
Foto: Alex Livesey / Getty Images
É fato que, nos últimos anos, alguns jogadores que vieram como promessa de La Masía – como é chamada a academia de jovens valores do Barça – não vingaram como esperado. Também é verdade que, na época de Guardiola, jogadores formados em casa tinham mais espaço do que atualmente. Mas vários fatores contribuíram para que o time investisse mais no mercado do que na base na atual temporada. Veja cinco motivos pelos quais a "cantera" dos catalães está longe de enfrentar uma crise de verdade.
1. Guardiola tinha menos pressão para implantar sua filosofia
A ideia de que o Barcelona é um time que forma seus craques em casa ganhou força com a "Era Guardiola" – entre 2008 e 2012, o treinador veio do time B, montou seu time em torno de atletas que cresceram em La Masía e conquistou títulos em série, jogando um futebol ao mesmo tempo bonito e competitivo. Mas o projeto de Guardiola só foi possível porque o treinador tinha bem menos expectativa sobre si quando começou seu reinado: o clube vinha de uma temporada sem nenhum troféu sob o comando de Frank Rijkaard, e vivia uma reformulação com a saída de nomes como Deco e Ronaldinho.
O novo treinador apostou alto em atletas como Pedro e Busquets, mas atualmente não é tão fácil para um treinador formar um time de desconhecidos para a torcida, "mal-acostumada" pelo sucesso do próprio Guardiola e sedenta por retomar o trono da Europa dos "gastões" Real Madrid e Bayern de Munique. Consequentemente, a participação de atletas da base no time atual é menor. Ainda assim...
2. É possível montar um time só com atletas da base no elenco principal
Em 2012, já sob o comando de Tito Vilanova, o Barcelona venceu o Levante pelo Campeonato Espanhol com um time titular formado por 11 atletas criados na base. O feito foi alardeado como histórico, mas poderia facilmente se repetir com o elenco atual. Dos 24 jogadores registrados no elenco principal da temporada 2014/15, metade é oriunda de La Masía. Se quiser ou precisar, o técnico Luis Enrique pode escalar um time com Masip; Montoya, Piqué, Bartra e Alba; Busquets, Xavi e Iniesta; Rafinha, Messi e Pedro. Ainda ficaram de fora o meia Sergi Roberto e os atletas do time B que podem jogar na equipe principal, como Munir e Sandro.
3. Nunca o Barcelona gastou pouco em janelas de transferências
O valor pesado de 168 milhões de euros gastos na atual janela de transferências chama a atenção, mas um olhar mais atento mostra que o Barcelona não está fazendo nada muito fora de seus padrões. Em nenhuma temporada, desde que Guardiola assumiu, o clube gastou pouco. Logo no ano de estreia, em 2008/09, foram 88 milhões de euros em nomes como Piqué, Daniel Alves e Keita; no ano seguinte, 85 milhões mais Samuel Eto'o pela chegada de Ibrahimovic e Maxwell, por exemplo. O fato de o Barcelona ter investido pesado para a atual temporada não implica necessariamente em crise na base. Além disso, a cifra atual foi inflada pela contratação de Luis Suárez, que, sozinho, custou 81 milhões de euros (veja quadro completo abaixo).

4. Montoya está longe de ser fiasco, e pode ser o futuro
Foto: David Ramos / Getty ImagesA ideia inicial do Barcelona era contratar Douglas, deixá-lo emprestado ao São Paulo e contar com ele só no ano que vem, quando acabasse o contrato de Daniel Alves – porém, a proibição de registrar jogadores em 2015, imposta pela Fifa, frustrou o plano. Douglas é visto como possível substituto do compatriota por ter as mesmas características de jogo, mas o Barça já tem outro lateral cotado para assumir a posição: Martín Montoya, criado na base desde os oito anos, e membro do time principal desde 2012.
Titular em 2010 sob o comando de Luis Enrique no Barcelona B e bicampeão europeu Sub-21 como titular pela Espanha, o lateral direito já tem mais de 50 jogos pelo time principal e está longe de ser fiasco. Atualmente com 23 anos, Montoya nunca será um craque; mas tende a ser ele, e não Douglas, o "plano A" para suceder Daniel Alves.
5. Há talentos "perdidos", mas também grandes promessas
É óbvio que La Masía não é uma fábrica perfeita de talentos, que produz craques em série de forma infalível. Muitos nomes que saíram da base do Barcelona não vingaram como esperado – o caso mais clássico é o de Bojan Krkic, que bateu recordes de artilharia no time B e hoje defende o Stoke na Inglaterra. Nomes como Cuenca e Jeffrén não renderam e foram vendidos; já Thiago Alcântara mostrou potencial, mas se irritou com a falta de oportunidades e saiu para o Bayern de Munique.
Ainda assim, o cenário atual conta com nomes promissores: o descendente de marroquinos Munir El Haddadi é a sensação do time, e os jovens Tello e Deulofeu (que passarão a temporada emprestados a Porto e Sevilla) são também exemplos que mostram que, apesar de não viver mais seu apogeu sob os cuidados de Guardiola, a base do Barcelona ainda é uma das melhores do mundo.