Antigos aliados políticos, Carlos Miguel Aidar e Juvenal Juvêncio entraram em rota de colisão abertamente e o choque entre o presidente e seu antecessor ainda não pode ser calculado. Existe a ameaça do São Paulo rachar politicamente, especialmente quando Juvenal vier para o contra-ataque à entrevista dada por Aidar à Folha de São Paulo onde o atual chefe do clube disse que "o São Paulo parou no tempo".
As duras críticas ao antecessor pegaram até mesmo seus aliados de surpresa, mas não foi um movimento repentino, pelo contrário, o golpe e seus efeitos foram previamente calculados e fazem parte de uma ofensiva para dizimar a ascendência que Juvenal ainda tem em parte do Conselho.
A situação financeira preocupante do São Paulo foi apenas o estopim, mas Aidar há tempos tem se incomodado com o que enxerga como interferências de Juvenal na forma de administrar o clube. Desde que assumiu, adotou uma severa política de redução de gastos e cortou a viagem dos conselheiros a jogos do time pelo país, o que gerou uma saraivada de críticas internas. O ex-presidente tentou interceder nessa e em outras questões, fragilizando a ligação entre eles.
Aidar, então, passou a articular no conselho se teria forças para uma ruptura. Aproximou-se da ala oposicionista, que deu sinal verde e disse aceitar as mudanças administrativas sugeridas, e bombardeou Juvenal, que ainda é diretor das categorias de base do clube, mas deve deixar o cargo.
"Quando era candidato, via o estilo com o qual o São Paulo era gerido. Me levava a uma preocupação: de gestão centralizada, não participativa, sem modelo de mecanismos de controle. Pedi o organograma de controle, não tem. Me deixou bastante aflito. Encontrei o São Paulo muito pior do que imaginava, acostumado a benesses, com pessoas acostumadas a vantagens. Era comum ver diretor andando pelo clube com pacote de ingressos na mão para show, para jogo, distribuindo para sócios", disse Aidar.
TRAIÇÃO
Juvenal está em casa estudando como responder às críticas e já levanta aliados para um eventual confronto aberto contra Aidar. O ex-presidente - que sucedeu Aidar em 1988 e depois o transformou em sucessor no ano passado - se considera traído pelas declarações, especialmente pelos ataque à gestão financeira do clube. Curiosamente, o presidente manteve Osvaldo Vieira de Abreu no cargo de diretor financeiro.
Entre os conselheiros, o clima é de animosidade. "Espero que isso não se torne uma guerra, o São Paulo não pode ser palco de uma batalha de egos", disse um conselheiro ligado a Juvenal. "Falam que o Juvenal é vingativo, mas Carlos Miguel é muito mais; ele comprou uma briga que talvez não consiga vencer."
Juvenal escolheu Aidar a dedo para sucedê-lo em uma das mais acirradas eleições dos últimos tempos no clube e usou toda a força da máquina de governo para garantir o sucesso no pleito. O Estado tentou contato com o ex-presidente desde a manhã, mas sem sucesso. Aidar está em Brasília na posse do ministro Ricardo Lewandowski com presidente do Supremo Tribunal Federal. Às 22 horas, o São Paulo enfrenta o Botafogo pela 20ª rodada do Campeonato Brasileiro, também na capital federal.
"Não quis polemizar, apenas passar recados claros", disse o presidente ao Estado.
Críticas de Aidar tentam afastar Juvenal do São Paulo
Entrevista foi primeiro passo para minar força política do antecessor no clube; oposição negociou apoio e há ameaça de racha
Fonte Estadão
10 de Setembro de 2014
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