Os números frios mostram: a Copa Sul-Americana pode mesmo ser mais rentável que a Copa do Brasil. Mas colocando as contas no papel, a história é bem diferente. "Só vejo duas possibilidades se alguém fez a escolha de jogar a Sul-Americana: uma necessidade muito forte de visibilidade internacional ou burrice", resume João Paulo de Jesus Lopes, atual vice-presidente administrativa do São Paulo.
As contas não são tão complexas. Somando todas as fases, o campeão da Copa do Brasil coloca nos cofres R$ 6.190.000. O campeão da Copa Sul-Americana embolsa 2,235 milhões de dólares, ou quase R$ 5,08 milhões, considerando o dólar na cotação de 2,27. A esse valor, porém, ainda se soma mais R$ 1 milhão pela participação nas três primeiras fases da Copa do Brasil (casos de São Paulo, Internacional e Fluminense) e ainda o valor para a participação em mais duas competições, a Recopa Sul-Americana e a Copa Suruga (em torno de 300 mil dólares, ou mais de R$ 681 mil, cada).
Na total, o campeão da Copa Sul-Americana pode ganhar algo em torno dos R$ 7,5 milhões, cerca de R$ 1,3 milhão a mais do que o campeão da Copa do Brasil. Isso tudo sem contar o valor dos direitos de televisão de cada competição.
O problema todo é quando esses números são transportados para a vida real: a logística da Copa Sul-Americana é muito mais difícil e custosa para os cofres de cada clube. Enquanto a CBF dá uma ajuda de custo simbólica (R$ 5 mil para despesas e mais 23 passagens aéreas em viagens de mais de 500km), a Conmebol não arca com nenhum destes custos.
Em um cálculo aproximado, um clube grande gasta em torno de 500 a 600 reais por atleta por dia de viagem. Uma delegação costuma ter pelo menos 40 pessoas, o que dá um custo de mais de R$ 20 mil por dia ao clube. Em viagens internacionais, o custo pode ser ainda maior.
A ‘cereja do bolo' ainda é outra. Deste R$ 1,3 milhão a mais conseguido pelo título da Copa Sul-Americana e pelas participações em mais dois torneios, R$ 1 milhão é perdido porque o clube fica fora da Copa do Brasil do ano seguinte e os outros 300 mil vão embora porque o clube entra nas oitavas de final da Copa Sul-Americana e também não participa da primeira fase.
Com todos os números no papel, a conclusão é de que ser campeão sul-americano não é tão bom assim, pelo menos em termos financeiros.
Prova disso é que o São Paulo até tentou desistir da Copa Suruga, que é disputada no Japão, do ano passado porque os cerca 300 mil dólares de premiação eram insuficientes até para cobrir os custos da viagem. Além disso, há o fator momento. Afinal de contas, a viagem para o outro lado do mundo acontece no meio da temporada e aperta ainda mais um calendário que já é bastante complicado.
O problema é que o próprio regulamento da Conmebol deixa claro que se um clube não participar da competição será penalizado com a exclusão de torneios sul-americanos por três temporadas. E aí sim o bolso pesa. Afinal de contas, as arrecadações com público na Libertadores são as maiores dos times brasileiros. E o título é o mais prestigiado por aqui.
A solução tricolor foi fazer uma inter-temporada pela Europa, com as disputas da Copa Audi e da Copa Eusébio, que rendaram cerca de R$ 5 milhões os cofres, pagaram as despesas da Copa Suruga e ainda deram lucro. O problema é que o clube vivia um mau momento - chegou até a entrar na zona de rebaixamento do Brasileirão -, e as derrotas pelo Velho Continente só pioraram isso.
Nível técnico - Para piorar ainda mais a situação, o tão bradado nível técnico inferior da Copa Sul-Americana não é tão verdadeiro assim. Ao menos não nesse ano. O torneio já conta com os argentino Boca Juniors, River Plate e Estudiantes, o uruguaio Peñarol e o colombiano Atlético Nacional, que juntos somam 18 títulos da Libertadores, e ainda ganhou os reforços de Internacional, São Paulo e Fluminense (ou Santos, se o time santista for eliminado da Copa do Brasil nesta quinta).
A Copa do Brasil ainda tem outro atrativo bastante significante: dá vaga direta para a fase de grupos da Libertadores. O campeão da Sul-Americana joga a fase prévia e, além do risco de vexame precoce, ainda tem a já mínima pré-temporada ainda menor no começo do ano.

