Kaká tem sido discreto no São Paulo. Não se pode dizer que o meia teve atuações ruins, mas ele tão pouco tem correspondido às expectativas que cercam seu retorno ao clube. Apesar de jogar em outra função com Muricy, o ídolo mostra o mesmo nível que vinha apresentando na Itália, o que, se não é ruim, também não empolga, já que a comparação é com sua segunda passagem pelo clube,não a primeira, quando atuou em um nível que lhe rendeu o prêmio de melhor jogador do mundo.
A esperança do técnico são-paulino de que o ex-melhor do mundo faça diferença no ataque é grande, tanto que ele tem escalado Kaká mais aberto e mais à frente. No Milan, ele atuava centralizado e até recuado, armando o time, como mostram os mapas de calor.

No Milan o meia atuava mais centralizado; no São Paulo, ele atua pelos lados
Numa equipe incisiva e de contra-ataque como a tricolor, as funções pelo lado do campo dão ao meia maior participação enquanto a bola rola - no time italiano ele tinha uma média de 40 passes por jogo; no Brasil são 47 -, porém os resultados práticos são basicamente os mesmos.
No Velho Continente Kaká tinha a marca de um gol a cada quatro jogos. No São Paulo, em quatro partidas, balançou as redes uma vez. O número de finalizações também se mantém o mesmo: duas a cada 90 minutos. Sem nenhuma assistência ainda no Brasileiro, na Itália elas aconteciam a cada cinco jogos. Ou seja, ele ainda terá clássico contra o Santos para tentar dar um passe para gol e confirmar sua média.
Com o time tricolor num bom momento, vindo de três vitórias seguidas e uma ótima apresentação diante do Internacional em Porto Alegre, Kaká segue coadjuvante quando deveria ser protagonista. Segundo dados da Footstats, ele está na média da equipe em praticamente todos os quesitos, como cruzamentos, finalizações, passes certos e lançamentos.
No jogo contra os gaúchos, quando os paulistas se posicionaram atrás após abrir o placar, o meia conseguiu arriscar mais e lançou quatro bolas ao ataque - a média da equipe é 1,5 por partida. Nos outros quesitos, ele tem se aparecido bem na defesa, acompanhando o lateral adversário e mantendo ao menos quatro desarmes quando entra em campo.
Kaká ficará no São Paulo apenas até o final do ano, um período curto, mas no qual se espera uma evolução que ele ainda não mostrou desde a Copa de 2010. Apesar de ser poupado algumas vezes, os números mostram que ele não está mal, mas sim mantendo o nível que apresentou na sua volta ao Milan. O problema é que, continuando assim, não será o jogador decisivo que Muricy espera.