'As pessoas estão morrendo por um pano', desabafa irmão de santista assassinado

Fonte ESPN
Thiago Cara/ESPN.com.br
Marcelo Aparecido da Silva não tinha grandes preocupações em relação ao clássico entre São Paulo e Santos. Era fã de futebol, é verdade, mas seu time de coração não entraria em campo naquele domingo. Veio o apito final no Morumbi e, dois dias depois, aquele jogo não sai de sua cabeça.
Enquanto a bola rolava no Morumbi, Marcelo não fazia ideia que, horas mais tarde, outro - e bem diferente - encontro entre alvinegros e tricolores mudaria a história de toda a sua família. Entre socos, pontapés e pauladas de torcedores rivais, morria Márcio Barreto de Toledo, o Marcinho.
Marcelo chamava o irmão pelo diminutivo por ser o mais velho da dupla de filhos de dona Olinda Martins da Silva. Aos 47 anos, depois de já ter visto sua mãe partir, enterrou o mano no Cemitério de Itaquera nesta terça-feira, 25 de fevereiro de 2014, após mais uma emboscada entre torcidas.
Márcio Barreto, de 34 anos, era membro da Torcida Jovem, maior organizada do Santos, e foi vítima de tocaia armada por são-paulinos no último domingo, pouco depois do clássico no Morumbi. Fora das arquibancadas era pai de primeira viagem, com um filho de apenas cinco meses para criar.
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"As pessoas estão morrendo por causa de um distintivo, de uma camisa, de um pano... Só que a vida não é uma camisa. Ninguém nasce com o distintivo do Santos no peito. Está na hora de começar a amar o próximo e esquecer camisa. O que é isso?", indagou Marcelo, após o sepultamento do irmão.
A tentativa de explicar o inexplicável acontecido com o irmão veio pouco após um desabafo. Assim que a última pá de terra caiu sobre o agora ex-torcedor do Santos, Marcelo pediu que as câmeras fossem ligadas e aplaudiu ironicamente os fãs do São Paulo. "Parabéns, desgraçaram uma família inteira".
Depois, tomou cuidado para não generalizar, explicando que falava especificamente dos torcedores que foram flagrados por câmeras de monitoramento da CET (Companhia de Engenharia e Tráfico), estacionando dois carros e aguardando, munidos de pedaços de pau, a chegada dos torcedores rivais.

Thiago Cara/ESPN.com.br
Tristeza de uns, título de outros
Marcelo tinha o mesmo sangue de Márcio, mas não o mesmo time. Os dois compartilhavam, contudo, a paixão pelo preto e branco. Embora torcessem por Corinthians e Santos, respectivamente, os irmãos nunca se desentenderam para o futebol. Para eles, futebol se resumia a títulos.
"Agora, parece que, quando se tira a vida de alguém, o time ganhou um título. Todo mundo quer ganhar título. Mas, para alguns torcedores, tirar a vida de um é ganhar título. Eu não vejo assim. Espero que a morte do meu irmão para o São Paulo seja um título...", tentou comparar Marcelo.
"Isso não foi contra ele. ‘Que se dane quem eu vou pegar, o importante é ser um santista'. Não interessa se é preto, se é branco... Ele morreu por uma camisa", continuou, ressaltando que, o fato de sua camisa não ser a do Santos não foi problema para tratar com os companheiros de organizada de Márcio.
"Não tenho nada contra as organizadas. Eliminá-las não vai resolver. Me trataram muito bem, inclusive", revelou Marcelo, que afirmou também que seria capaz de cruzar um estádio para cumprimentar os antigos amigos de Torcida Jovem de seu irmão. Isso, contudo, não deve acontecer.
Assim como o irmão, Marcelo era apaixonado por futebol e fanático por seu clube. A briga do último domingo, porém, tirou a vontade de retornar a um estádio - ainda que a nova arena do seu time esteja sendo construída a poucos quilômetros de onde vivia a família de Márcio - ou de onde fica localizado o Cemitério de Itaquera.
Já os amigos de Márcio de Torcida Jovem seguirão acompanhando o Santos. Através das redes sociais, a organizada afirmou que "toda ação gera uma reação", deixando o claro o tom de vingança que a morte de um associado por tomar. Marcelo, mesmo com sede de justiça, é contra. "Não quero que morra outro Marcinho".
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