Um dos grandes responsáveis por fazer o 'quadrado mágico' do São Paulo funcionar é Denilson. É o volante de 26 anos que faz o trabalho sujo e arredonda a bola para Kaká, Ganso, Kardec e Pato trabalharem em paz.
A fase atual de Denilson é ímpar. Três anos depois de voltar ao Brasil ele, finalmente, encontrou seu jogo. Deu ao time comandado por Muricy Ramalho a consistência necessária, na saída de jogo e na proteção à defesa. Prova disso é o seu desempenho na Bola de Prata.
Em entrevista à PLACAR, Denilson fala sobre a sua participação no esquema são-paulino; elogia Kaká, a quem tem como referência; lembra dos tempos de Arsenal e até brinca com a resistência de Arsene Wenger no Arsenal, a despeito da falta de títulos: "No Brasil ele não duraria muito."
Com apenas 12 jogos, bem menos que seus principais concorrentes, você já é o terceiro colocado entre os volantes na disputa pela Bola de Prata. O que mudou da versão 'Denilson 2013' para a deste ano?
Estou vivendo um momento fantástico. Não desaprendi a jogar bola, não fiquei tanto tempo no exterior à toa. Muitas coisas aconteceram comigo nos últimos anos: sofri lesões, tive problemas pessoais. Hoje, porém, estou mais maduro, mais pronto. Tenho trabalhado muito. Só estava esperando a minha oportunidade.
Para você, um primeiro volante, é mais engenhoso atuar com quatro jogadores tão ofensivos à sua frente, como Kaká, Ganso, Kardec e Pato?
Eles ajudam muito na marcação, ocupam os espaços. O Pato está numa crescente muito boa. O Kardec é centroavante nato, mas se esforça muito na marcação. O Ganso também, é um cara dedicado.
O Kaká é um exemplo. Chega cedo para treinar, se cuida, é humilde. Mesmo tendo sido o melhor do mundo, corre como poucos em campo. Ele é modelo para todos nós, especialmente para os mais novos.
Kaká fica no São Paulo até 2015, quando se mudará para os Estados Unidos | Crédito: Friedemann Vogel / Getty ImagesQuando voltou ao Brasil, em 2011, você chegou admitir alguma dificuldade com o ritmo jogado aqui. E agora, passados três anos, tem alguma queixa?
Hoje estou tranquilo. Tive muitos problemas com cartões em meu retorno ao futebol brasileiro, isso me prejudicou. Hoje sou um jogador bem mais regular. E é isso que quero manter.
Você ficou cinco anos no Arsenal, jogou Premier League, Liga dos Campeões, mas acabou não ficando. Se arrepende dessa decisão?
Eu não fiquei no Arsenal porque não quis. Pedi ao (Arsene) Wenger (técnico do Arsenal) para voltar porque queria acompanhar o nascimento da minha filha. Vim por empréstimo (Nota da Redação: Em 2013, o São Paulo exerceu o poder de compra em definitivo de Denilson). Estou feliz no São Paulo.
Ganhei muita experiência na Inglaterra. Infelizmente não ganhei títulos, mas agredeço muito pelas coisas que passei lá.
Sua relação com o Wenger, era boa?
Ele é um grande homem, só tenho a agradecer pelo que fez por mim nesses anos.
O Wenger está há 18 anos no Arsenal e, neste período, ganhou poucos títulos, mas, mesmo assim, é conservado pela diretoria do clube. Acha que ele teria vida longa no futebol brasileiro, onde é comum demitir técnico?
Ah, no Brasil ele não duraria muito não. Aqui, perde-se três jogos consecutivos e já não serve mais. Lá fora é uma outra realidade, existe uma tolerância maior com o técnico.Só o Wenger sabe qual será a hora dele sair do Arsenal.
Seu 'sonho europeu' está encerrado aos 26 anos?
Gosto de viver o meu presente. Tenho contrato com o São Paulo até 2017. Não sei o que pode acontecer depois.