Aos 41 anos, capitão são-paulino se vê rodeado de polêmicas fora de campo neste início de temporada (Fernando Dantas/Gazeta Press)
O tom de voz de Rogério Ceni nas últimas entrevistas não é o seu normal. O goleiro do São Paulo costuma falar de forma acelerada, intensa. Não tem sido assim desde a semana passada. Rodeado de assuntos desconfortáveis - como a denúncia no Tribunal de Justiça Desportiva e a contratação de Alexandre Pato, com quem teve desavenças em campo -, ele passou a falar mais baixo, e com semblante abatido.
Por conta da tentativa de rasteira em Valdivia e a ombrada dada em Alan Kardec, na derrota para o Palmeiras, Ceni foi enquadrado no artigo 250 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (praticar ato desleal ou hostil, prova ou equivalente) e pode pegar até três partidas de suspensão.
O risco de ficar fora de três compromissos, para alguém que assumidamente não gosta de dar chance a reservas, não é a única inquietação que o aflige neste momento. O camisa 1 também não vê com bons olhos a chegada do mais novo reforço. No ano passado, o são-paulino chegou atrasado em uma dividida com Pato, chutou a parte de baixo de sua chuteira e, não bastasse ter cometido penalidade máxima, lesionou o pé direito. Mais tarde, na semifinal do Paulista, o atacante levou a melhor na disputa de pênaltis, classificou o Corinthians e tirou sarro do goleiro em pleno Morumbi.
Questionado na quinta-feira passada sobre o novo companheiro, trocado pelo meia Jadson, respondeu sem empolgação. "(Vou recebê-lo) muito bem, como todos os profissionais. Sempre que uma instituição como o São Paulo contrata um atleta, é obrigação dos jogadores que estão lá receber bem", falou o capitão, que, nesta terça, cumpriu a promessa. O clube, inclusive, divulgou fotografia em que os dois, conterrâneos de Pato Branco (PR), aparecem sorrindo.
A mais recente polêmica também tem ligação com um atleta do Corinthians. Ceni teria discordado de Paulo André, zagueiro do rival e um dos líderes do Bom Senso FC, quanto à ideia de apoiar greve no fim de semana passado em razão da recente invasão de torcedores organizados ao CT corintiano. O goleiro negou a informação e qualquer problema com o colega de profissão, mas, com o mesmo semblante desanimado, mostrou-se contrário à proposta.
"Tenho admiração muito grande pelo Paulo, que trabalha muito pelos benefícios da nossa profissão. O que acontece é que juridicamente não posso expor os atletas a fazer uma greve. O que aconteceu foi terrível, mas temos que analisar todas as posições. Teve um atleta do próprio Corinthians [o atacante Emerson] que disse que não sabia nem o porquê de se fazer a greve. Se alguém que foi agredido responde isso, os atletas dos outros clubes também encontram dificuldade em entender", comentou.
As dores de cabeça fora de campo logo nos primeiros meses de 2014 certamente não eram esperadas pelo ídolo são-paulino, que esteve muito perto de se aposentar em dezembro, porém se convenceu a renovar contrato por mais uma temporada. Aos 41 anos, ele tem como último desejo conquistar mais um título pelo clube que defende desde 1990. A dificuldade inicial da equipe, com uma campanha irregular no Paulista, também contribui para o aparente desânimo atual.
"Hoje, o São Paulo já tem mais um time mais competitivo em relação àquele que começou o ano. Em mais nove rodadas, temos que fazer esse time estar pronto para estar entre os oito finalistas e brigar pelo título. Temos que ter um time bom suficiente para ser campeão", avaliou Ceni, depositando as fichas no técnico Muricy Ramalho para encontrar motivos de festejos.
TJD, Pato e greve: Ceni demonstra desânimo em meio a polêmicas
Fonte Gazeta Esportiva
12 de Fevereiro de 2014
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