Convocada para o mesmo dia da eleição do próximo presidente do São Paulo, a votação do projeto de reforma do Morumbi deve fazer com que conselheiros da oposição não entrem no plenário, na noite de quarta-feira. Há uma divisão dentro do grupo, o que é ruim para Kalil Rocha Abdalla, que, desse modo, teria votos a menos a seu favor na disputa com Carlos Miguel Aidar.
A manobra idealizada por Aidar e aceita pelo presidente Juvenal Juvêncio não tinha como intenção esvaziar o salão nobre, no dia 16, até porque já canta vitória antecipada no pleito, mas sim forçar a votação por parte da oposição, que já se absteve na primeira vez em que a matéria foi convocada, em 17 de dezembro do ano passado. O estatuto reza que não pode haver votação se não estiver presente o mínimo de 75% do Conselho.
Apesar de classificar o projeto de modernização do estádio como positivo, parte da ala oposicionista não pretende avalizar a ideia em meio à eleição presidencial. Entende que o assunto ganhou cunho político e questiona detalhes do texto. Em 25 de janeiro, uma reunião aberta a associados mais resultou em polêmica do que em esclarecimentos.
Além da cobertura do estádio, o projeto prevê a construção de uma arena de show e de novos estacionamentos. Pelo imbróglio, a Andrade Gutierrez, construtora com quem o clube havia se acertado para a obra da cobertura, a desistir da parceria. Segundo a diretoria, seus demais colaboradores (LACAN, XYZ e Multipark) continuam dispostos a contribuir com os planos.
Na eleição do Conselho Deliberativo, realizada em 5 de março, a situação recebeu a maioria dos pouco mais de três mil votos e ficou com 49 das 80 cadeiras renováveis a cada seis anos. Ter 18 conselheiros a mais deu segurança para que Aidar insistisse com Juvenal sobre convocar a votação da reforma do estádio para o mesmo dia do pleito.
A estratégia, porém, não foi encarada de uma única forma pela oposição. Alguns conselheiros que pretendiam votar em Kalil, mas admitem vitória de Aidar, cogitam não se apresentar, a fim de que não haja quórum suficiente para abrir votação do tema. Outros, como Marco Aurélio Cunha (conselheiro de oposição mais votado), prometem comparecer independentemente da "armadilha".
Projeto do Morumbi divide oposição e pode tirar votos de Kalil
Fonte Gazeta Esportiva
15 de Abril de 2014
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