Fritura de filha, reforma do Morumbi e cabeça de Juvenal: bastidores da guerra no São Paulo

Fonte ESPN
REPRODUÇÃO ESPN
Após quase 10 anos vivendo praticamente em paz no que diz respeito à política, o São Paulo está novamente em guerra. As fortes declarações do presidente Carlos Miguel Aidar contra Juvenal Juvêncio, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo nesta semana, foram a gota d'água em um ambiente que virou uma bomba-relógio desde a eleição do atual mandatário.
Conforme apurou o ESPN.com.br com vários conselheiros do clube, os bastidores tricolores estão fervendo. A demissão da filha do cartola, a reforma do Morumbi e até a cabeça do ex-presidente colocada a prêmio são os principais pontos que têm agitado o São Paulo. Desde o dia em que assumiu, Aidar tem governado de forma independente.
Já era de conhecimento de parte da cúpula são-paulina que Juvenal não ia "largar o osso" apenas saindo da presidência. Mesmo com problemas de saúde, o ex-presidente pensava que colocando um aliado como era Aidar seria o ideal para seguir no poder à distância, mas se enganou.
Com personalidade forte, Aidar tem freado as tentativas de Juvenal seguir mandando no São Paulo. Incomodado, o ex-presidente conseguiu dar uma forte cutucada em Carlos Miguel com a demissão de Mariana Aidar, filha do cartola e ex-agente Fifa, que pediu para sair do cargo de assessora da presidência após ser fritada com boatos de que teria envolvimento em transferência de jogadores.
Chegou aos ouvidos de Aidar que os boatos vazados à imprensa foram inventados por gente ligada ao ex-presidente, fato que o deixou furioso. O atual presidente também está incomodado com o trabalho de Juvenal junto às categorias de base - ele atualmente é o diretor do departamento.
Na semana passada, o atual mandatário teria deixado a prêmio a cabeça do ex-aliado ao dizer para gente próxima que vai demitir Juvenal Juvêncio do cargo assim que acontecer o primeiro escorregão. No entanto, alguns membros do Conselho ouvidos pela reportagem duvidam que isso realmente vá ocorrer.
Aidar quer sacudir o São Paulo com a demissão de diversos funcionários comuns para enxugar a folha salarial. Na entrevista dada a Folha, o recado do presidente foi claro e, segundo aliados, endereçado a algumas pessoas específicas. Alguns diretores ligados a Juvenal vão cair.
Nas entrelinhas, a revolução feita por Aidar contra Juvenal Juvêncio tem teor político. Detonando o ex-mandatário, o presidente arriscou ganhar o apoio da oposição para ser aprovada a reforma do Morumbi, um dos principais objetivos do cartola, em votação que será realizada no final do ano.
Por outro lado, a guerra que se estabeleceu pode atrapalhar o pleito, já que os aliados de Juvenal podem simplesmente ir contra Aidar apenas para agradar o ex-presidente. A princípio, não dá para prever se o mandatário acertou a tacada. Os resultados virão nas urnas.

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