter muita cautela na hora de comprar, examinar se tem divisão de base, se está disputando campeonato…”, disse Moreno.
Equipes hospedeiras são aquelas que servem apenas para que jogadores sejam registrados e então emprestados a um time maior, uma vitrine. Devido a compras e vendas de atletas em um curto período por valores muito superiores, a Fifa puniu o Sud América, do Uruguai (multa de 40 mil francos suíços - R$ 100 mil - e proibição de negociar nas duas próximas janelas de transferências), além de Central Córdoba, Independiente (cada um em 50 mil francos - R$ 125 mil), Rosario Central (20 mil francos suíços - R$ 50 mil) e Racing Club (15 mil francos suíços - R$ 62,5 mil), da Argentina.
No Brasil, por exemplo, o Coimbra Esporte Clube pertence ao Banco BMG e tem jogadores mais bem avaliados que Palmeiras e Flamengo, embora dispute apenas a segunda divisão mineira. Entre os atletas "com passagem" pelo time estão Paulinho, ex-Corinthians e hoje no Tottenham, Willian e Ricardo Goulart, ambos do Cruzeiro.

Washington Alves/Getty Images
Um dos craques do Brasileirão, Ricardo Goulart "tem passagem" pelo Coimbra Esporte Clube

“A segunda opção é fazer como a Europa está fazendo: uma cessão de direitos creditórios”, prosseguiu o diretor do DIS. “É a mesma coisa [que direito econômico]. Só trocou o nome. Do que for pago pelo atleta em uma eventual venda, eu tenho direito a 20%”, explicou, usando uma compra de supermercado para explicar.
“Eu recebo compras com cartões de crédito. O cartão tem um prazo de 30 dias para receber o crédito que um cliente fez na minha loja. Isso gera um crédito que é abstrato, mas eu tenho um atraso. Nesse período, posso vender meu direito creditório para um banco ou para a operadora de cartões. Da mesma maneira eu posso fazer com um time. ‘Olha: o que tiver de lucro, de atividade de crédito com a transação desse atleta, você tem direito a 20%, 15%, 10%’. Não tem nada a ver com a Fifa. Está envolvendo indiretamente o atleta, mas está envolvendo um crédito de contrato de natureza mercantil”, falou Moreno.
Segundo o executivo, essa forma de driblar a Fifa funciona, pois a entidade cuida apenas de direito desportivo e não pode interferir na constituição dos países. No entanto, a Fifa poderia prever essa hipótese em seu regulamento e, como consequência, até tornar o registro do atleta irregular.
“E a terceira solução é ir diminuir o número de atletas e ficar vinculado só a um time ou a dois times, com um contrato específico para eles”, concluiu Moreno, citando um caso semelhante às parceiras que o Fluminense tem com a Unimed e que a Parmalata já teve com Palmeiras e Juventude.
Ao mesmo até agora, o investidor nega a possibilidade de simplesmente parar de trabalhar com futebol. “Deixar se investir não é opção, porque é um hobby dos irmãos Delcir Sonda e Edir Sonda. Hoje, a DIS é deficitária. Eles estão só pondo dinheiro. Tem um ativo grande? Tem, isso eu não vou mentir para você. Tem um ativo bem significativo, mas hoje a DIS é deficitária”, explicou o diretor.
De acordo com estudo da consultoria KPMG, cerca de 80% dos jogadores de times da Série A do Campeonato Brasileiro têm seus direitos econômicos fatiados entre empresários ou fundos. Como parte interessada, Moreno avaliou que a saída dos investidores seria muito ruim.
Proposta prevê transição de cinco anos
A Fifa irá ouvir um grupo técnico para definir como será efetivamente colocada em prática a regulamentação que determina o veto aos investidores. Membro desta equipe especializada, o advogado Marcos Motta afirmou que o ideal é que a transição se dê ao longo de cinco anos, justamente para que os clubes não sofram.
“Se alguém assinar hoje com um investidor, um contrato de jogador pode no máximo ter cinco anos no Brasil. Ao final de cinco anos o jogador está livre, então acabou o direito econômico, ou já foi liquidado e o jogador foi vendido antes disso. Então, o prazo de cinco anos, tecnicamente falando, seria inteligente. Para que houvesse ou a realização do ativo do investidor junto ao clube ou o fim do contrato de trabalho do jogador, e o direito econômico viraria pó”, afirmou Motta.
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