O domingo que nos tornou campeões? - Layla Reis

Fonte SPFC.Net
Inicio este texto ainda perplexa pela notícia da demissão do ex-presidente Juvenal Juvêncio pelo atual mandatário Carlos Miguel Aidar. A atual diretoria mostra fazer a diferença dentro e fora de campo.
Passando pelo momento de pasma, vamos falar de futebol.
Daquele mais belo e bem jogado futebol que erradia um sorriso em cada São Paulino nessa segunda-feira com cara de sexta(de tão feliz). Prestemos atenção no dia em que deixamos de ser denominados como quarteto fantástico e, enfim, nos tornamos um time completo.
A emoção começou cedo
Antes dos nossos guerreiros subirem ao gramado, 58mil pessoas já saíam de suas casas cedo com o mesmo intuito: lotar o Morumbi. Pensem comigo, 58mil pessoas diferentes acordaram cedo, confiantes, sorridentes, otimistas e cheios de expectativas para seguirem o mesmo caminho em um único destino. Parabéns a nós! Fizemos bonito! Demos um show! Sintonia única!
Uma hora da tarde e todas as ruas ao redor do estádio já estavam movimentadas, lotadas, com músicas motivacionais e bandeiras por toda parte. Às 15h, na espera pelo ônibus dos jogadores, um mar de gente se aglomerou na praça Roberto Gomes Pedrosa. Era um aglomerado sem fim, de três cores, emocionado e cheios de vibrações. Como que já ensaiados cantavam juntos: Vai lá, vai lá, vai lá, vai lá de coração! Vamos, São Paulo! Vamos São Paulo, Vamos ser campeão!
Enfim, o ônibus chegou.

Nós só aceitaríamos sair de lá com a vitória. Três pontos nunca nos valeram tanto. Tínhamos à nossa frente o time que estava "desbancando" geral desde o ano passado. Só haviam duas opções: curvar-se ou derrubá-los.
Normalmente você fica no estádio esperando os jogadores entrar e escutando no fundo bem baixinho uma seleção de músicas escolhidas pelo Rogério Ceni. Quando toca ACDC, sabemos que o tricolor entrará. Domingo foi diferente, não teve musiquinha, de repente os sonos dos sinos de "Bell Hells" ecoaram nos falantes do Morumbi, a emoção contagiou o ambiente em clima de tensão, São Paulo e Cruzeiro entraram juntos em campo.
E aí nossa torcida puxa a escalação, nome por nome sendo homenageado. Fizemos uma pausa nos gritos em respeito ai Hino Nacional, mas sabem aquela parte do "A imagem do Cruzeiro resplandece"? Pois é, a torcida azulina cantou com toda força esse trecho, nos provocou por cima do hino mesmo começamos a vaiá-los e continuamos com a escalação.
Lindo ver quase 60mil pessoas unidas cantando "O Ganso vem aí e o bicho vai pegar", "Deixou de ser galinha pra jogar no Tricolor, Pato". Homenageando Muricy e todos os outros. Sério, o coração já estava acelerado e o juiz ainda nem havia iniciado a partida.
Apita o árbitro, bola rolando. Façam o sinal da cruz, orem para o seus Deus e torçam: nos próximos 90 minutos todos os desfibriladores devem estar em mãos para nossos ataque cardíacos.
Pato jogou demais. Pegava na bola, era um perigo. Recuperava todas, lutava por cada lance, fazia a finta, deixava quem estivesse na cara do gol. E o primeiro a ter esse privilégio foi o Maestro que - pasmem vocês - chutou de fora da área na tentativa. Sim, este é um novo Ganso muito melhor do que o de 2010.
Dai, no começo do primeiro tempo, Rogério lança a bola para o Auro. Ou pelo menos, essa era intenção. Alisson rouba a bola, adianta para o Ricardo Goulart que vem em posição legal, enxerga Ceni adiantado do gol e tenta dar aquele toquinho alto por cima do Mito. O coração gelou. Mas a bola passa pelo travessão acima do gol. A sorte também está a nosso favor (e de novo).
Mas isso não foi nada. Ainda teve aquele lance que o Marcelo Moreno ajeitou pro Ricardo Goulart bem posicionado, chutou na cara do Rogério e...defesa no estilo Mundial contra o Liverpool. Uma defesa de tirar o chapéu, daquelas que explica o apelido de mito. Ceni tirou no cantinho do gol, com o braço estirado, o último dedo da mão esticado. Era só o começo do nosso orgulho.
Auro está aprendendo a marcar mas seu forte é o ataque, o avanço. Na defesa, no começo do jogo, pecou em lances falhando em puxar a marcação do time. Mas logo se ajeitou, daí não teve pra ninguém, ficamos redondinhos.
Depois de dois lances de "ataque" do Cruzeiro, o mesmo erro de lançamento que tivemos no começo do jogo, aconteceu com o Fabio. Ganso recuperou a bola e sem piscar já tocou pro Kardec, o time avançou com velocidade - que orgulho de movimentação! - e Pato já apareceu pra receber, Kardec passa pro cara que deixou de ser galinha pra jogar no tricolor. Ganso correu que nem condenado e já aparece do lado pra receber de Pato, vai fazer a finta pro Pato que já espera pra matar e... pênalti! Penalidade máxima! Dedé - que já tinha amarelo e não foi expulso - leva Ganso ao chão.
O Morumbi tremeu. O Mito vai bater. Atravessa o campo primeiramente pra brigar com o juiz. Cartão amarelo pro Kaká por reclamação. Não importa, vai sair gol. Rogério ajeita. "..ta que pariu! É o melhor goleiro do Brasil". É claro.. GOOOOOOOOOOOOOOOOOOLLL!!
Comemoramos tanto, mas tanto, que até o lado leste da cidade sentiu e já está de emocional abalado para domingo que vem. Seeegura!
Ah, Fabio... eu fico pensando o que passou na sua cabeça quando viu Ceni atravessando o campo para bater o pênalti. Fico aqui viajando "Como o cara deve se sentir? Todo jogo leva um gol do Mito!". Foi só pra garantir a zoeira da semana, né?
E aí você os vê comemorando cheio de garra. Kaká pulando, Kardec abraçando, o Ganso tá com cara de guerrilheiro e o mito emocionado. E 58mil pessoas também estão gritando e pulando sem parar. Porque eles sabem e nós sabemos que não é apenas um gol é a luta de todo o restante do campeonato em um pênalti. O futuro líder 1 x 0 queria-ser-bicampeão-sqn.

Intervalo. Quinze minutos para respirar, beber uma água e torrar no sol de 33 graus que enfrentamos por amor ao tricolor. Tava calor pra caraca! Teve gente passando mal nas arquibancadas e a PM ajudou.
Vamos falar de time, não de quarteto
Edson Silva e Tolói. Ah, vocês se acharam e merecem o parabéns mais sincero de toda essa nação. Salvaram bolas perto do gol, transmitiram confiança à nossa defesa. Nada passou, ninguém se perdeu. Vocês seguraram o Cruzeiro. Temos uma defesa de garra que joga com amor e sua a camisa. Meus parabéns. E ainda por cima, acompanham o time na movimentação, fazem lançamento e quase sempre compõem o ataque junto. Cara, que impressionante. Não tenho palavras!
Àlvaro com seus carrinhos, Áuro com suas tabelas e arrancadas. Denilson-recupera-bolas, Souza um esplendor. Ah, eu não sei o que falar, há muito tempo não ficava sem saber me expressar de tanto orgulho: Parabéns, parabéns!
Kardec quase fez um. Recebeu um cruzamento do Kaká, matou no peito e a bola bateu no travessão. Tá com cara que vai vir mais um gol e veio.
Dele, exatamente dele que tava querendo desde o começo. Escanteio, Ganso cobra, a bola voa pela área, sofre um desvio e vem de prato cheio pro Kardec porque "Ninguém cala esse chororô, chora a presidente, chora a torcida, Kardec é tricolor!
Uma explosão no Morumbi! O chão tremeu! Três pontos garantidos, pode vir pra cima que a gente segura. Ainda estamos esperando "a imagem do Cruzeiro resplandecer". Cantamos todos juntos em homenagem à uma torcida que chegou barulhenta e foi embora antes do fim do jogo e calada: NOSSO FREGUÊS VOLTOOOOOOUU!
Encerram os 90 minutos e a comemoração toma conta de todos nós. Os jogadores se unem no meio de campo, põem as mãos para o alto e agradecem a torcida. Chorável, emocionante. Eles dedicaram o jogo a nós e estão transmitindo a mensagem: o campeonato começou de verdade, quero ver quem segura. Essa foi a cena mais marcante do dia, o agradecimento de todos os nossos guerreiros.
E como nossa forma de resposta, cantamos a saideira: Guerreiro! Guerreiro! Time de Guerreiro!.
Derrubamos o líder, o favorito, o inalcançável. Todos os jornais nos apontam como possíveis campeões. Calamos a boca, estamos voltando a impor respeito. Devemo agradecer e parabenizar uma pessoa: Muricy Ramalho, aluno do eterno Mestre Telê.
Temos o Coxa pela frente no Couto e domingo, todos sabemos, é dia de clássico contra a galinhada no estádio do governo. A emoção não acabou e o campeonato está apenas começando para nós.
Mas finalmente, depois de muitos anos, podemos estufar o peito e dizer: podemos ser campeões. Não por um jogador apenas - como foi o Lucas em 2012 - mas sim, porque temos um time formado, bem preparado, unido e focado.
Meu bom-humor está garantido pela semana inteira. Declaro amor ao SPFC de todas as formas possíveis.
Domingo que vem, a galinhada que nos aguarde. Faltam quatro pontos para a liderança. #RumoAoHepta
PS: Por favor, não cantem "O Campeão voltou" todo jogo no estádio. Vamos guardar pra Dezembro?
PS²: Um #chupa pra quem falou mal do Ganso em 2012.
PS:³

Cada vez eu concordo mais.
PS-4:
Seu pé quente danadinho! Valeu pela força! (risos)
PS-5: Eu pagaria a multa do Pato.
Agora sim, voltemos a ficar perplexos com a demissão do Juvenal.
Layla Reis https://www.twitter.com/laylarps
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